Comprar ou comprar?
Antonio Lemes Guerra Junior


Com o avanço tecnológico, tornou-se infinita a possibilidade de escolhas entre produtos e serviços, o que gerou um aumento significativo na quantidade de consumidores insaciáveis pelo mundo. Tudo é oferecido utilizando-se as mais variadas formas. A mídia passou a ser um transmissor de propagandas infindáveis, nas quais empresas trabalham com o único intuito de persuadir as pessoas, tentando convencê-las de que a aquisição daquilo que ofertam é a melhor decisão a ser tomada.
Embora a liberdade de opinião deva ser preservada, deve-se atentar para um fato curioso e alarmante, que já vem causando consequências gravíssimas no meio social. O consumismo frenético, impulsivo e quase que incontrolável se tornou um dos grandes problemas da sociedade moderna, sendo considerado por muitos uma doença sem cura, capaz de levar um indivíduo a destruir seu senso crítico, pois passa a crer em tudo que lhe é veiculado, sentindo-se na obrigação de ter este ou aquele produto, mesmo que não tenham nenhuma utilidade.
Os investimentos em marketing realizados pelas empresas são maiores a cada dia. Impulsionadas pela concorrência, elas recorrem a formas variadas de abordagem, com o objetivo crucial de acertar em cheio seus alvos: os consumidores compulsivos.
A inovação é primordial nesse processo de conquista de clientela. Quem sai na frente acaba sempre tendo maiores chances de bons resultados. Os métodos persuasivos variam, mas um deles merece destaque devido à grande frequência com que vem ocorrendo. Muitos produtos têm pessoas famosas como ''garotos-propaganda''. Essa é uma arma infalível, já que a sociedade padrão de hoje baseia-se em seguir certos estereótipos criados como modelos a serem seguidos. As pessoas com tendência ao consumismo são alienadas pela propaganda e acabam seguindo esses tais modelos dando mais força a esse tipo de estratégia.
Estão enganados aqueles que acreditam que esse mal pode afetar somente adultos. O número de pequenos consumistas já é grande e pode tornar-se ainda maior. As crianças são dotadas de um frágil e alienável senso de escolha. São altamente influenciáveis e caracterizam-se como um prato cheio para os profissionais responsáveis pelo marketing de certos produtos. No entanto, muitos pais não se dão conta de que seus filhos possam estar se infiltrando nessa grande rede e, ao fazerem suas vontades, colaboram para que os índices de pessoas afetadas ainda nos primeiros anos de vida tornem-se elevadíssimos.
Os indivíduos devem impor limites em suas ações. Proibir empresas de venderem seus serviços é inviável, mas barrar a entrada desses produtos nos seus lares é perfeitamente possível e pode ser feito por qualquer um. Cada pessoa deve estar ciente de que ela não precisa de tudo para viver. Deve buscar o essencial. É evidente que se privar de certos desejos também não é certo, porém o exagero deve ser evitado a fim de não serem criados hábitos que tragam transtornos maiores e difíceis de serem controlados.
ANTONIO LEMES GUERRA JUNIOR é estudante de Letras na Universidade Estadual de Londrina

Uma questão de administração pública
Maurício Donavan Rodrigues Paniza


O Brasil é uma democracia. E, como país democrático, cabe ao povo escolher seus representantes de governo sendo isso materializado por meio das eleições. E a cada nova eleição, o ideal da população é o mesmo: menos violência, mais habitação, um sistema de saúde melhor, entre muitas outras coisas, que infelizmente o país verde-amarelo ainda não alcançou.
O questionamento que surge é: nossos governantes (digo, administradores públicos) têm resolvido as questões sociais de maneira eficaz? Alguns responderão que sim, entretanto, a grande maioria dos leitores responderá que não. Então, por que há essa falha no processo de administração pública?
Constantemente, os administradores públicos entregam bens para usufruto da população, em outras ocasiões criam políticas de emergência para conter determinados problemas sociais como a violência. Por que então o país não cresce ainda mais? Por que alguns problemas sociais como as violências, não cessam?
A resposta a todas essas questões encontra-se em apenas uma palavra: planejamento. Problemas sociais como a violência e desemprego só serão resolvidos por meio de políticas de longo prazo. E não é bem isso que a população vê. Geralmente, os administradores públicos tomam atitudes isoladas que sanam o problema temporariamente, mas cedo ou tarde, esse mesmo problema acaba voltando e muitas vezes, em pior estado que antes.
É visível, portanto, a importância do planejamento no desenvolvimento da nação. Os administradores públicos precisam aprender a administrar a longo prazo com criação de políticas de longo prazo, pois mesmo com o fim dos seus mandatos, os sucessores de governo continuariam a combater os problemas sociais de maneira tão eficaz quanto seus antecessores.
Não adianta prender criminosos sem antes criar meios de impedir que a violência continue a crescer, da mesma forma que não adianta construir novas casas sem impedir que milhares de pessoas continuem desempregadas. É tudo uma questão de administração e cabe aos governantes resolverem essa questão.
MAURÍCIO DONAVAN RODRIGUES PANIZA é estudante de Administração na Pontifícia Universidade Católica do Paraná em Londrina

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