Um outro lado do Hospital Universitário

Luis Carlos Jabur Gaziri
  As recentes acusações feitas a alguns médicos do Hospital Universitário (HU), quanto a ilicitudes no registro do ponto eletrônico, inclusive com um radialista afirmando tratar-se de ‘‘médicos safados’’, obrigam-me a mostrar à população de Londrina e do Paraná um outro lado dessa questão, que é administrativa na forma, porém política na essência.
  A medicina e a odontologia praticadas em Londrina são de excelente nível, o que é nacionalmente reconhecido. É sempre bom lembrar que isso se deve, fundamentalmente, à criação da Faculdade de Medicina, do Hospital Universitário Rural do Norte do Paraná e da Universidade Estadual de Londrina.
  O HU não realiza alguns procedimentos de alta complexidade porque é desnecessário. Por exemplo, transplantes de coração podem ser feitos no Incor (SP) e de medula óssea no HC (Curitiba), e a sua baixa freqüência não justifica os investimentos necessários. Por outro lado, nesse exato momento em que escrevo (3h02 da madrugada de 19 de junho), muitas pessoas devem estar em macas pelos corredores do HU, algumas esperando por vagas na UTI. Isso se deve exclusivamente ao desrespeito pela população, por sucessivos governos, para os quais investimentos em saúde e educação constituem apenas bandeiras eleitorais, mais nada.
  Quanto ao pedido de desculpas do reitor a ‘‘pacientes não atendidos’’, creio que lhe faltaram dados para melhor avaliar. Mesmo que metade do pessoal do HU deixe de trabalhar por alguns dias, a estrutura de atendimento é organizada de tal forma que todos serão atendidos, primeiro os casos de urgência, mesmo que haja maior demora. Quanto ao ponto, essa é uma estrutura arcaica de administração, que há décadas foi substituída pela administração por tarefas, por ser mais produtiva, cujo controle é realizado pelo próprio grupo encarregado de realizá-las.
  Na essência, a questão é política. Incapaz de atender às necessidades da população, o Estado nacional torna-se cada vez mais policial e repressivo, ao mesmo tempo em que dirige a população contra inimigos fictícios. No Paraná, o autoritarismo do governador, agora distribuidor central de medicamentos, é apenas parte disso. Alguns grupos alinham-se com ele. De minha parte, cerro fileiras em defesa do HU e da UEL.
LUIS CARLOS JABUR GAZIRI é PhD pela Indiana University (EUA) e professor titular de Biofísica na Universidade Estadual de Londrina


Lei do carma e reencarnações

Walmor Macarini
  O que fazemos aos outros fazemos a nós mesmos, sejam coisas más ou boas. Esta é a lei de causa e conseqüência, a lei do carma, também conhecida como lei do círculo, pois tudo o que fazemos faz seu giro e retorna ao ponto de partida. Está escrito: aquilo que se semeia, se colhe. Carma e reencarnação são coisas inerentes e uma oportunidade que a misericórdia divina nos dá de reparar falhas que temos cometido ao longo de nossas muitas existências - terrenas ou em outras das ‘‘muitas moradas’’.
  Mas não apenas as falhas e sim também as virtudes, porque estas igualmente nos atraem para um eventual retorno, se for da vontade individual vir exercer alguma atividade que utilize como ferramenta uma boa qualidade pessoal. Imaginemos que alguém que tenha acumulado méritos como cientista deseje retornar para novas missões, dentro de seu campo de conhecimento. Portanto, não se deve entender ao pé da letra que as encarnações são castigos para pagar pecados cometidos em outras vidas. Ao invés de castigos, leia-se novas oportunidades. Quem cegou alguém, pode não retornar cego, mas seguir uma impulsão interior predeterminada de ser um curador de olhos.
  O fato de as pessoas não se lembrarem da promessa feita é para que se opere o mérito na nova missão, porque às vezes a tarefa é árdua e dolorida. Nesse estado sacrificial inconsciente é que se opera a purificação. Que ocorre não apenas em uma vida, porque se em cada existência resgata-se débitos passados, acaba-se cometendo outros, e mais vezes será preciso ir e retornar. Esse processo não se dá por via de um anjo portando uma espada de fogo e expulsando a alma de volta à Terra, mas por uma decisão consciente de cada individualidade. Há, sim, casos em que isso ocorre por uma irresistível força, quase uma imposição, que puxa de volta o ser para este plano terreno.
  Como explicar que uma criança nasce com um problema físico se ela é inocente no entendimento comum? A lei da reencarnação explica tudo, ou então se irá crer numa perversidade divina, o que não existe. Essa criança, mesmo na idade adulta, não se lembrará de que seu espírito preexistente escolheu isto. Tal acontece para que - repita-se - ocorra o mérito, valendo para ela e para os familiares ou mais pessoas envolvidas. O fogo purificador e a magnanimidade divina estão agindo aí.
  Temos escrito, e assim é, que tudo o que se cria na mente se manifesta. Aparentemente uma contradição com a lei do carma, quando certas coisas já chegam prontas. Ainda aí prevaleceu uma vontade anterior. Alguns fenômenos são imutáveis, e se cumprem - porque o espírito de cada ser administra isto e tudo sabe, embora o racional físico não o compreenda - mas ainda assim tudo opera em harmonia com a força da vontade individual, regida pelo livre-arbítrio.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


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