ESPAÇO ABERTO
Ponto eletrônico na UEL
Claudio Espiga
Nos últimos dias os jornais de Londrina estão cheios de cartas e opiniões sobre o registro de freqüência por meio de cartão ponto no Hospital Universitário (HU). Eu sou um dos que passaram a ter que registrar a freqüência através do ponto eletrônico. Não vejo o mínimo problema nisso. Sempre fui favorável a este controle.
A presença física no local de trabalho não é garantia da qualidade do mesmo, mas ainda assim sou favorável ao controle.
Quando um empregador, público ou privado, contrata alguém para determinada atividade estipula-se a carga horária diária/semanal/mensal. A qualidade do trabalho desenvolvido não é estipulada.
Se órgão público, a contratação será após concurso; se empresa privada, após análise de currículo ou das informações obtidas.
Portanto, a qualidade do indivíduo é aferida para que ele possa ser contratado e esta deve perdurar enquanto ele for contratado. A qualidade é imprescindível para a continuidade do contrato.
A verificação da presença é a verificação da quantidade de horas que eu devo fornecer com a qualidade máxima. Portanto, não me incomoda bater ponto. O que me incomoda é a falta de um tratamento isonômico.
O que diferencia um engenheiro que desenvolve atividades no Hospital Universitário de outro que desenvolve atividade na Prefeitura do Campus? Por que um advogado do Hospital Universitário precisa bater ponto e um da Procuradoria Jurídica não? Por que não é verificada a presença deles através de meio eletrônico? Por que um servidor do Hospital Universitário tem que ser filmado no momento que registra sua freqüência? Por que um servidor do campus não precisa ser filmado?
Não é justo, nem perfeito, um sistema que diferencia pessoas, que cria castas, em função do seu local de trabalho, da atividade desenvolvida.
Magnífico reitor, a comunidade londrinense tem o direito e o dever de fiscalizar os agentes públicos da universidade, cabe ao senhor, com o senso de justiça que lhe é peculiar, estender a todos servidores, docentes e funcionários, campus da UEL e HU, indiscriminadamente, uma única forma de fiscalização.
CLAUDIO ESPIGA é engenheiro civil no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina
Esquerda e direita?
Evaristo Colmán
Em artigo publicado neste espaço no último dia 13, o professor Aguinaldo Pavão, do departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), questiona parte de minha resposta em entrevista à FOLHA publicada no dia anterior, faz a defesa da direita e do plano de segurança da reitoria.
Indignado com a metáfora que utilizei para acentuar o que, em minha opinião significa o plano, joga-me na cara a pergunta mortal: Em algum momento se propôs a restrição de acesso à UEL? Onde está escrito isso? As limitações de espaço não me permitem reproduzir toda a informação, de modo que só posso sugerir ao professor, caso se interesse pelo plano, que consulte o ponto VIII e os subitens d) e e) e avalie quem está sendo ideológico. Mas, gostaria que lesse todo o item XIII, que trata da criação de um órgão especial de segurança diretamente vinculado apenas ao reitor, dotado de autonomia administrativa para encaminhamento de informação sigilosa. É claro que isso não configura um verdadeiro quartel, mas, nos aproxima de um presídio.
Quanto à acusação de mal uso por minha parte do conceito (segundo o professor Aguinaldo) de direita, novamente é de lamentar a falta de lógica e o pouco respeito com as palavras que ele diz defender. A frase em questão está localizada no final de minha resposta à pergunta feita pela jornalista da FOLHA: A citação do reitor a grupos de ultra-esquerda que estariam patrocinando os protestos estudantis, feita em entrevista à FOLHA, se refere à Aduel?. Observemos de passagem que o professor Aguinaldo não se incomoda com o uso de ultra-esquerda pelo reitor. A minha resposta publicada é: Não sabemos. Isso parece ser um recurso de quem não tem argumento de defesa, e uma típica reação de quem é de direita.
Em primeiro lugar apenas afirmo que não sei, pois isso cabe ao reitor identificar. Segundo, denuncio tratar-se de uma falácia - na verdade falácia de conteúdo argumentum ad hominen na definição de Irving Copi, que o professor deve conhecer. Finalmente afirmo que também é uma típica reação de quem é de direita. Apenas pela constatação permanente, ao longo da minha vida de que tudo quanto é ditadura fascista, partidos e organizações de direita à menor crítica reagem não com argumentos, mas atacando o crítico como sendo de esquerda ou ultra-esquerda, bastando isso como argumento. Durante a ditadura militar toda oposição que precisava ser destruída era acusada de comunista, lembra?
De resto, se o professor lesse minhas respostas sem o véu ideológico que o cega, veria que não me limito à constatação de que é um argumento de quem é de direita. Caracterizo o plano, acrescento informações sobre a conduta da Reitoria em face dos protestos, denuncio a fragilidade das estatísticas para provar que a UEL é campo fértil para o tráfico, etc. Quanto a achar que não é desabonador ser de direita, o professor tem a liberdade de escolher com quem quer se juntar. Da minha parte, sei por experiência que direita foram Stroessner, Pinochet, Videla, Hitler e Mussolini. É uma turma com a qual não tenho nenhuma afinidade.
EVARISTO COLMÁN é presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Londrina (Aduel)
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