ESPAÇO ABERTO
Quando deixamos de ser civilizados
Márcia Guimarães
O homem demorou dezenas de milhares de anos para sair da barbárie e iniciar o processo que chamamos de civilização. Organizado em torno de padrões e regras sociais, este homem criou leis que garantiram a segurança e o bem-estar dos cidadãos, definiu o papel do Estado e, assim, possibilitou o progresso do qual a humanidade tanto se orgulha.
Se para que haja civilização é preciso
que existam leis, regras e padrões sociais, além de Estado organizado, infelizmente Londrina é, hoje - abandonada pelo poder público, e por nós, seus habitantes -, um aglomerado de trogloditas.
Perder um filho portador de uma doença incurável ou vítima de uma fatalidade inevitável
já deve doer demais. Mas perder uma vida para a violência, que é fruto do descaso, da omissão, da corrupção, da alienação, tem que ser inadmissível.
Nossos filhos estão morrendo e onde estamos nós, pais? Onde estão os professores e os alunos que não paralisam as aulas em respeito e em solidariedade à dor das famílias e em protesto ao silêncio das autoridades? Onde estão os comerciantes que não fecham as portas de suas lojas, eles que são diuturnamente ultrajados por marginais? Onde estão os políticos que só se lembram dos londrinenses quando em campanha eleitoral e que, depois de eleitos, calam-se traiçoeiramente? Onde está a imprensa que não estampa em letras garrafais e não grita nos rádios e nas televisões o abandono vivido por Londrina? Onde estão as associações, as ONGs, os sindicatos, as Ordens, que não cumprem sua função social elementar, a de defender os interesses de seus integrantes, que, afinal, são também cidadãos? Onde estão as Igrejas; todas elas? Onde está o prefeito? Onde está o delegado? Onde está a polícia?
Se nós, londrinenses, não nos mobilizarmos diante da morte de mais um jovem, da dor infinita de mais uma família, assistiremos a uma carnificina sem fim, perpetrada por bandidos impunes, protegidos por nós, os omissos, os covardes. Afinal, o que mais tememos perder, nós, que estamos perdendo a juventude que trouxemos ao mundo?
Se não reagirmos, vigorosamente, voltaremos a viver encerrados em cavernas e amedrontados pelos fantasmas que o nosso próprio egoísmo criou. Voltaremos à barbárie.
MÁRCIA GUIMARÃES é professora de História e empresária em Londrina
O que se cria na mente se manifesta
Walmor Macarini
Tudo o que se cria na mente com sentimento se manifesta. Isto é tão velho quanto a mais remota antiguidade, mas agora se revela mais intensamente, face ao mais rápido sistema de comunicações e à libertação progressiva das amarras que ainda prendem pessoas ao obscurantismo. Então, é certo que somos nós que atraímos as coisas boas e também as desagradáveis. Não existe fatalidade. Se um meteoro cai em sua cabeça, você talvez nunca tenha pensado nele mas esteve sintonizado com algum temor semelhante. Muitas vezes as perturbações que não desejamos rondam nossas vidas simplesmente porque o medo nos faz mencioná-las constantemente.
Se vivemos dizendo que as estradas são perigosas, criamos vibrações de perigo nelas. Se falamos a todo instante que a cidade está violenta, nutrimos a corrente da violência. Imaginar mentalmente situações de paz, com o propósito de isto estar realmente acontecendo, atrai essa condição e a robustece. Quando se afirma uma coisa, dá-se qualificação a ela, alimentando-a e fazendo-a ganhar força. Orar pela paz é bom, mas as palavras e o sentimento não podem ser contra a violência e sim a favor da segurança. Questão de uso de palavras com força positiva. Se não queremos a guerra, temos de mentalizar e sentir a paz, como coisa presente, já acontecendo.
Se dizemos não às drogas estamos mencionando duas palavras carregadas de negativismo. Melhor é mentalizar, com sentimento, que a conscientização está chegando naqueles envoltos nessa dependência. Está escrito que a Suprema Criação gerou todas as coisas pela vontade e pelo verbo. Assim é com a Supraconsciência cósmica, assim com o indivíduo, que é partícula do Criador, portanto o compõe e tem poder equivalente. A superconsciência em nós é a Mente Divina e nossa voz interna dela emana. A minha palavra não me voltará vazia, mas efetuará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei. Isto é de Isaías. Significando o poder divino no homem, o Reino dentro de cada um, como nos falou o Mestre.
Idéias de pecado atraem toda a carga vibratória que veio sendo depositada sobre esta palavra pela força nefasta de quem a pronuncia, e faz manifestarem-se coisas ruins. Nos lugares de oração e meditação - e em qualquer lugar - não se deve falar em pecado, tentações e impropriedades como castigos divinos e outras atemorizações. As palavras carregam forças em si mesmas, de acordo com sua natureza e com impulsão com que são proferidas. As boas, geram coisas boas, e as más geram coisas equivalentes. Os ditos demônios, como muitos o concebem, são capazes de cristalizar-se pela força mental de quem acredita neles e lhes dá valia e qualidade. Forças positivas e negativas existem no Universo, e se as mencionamos e lhes damos validade elas se apresentam.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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