ESPAÇO ABERTO
Educar para preservar
Fábio Rogério Ortiz
No último dia 5 comemorou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Infelizmente, percebe-se que não tivemos muito pelo que comemorar. Apesar de termos um número considerável de ONGs voltadas para proteger o meio ambiente no Brasil, observa-se ainda uma grande carência do que fazer ou como fazer para preservar o meio ambiente em que vivemos de forma realmente eficaz.
É importante salientar que o ser humano é a única espécie animal que adapta o meio para si, enquanto os outros seres vivos do planeta buscam adaptar-se ao meio. Portanto, nós, seres humanos, possuímos a tendência equivocada de consumir não apenas o que precisamos para viver bem, mas excessivamente e com desperdício.
Outro fator importante que nós como cidadãos temos de ter em mente, é que praticar ecologia não é uma tarefa para poucas pessoas. Muita gente pensa erradamente se o faz dessa forma. Se você fecha a torneira da pia ao escovar os dentes ou para fazer a barba, estará praticando ecologia. Mantendo-se o motor do carro sempre regulado, estará praticando ecologia. Usando um balde para lavar o carro, estará praticando ecologia. Se não joga papel pela janela do ônibus ou de seu carro, estará praticando ecologia.
Existem várias formas de se preservar o meio em que vivemos, sem precisar despender muito tempo ou grandes quantias em dinheiro para isso. O mínimo que cada um fizer já será o bastante.
No entanto, quem puder dar maior contribuição que o faça, não é mesmo? Como exemplo, cobrar das autoridades competentes ações para coibir a invasão de nossas áreas verdes, lutar pelo crescimento de nossas cidades, sem agredir ao meio ambiente, que sempre sofre com o desmatamento.
Podemos, também, denunciar o tráfico e o porte de animais silvestres. Enfim, os problemas ligados às questões ambientais em nosso país são muito grandes e a nossa responsabilidade tem a mesma proporção.
Como educador, vejo a crescente responsabilidade e o dever de se levar à comunidade o conhecimento de como podemos preservar o meio ambiente em que vivemos, não apenas na área ambiental, mas em todas as áreas; a educação ainda é a melhor saída.
Em pleno século XXI nos deparamos com a poluição dos rios, o aumento exacerbado do efeito estufa e o aquecimento global, as altas taxas de gases tóxicos enviados a nossa atmosfera.
Obviamente, temos de continuar crescendo, com tecnologia, com indústrias, com comércio e muito mais; porém, clamo para que não desprezemos a humanização dos meios para esse fim.
FÁBIO ROGÉRIO ORTIZ é professor em Londrina
Direita, esquerda e a segurança na UEL
Aguinaldo Pavão
Li ontem na FOLHA DE LONDRINA a entrevista com o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Londrina (Aduel), professor Evaristo Cólman, sobre o plano de segurança da UEL (Opinião, pág. 3). Cólman afirma, em resposta à pergunta de que o reitor Wilmar Marçal teria afirmado que grupos de ultra-esquerda estariam patrocinando os movimentos estudantis, que essa é uma típica reação de quem é de direita. Quero me deter nisso. Não tenho a intenção de defender o que o reitor teria dito ou não. Simplesmente quero criticar o uso da expressão típica reação de quem é de direita. Se alguém afirma que tais pessoas que praticaram determinada ação são de esquerda, então a pessoa que afirma isso manifesta uma típica reação de quem é de direita?
Não consigo perceber qual a conexão que existe entre ser de direita e afirmar que alguém é esquerdista ou ultra-esquerdista? Se levarmos às últimas conseqüências o que Cólman afirmou, a sua declaração seria circular. Ou seja: se eu, sendo de esquerda, chamo de direita quem me chama de esquerda, então quem é de direita pode continuar me chamando de esquerda, pois eu o chamo de direita. Ora, isso não tem nenhuma sustentação e, além de argumentar em círculo, rebaixa tremendamente o significado dos conceitos de direita e esquerda. É um uso totalmente indevido destas noções e merece, portanto, censura. Típica reação de quem é de direita soa como típica reação de quem está errado. A direita é usada como palavra desabonadora. Mas isto é um equívoco. Não é desabonador, por si só, alguém ser de direita ou ultradireita, da mesma forma que não é desabonador alguém ser de esquerda ou ultra-esquerda.
Ser de direita significa priorizar o princípio da liberdade em relação ao princípio da igualdade. Ser de esquerda significa assumir a ascendência normativa do princípio da igualdade sobre o princípio da liberdade. Com base nessa compreensão, não consigo ver por que alguém de direita seria necessariamente a favor do plano de segurança. Tampouco percebo por que alguém de esquerda seria necessariamente contra. Direita e esquerda devem ser entendidas como concepções políticas gerais. Um indivíduo de direita pode muito bem concordar pontualmente com alguém de esquerda. Os exemplos são fartos, dispenso-me de citá-los. Ora, o plano de segurança da UEL não se insere numa política necessariamente de direita. Desafio alguém a provar que ser de direita implica ser favorável ao plano de segurança.
Gostaria também de chamar a atenção para uma ideologização ociosa do debate em torno da segurança na UEL. O debate deve ser baseado em argumentos e dados. Nesse caso, tem efeito apenas retórico dizer que a UEL será transformada num quartel. É evidente que não. Vamos respeitar um pouco o bom senso! Quartel? Ora, discursos como estes não ajudam em nada o debate sobre a segurança em nossa universidade. Em algum momento se propôs a restrição de acesso à UEL? Onde está escrito isso? Um muro implica isolar a UEL da comunidade? Por favor, argumentem, não brinquem com as palavras.
AGUINALDO PAVÃO é professor do departamento de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina
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