ESPAÇO ABERTO
Namoro, o que é?
Dom Orlando Brandes
Este é o título de um livro de João Mohana sobre o namoro. O autor era médico, psicólogo, padre e conselheiro com larga experiência, além de conferencista, pregador de retiros e, principalmente, escritor. Para explicar o que é o namoro, Mohana começa dizendo o que não é namoro. Não é passa-tempo; não é fazer um programa; não é brincadeira a dois; não é mera camaradagem ou companheirismo; não é apenas amizade ou relacionamento entre pessoas vizinhas. Namoro não é transa, não é parceria erótica.
Num segundo momento nosso autor esclarece o que ele chama de um verdadeiro namoro. Antes de tudo, é um tempo de conhecimento mútuo, através do diálogo, da confidência, da partilha de vida. Por isso mesmo, namoro é tempo de crescimento, amadurecimento, aprofundamento das personalidades em questão. O namoro deve ser iluminado por um ideal, por um valor objetivo, que é o casamento. Namoro não é transa no sentido de aproveitar a juventude. Para estabelecer um namoro verdadeiro os parceiros devem ter a coragem de ser diferentes da moda e dos costumes impostos pela vida moderna. Sexo no namoro não é necessário.
Por falta de um namoro autêntico acontecem os casamentos que nunca deveriam ter sido realizados que são os matrimônios forçados, apressados, dolosos, imaturos, interesseiros, inseguros, de aparência, sem amor. Mohana discorda totalmente do namoro precoce por causa da imaturidade dos envolvidos. Pior ainda é o namoro com motivações negativas como: fuga de casa, medo de sobrar, todo mundo faz, complexo de inferioridade, medo da solidão, necessidade de auto-afirmação.
As pessoas precisam distinguir entre gostar, gamar e amar. Paixão e amor não são a mesma coisa. É preciso restituir o verdadeiro sentido à palavra: amor. O erotismo é negação do amor porque é afirmação de si e subjugação do outro. No erotismo a pessoa acaricia-se a si mesma, o outro é objeto de destruição. A vitória do libertino é sempre uma amarga derrota (E. Fuchs). Bem outra coisa é o amor, porque é respeito, confiança, doação, gratuidade, benevolência.
Parabéns aos namorados e feliz casamento, pois o amor conjugal é sinal-sacramento do amor de Deus pela humanidade. O futuro do mundo passa pela família, pela ternura, pelos relacionamentos sadios e duradouros. Que através do amor os namorados possam valorizar esta grande verdade: a educação de uma criança começa vinte anos antes dela nascer, isto é, no namoro daqueles que serão seus futuros pais.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
Quem será o próximo?
Aldo Pedalino
Um jovem de 19 anos morreu. Foi brutalmente assassinado. Crueldade sem par, injustificável, dor, muito sofrimento, nada justifica. Lembro-me de um menino de cinco anos morador de um bairro da periferia que conheci há anos, e que veio feliz ao meu encontro e disse: Aldo, hoje eu ganhei um real. Que bom - respondi. E como ganhou esse dinheiro, perguntei-lhe. O fulano me deu para que eu entregasse um pacote no bairro ao lado, explicou ele. Posso afirmar que esse menino estava começando a morrer naquele dia, naquela semana. Esse processo de assassinato homeopático só não teve continuidade porque interviemos e a vida do menino continuou dentro dos princípios de amor e honestidade.
Ele seria daqui 15 anos quem iria tirar a vida de alguém da nossa família. O que a sociedade organizada está fazendo? Quando vamos sair das nossas casas, do nosso conforto, do nosso ninho e fazer a diferença?
As mudanças sociais só ocorrerão quando tivermos consciência dessa realidade. Portanto, existem inúmeros bairros em Londrina precisando de ajuda, e não digo aqui cesta básica, muito menos bala no Dia da Criança e chocolate na Páscoa, mas uma grande mudança de perspectiva de vida, a criação de um novo modelo de vida.
Como é a relação de vizinhos em seu bairro? Como o seu bairro se organiza para poder fazer a união? Vocês se conhecem e se ajudam? Não é possível que a sociedade queira ter uma vida de paz e sossego, fingindo que não está acontecendo nada ao seu redor, fechando os olhos à crueldade em que as crianças são submetidas, não querendo ver o quanto aqueles adultos são sofridos, quanta dor existe, quanta desinformação.
E nós aqui esperando que a polícia prenda todos, erguendo os muros de nossas casas cada vez mais altos, colocando cerca elétrica, seguranças privados, carros blindados e de preferência que não os vejamos em suas mazelas lá fora. É, é muito fácil, prendam todos e de preferência bem longe de nossos olhos.
Apelo aqui também, não às Igrejas, mas àqueles que as freqüentam. Que mundo vamos deixar para os nossos filhos e netos? Quantas Pastorais da Criança poderiam ser realizadas nos bairros da periferia? Só isso seria a revolução de Londrina. Seria uma reunião ecumênica em prol do próximo. Como vamos fazer jus à oração Seja feita a sua vontade assim na Terra como no Céu. Acredito que a vontade Dele não era de mandar prender todos e excluí-los da sociedade, e fingir que não existem as Bratacs, Marizas, União da Vitória, Marabá, etc.
ALDO PEDALINO é dentista em Londrina
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