A Terra na UTI

Anuar Hassan Paracat
  Desde os mais remotos tempos da construção das sociedades humanas aproveitamos da natureza o que ela tem de melhor a nos oferecer. Éramos, como as atuais tribos indígenas do interior das florestas roraimenses ou do Alto Xingu, partes integrantes do meio ambiente. Colhíamos, caçávamos e até trabalhávamos o solo para nos abastecer do que necessitávamos para nossa subsistência. Não havíamos encontrado o ‘‘elo perdido de Darwin’’ e nem alcançado os mais altos ou os mais baixos degraus que deixam um abismo etéreo-neonazista (pureza na separação entre o rico e o pobre) entre o desenvolvimento e o subdesenvolvimento, formalizado pelas nações ricas que difundem um famigerado ódio econômico entre ‘‘seres racionais’’.
  Os termos contemporâneos mudaram de subsistência primordial a sobrevivência atual. Inconseqüentes, idealizamos sobrevidas ou vidas superiores que dividem classes sociais cada vez mais excludentes, esquecendo das relações legítimas entre meio ambiente e ser natural-social propondo atividades econômicas elevadoras de lucros que cedo ou tarde não poderão ser aproveitados, enquanto o paradigma de que somos proprietários dos recursos naturais e não que devemos ser ótimos administradores dos mesmos, não for transfigurado.
  Antes de sermos seres historicamente construtores de sociedades transformadoras das paisagens naturais em espaços geográficos, somos os maiores responsáveis pelas ações que devem sanar os impactos ambientais e extermínios biológicos ocasionados pela insuficiência de absorção da Terra, por causa dos efeitos das atividades modernizadas que influem no consumismo exacerbado, provocado estrategicamente por interesses comerciais, em nossas próprias vidas. Nosso planeta pede socorro e está, segundo o professor Backes, Elton 2007: ‘‘Um doente em estado grave’’.
  Enquanto não inserirmos em nós mesmos a conscientização de que esta situação não se resolverá apenas com migalhas financeiras que talvez possam chegar aos países subdesenvolvidos, através de créditos de Kyoto, e que este é um problema que só será solucionado se houver a solidariedade mundial entre todos os órgãos políticos, religiosos, administrativos, econômicos, sociais e principalmente governamentais, carregaremos para a eternidade o encargo de que fomos os únicos seres que conseguiram extinguir com a própria espécie.
ANUAR HASSAN PARACAT é professor de Geografia do ensino básico e ensino de jovens e adultos (EJA) da rede estadual de ensino em Ivaiporã


Criação versus acaso

Rafael Thomazini
  Desde que a ciência se emancipou da religião, esse assunto suscitou fervorosas discussões durante alguns séculos e ainda hoje permanece na crista da onda. Quero aqui, expressar minha humilde e singela opinião fulcratado na máxima: ‘‘No princípio criou Deus o céu e a terra’’. Tal afirmação não parece espúria, principalmente quando analisamos questões tão importantes como, a adaptabilidade perfeita da Terra em um lugar de vida e a complexidade sublime e majestosa do corpo humano.
  O planeta em que vivemos possui elementos para sobrevivência humana que não encontramos em nenhum outro do sistema. Segundo dr. Adalto Lourenço, se a Terra fosse maior ou menor, seria impossível haver vida aqui. O tamanho da Terra foi cuidadosamente elaborado para dar condições à vida. Outro dado bastante interessante é a inclinação do eixo terrestre, são 23 graus. Isso significa a possibilidade de todas as regiões da Terra serem atingidas pela luz e o calor do sol. Se assim não fosse, os pólos seriam frigidíssimos e as áreas centrais cálidas por demais, inviabilizando a vida. Outra questão interessante é o papel da Lua na manutenção do planeta, a esse respeito o dr. Louis Graunden disserta o seguinte: ‘‘Sua ação é imprescindível. A lua possui importância precípua na produção do plâncton, que é extremamente necessária para oxigenação das águas e, por conseguinte, a produção da cadeia de alimentos por nós consumidos. Ela gera as marés, sem a intervenção da Lua, muito provavelmente não haveria vida nas cidades praianas, pois os oceanos evacuariam toneladas de lixo nas praias. Porém, se ela estivesse mais longe ou mais perto, jamais poderia desenvolver tal tarefa.’’ Será que o acaso providenciou isso?
  Quando pensamos no corpo humano e sua complexidade, se torna ainda mais difícil de sorver a teoria do ‘‘acaso’’. Sócrates (470-399 a.C) já estava atento a essa questão: ‘‘...Observando o corpo humano, em especial, notamos que cada um e todos as seus órgãos estão constituídos de tal modo que não podem ser absolutamente explicáveis como obra do acaso, mas apenas como obra de uma inteligência que idealizou expressamente essa constituição’’. A descoberta do DNA e as recentes pesquisas com células troncos, têm mostrado a magnitude do corpo humano. Já descobriram, por exemplo, que o corpo humano possui 60 trilhões de células. É sabido que cada célula possui uma fita de DNA, como medida de um metro e setenta centímetros. Ora se fosse possível, esticar todas essas fitas, teríamos a metragem de cento e dois trilhões de metros de fita DNA, onde estão codificados com uma precisão incrível, todos os dados genéticos do individuo. Tudo isso dentro do corpo humano. Será que o acaso seria capaz de criar, ou gerar todas essa precisa carga genética?
  Não vejo coerência em dizer que o caos produziu ordem e muito menos as leis e os movimentos tão precisos e harmônicos desse mundo e que gerou o corpo humano, munido de toda essa complexidade. Essa teoria nos convida a desposarmos de nossa inteligência e mergulharmos cegamente em sua sandice. Portanto, julgo muito mais crível, o pensamento socrático, a respeito da existência de um Deus criador ou uma inteligência ordenadora.
RAFAEL THOMAZINI é graduado em Teologia e estudante de Psicologia da Metropolitana/Iesb em Londrina

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