ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de junho de 2007
Antonio Fidelis 
Preço da gasolina em Londrina
Antonio Fidelis
O Brasil vive a liberdade de mercado no setor de combustíveis derivados de petróleo e álcool desde 1996. Até aquele ano, o preço da gasolina era tabelado pelo governo federal com uma margem para o posto revendedor de aproximadamente 20% sobre o preço da compra feita da distribuidora. Considerando que os postos em Londrina pagam atualmente R$ 2,22 à vista o preço médio pelo litro da gasolina nas distribuidoras tradicionais, ou seja, naquelas que existiam antes da abertura do mercado, se aplicado aquele percentual de 20%, a margem hoje seria de R$ 0,44, cujo produto passaria a custar na bomba R$ 2,66 por litro.
Se considerarmos todas as despesas fixas operacionais que tem o posto, tais como aluguel, salários dos empregados, custo de 3% no cartão de crédito, cheques devolvidos, telefone, luz, impostos e água, impossível que esse segmento possa trabalhar com margem bruta abaixo de 15%, o que corresponde hoje a R$ 0,34 por litro, cujo preço final seria de R$ 2,56. Há que se considerar ainda que o posto recolhe o ICMS por substituição tributária. Isto é, este valor já é recolhido ao fisco no ato da compra pelo valor presumido de venda para R$ 2,533. Portanto, a ilação que se tira é que o governo entende que R$ 2,533 por litro é um preço justo, porque se pensasse o contrário não poderia exigir o recolhimento do ICMS sobre esse valor.
Diante deste quadro, qualquer posto que trabalhe com preço abaixo deste valor não está fazendo uma operação racional, pelo menos para Londrina, haja vista que o empresário sério, que vende um litro na bomba, correspondendo exatamente aquele litro que vai para o tanque do consumidor, que não utiliza o artifício da bomba baixa, que não adultera o produto, que não adiciona mais álcool na gasolina do que o permitido, que paga os impostos corretamente, que remunera os seus empregados dentro da lei, não pode ter uma margem bruta abaixo de 15% sob pena de quebrar.
Verifica-se que todo mercado livre funciona em flutuação, sendo esta a dinâmica de toda e qualquer atividade econômica, onde não existe o engessamento de preço, teoria esta que já era defendida em 1776 por Adam Smith, em sua obra ''Uma Pesquisa Sobre a Natureza e as Causas das Riquezas das Nações''. Assim, as empresas que trabalham com margens muito baixas, sem remunerar adequadamente o seu capital, estão fadadas ao fracasso, sendo sérias candidatas à quebra, sobretudo porque no mundo capitalista não se admite uma remuneração de seu investimento abaixo de um certo nível, porque se isso ocorrer é melhor o empresário vender o seu patrimônio imobilizado, despedir todos seus empregados e aplicar na caderneta de poupança, onde não tem qualquer risco e o seu capital rende sem qualquer trabalho.
A sociedade vive em uma simbiose, onde o consumidor precisa do empresário que contribui com o crescimento do país, recolhendo seus impostos corretamente, servindo ao público com honestidade, honradez, seriedade e caráter, e este mesmo empresário necessita do consumidor para sobreviver e manter o seu negócio, reinvestindo e cumprindo com o seu papel perante a sociedade.
ANTONIO FIDELIS é advogado em Londrina
Jesus do nascimento aos 33 anos (3)
André Eduardo Pullin Lazzarini
Não há como misturar o cristianismo e o budismo ou outras religiões e filosofias orientais, pois o cristianismo se destaca de todas as outras por diferenças fundamentais, ensinadas por Jesus nos evangelhos.
No budismo, viver é sofrer, mas a solução para o sofrimento é a busca e a eliminação da fonte deste sofrimento; já no cristianismo a solução é transformar o sofrimento de forma que ele tome um novo significado: Cristo morreu na cruz e não acabou com o sofrimento, mas transformou-o em algo positivo, redentor. Para o cristão, a meta não é acabar com o sofrimento, mas abraçá-lo, dando-lhe um novo significado. O cristianismo é uma religião que leva as pessoas ao exterior, à caridade, ao passo que as religiões orientais levam as pessoas a se interiorizarem.
A idéia da reencarnação não tem lógica dentro do cristianismo. O cristianismo fala da existência do pecado original: a humanidade foi criada perfeita e em completa harmonia com Deus. Só que um pecado fez com que se quebrasse essa harmonia. Para Deus, nós herdaríamos as características que nossos primeiros pais tinham quando foram concebidos, mas como houve o pecado, acabamos por herdar uma desordem (veja: no intelecto estamos confusos; na vontade temos dificuldade de fazer o bem mesmo quando sabemos o que deve ser feito; e nas paixões estamos descontrolados principalmente no que diz respeito à luxúria e à ira).
Ademais, no cristianismo não há lógica a ''purificação'' a cada encarnação para chegar à santidade. Essa idéia não tem sentido porque ninguém aprende com um castigo dado em decorrência de um erro que não se tem consciência ou conhecimento de ter cometido. Acreditar que as pessoas pagam com seu sofrimento atual, erros cometidos por vidas passadas, leva-me a ignorar o sofrimento do próximo, já que ele está passando (ou pagando) por aquilo que é somente dele, assim nada posso fazer por ele, levando ao pensamento egoísta e diametralmente oposto ao principal ensinamento de Cristo: ''Amai-vos uns aos outros'' (João 13,34-35). A idéia da reencarnação é muito mais facilmente assimilável para todos e mais atraente do que a do pecado original, mas se analisarmos a consequência de se acreditar em uma e outra, a conclusão é que a última é muito mais positiva e verdadeira, pois a primeira pode dar margem até mesmo para crueldades. Além do mais, Deus é amor, Deus não castiga, Deus perdoa, e Deus nos aceita como somos, e nos receberá desde que nós nos arrependamos de nossos pecados na certeza de não voltar a cometê-los e seguir seus ensinamentos, procurando imitá-lo em nosso modo de vida, dentro das nossas limitações e da nossa imperfeição. (fonte de algumas informações: Peter Kreeft - filósofo americano, católico, muito respeitado, professor da Boston College).
ANDRÉ EDUARDO PULLIN LAZZARINI é católico e médico veterinário em Londrina
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