Investigação criminal

Marcos Antonio Tordoro
  Os esquemas criminosos estão cada vez mais ousados e organizados. A influência do crime nas instituições públicas (Executivo, Legislativo e Judiciário) têm ultrapassado os limites do acreditável. É triste a imagem de funcionários públicos - algemados e com as cabeças e punhos cobertos por uma blusa ou paletó - sendo presos e responsabilizados pela prática de crimes contra a sociedade. Ao mesmo tempo é com alegria que se constata as mudanças na maneira de agir e nos alvos das ações conjuntas entre Ministério Público, Polícia e Judiciário.
  A ousadia e a organização têm dificultado bastante a ação do Estado para coibir e reprimir as investidas do crime. Contudo, os criminosos têm sido derrotados com freqüência, cujas ações têm culminado com prisões de figurões da política, das polícias e até do Judiciário. Ações como esta estão se tornando freqüentes.
  E também é com freqüência que se constata algumas emissoras de televisão divulgando, em seus telejornais, trechos de conversas telefônicas gravadas pela polícia. Não se tem conhecimento como tais provas são levadas ao conhecimento da imprensa ou como a mesma acessa tais provas processuais, mesmo estando sob a imperiosa necessidade do segredo de justiça, conforme mandamento legal.
  Independentemente das circunstâncias que levaram repórteres a acessar tais provas - a imprensa está para informar - a banalização desse meio de prova não é salutar para investigações criminais futuras.
  As prisões são necessárias para a correta aplicação da legislação penal, todavia há que se resguardar o sigilo das investigações e não deve ocorrer o rompimento das restrições legais impostas aos processos penais em que ocorre, mediante autorização judicial, a utilização da interceptação das comunicações telefônicas.
  A lei tem que ser cumprida na sua plenitude, por isso as provas coletadas através das interceptações são sigilosas e devem ser acessadas, em juízo, apenas pelas partes que têm interesse no processo e não deveria haver a divulgação como vem ocorrendo. Motivos para tal acontecimento não existem que possam colaborar com as ações investigativas das polícias, pelo contrário, banaliza a utilização desse meio de prova. Que se divulguem as prisões, as apreensões de drogas, armas ou outros bens, a sociedade deve saber quem são as pessoas que estão se corrompendo, desviando verbas públicas ou vendendo sentenças.
MARCOS ANTONIO TORDORO é primeiro-tenente e comandante da Companhia de Polícia Militar de Bandeirantes


Brasileiros não gostam de ler

Osvaldo Cardoso Ribeiro
  Um dos exercícios mais salutares que as pessoas podem realizar é o da leitura. Os livros são companheiros de todas as horas e nos proporcionam deslumbrantes viagens pelos caminhos do mundo. Que pena que muitos não têm tempo e disposição para leitura! A cada dia que passa menos livros são lidos. Será que no país está aumentando o número de analfabetos? As pesquisas do IBGE mostram que nos últimos dez anos houve uma queda nos índices de analfabetismo: a taxa de 20,1% caiu para 13,6 %. Isso poderia nos levar a crer que o Brasil estaria se tornando um país de leitores. A realidade é outra: parece que o povo perdeu o hábito de leitura.
  Muitos não lêem porque os livros são caros e inacessíveis à maioria da população. Mas quem gosta de ler sempre acha um jeito, vai aos sebos, às bibliotecas públicas, embora sem poder ler os grandes lançamentos. O problema do não ler é complexo. Não se vislumbra um projeto concreto para fazer o povo ler mais.
  Que tal se em Londrina houvesse uma iniciativa e se organizasse o triângulo: livro, leitura e biblioteca? Criando-se um programa de incentivo à leitura mostrando o quanto é importante. Seria a reunião de pessoas que gostam de escrever e ler motivando outras ao hábito de leitura que é uma das coisas mais belas da vida. Quem lê ouve melhor, fala melhor, escreve melhor e vê o mundo com outros olhos.
  Que pena que o nosso país seja de poucos leitores. Inexplicavelmente verifica-se uma queda no analfabetismo, em contrapartida cai o número de pessoas interessadas em leitura. Seria bom que o povo lesse mais. A verdade é que a maioria que se diz alfabetizada não consegue compreender frases longas, embora decifre o significado isolado das palavras. Muitos desses alfabetizados não se interessam por ler jornais, revistas tampouco por folhear e passar os olhos por uma página sequer de um livro.
  Sem a leitura o mundo perece e a barbárie toma conta. Para que o futuro seja melhor devemos dizer aos jovens o quanto é gratificante ler. Ergam uma bandeira em favor da leitura. Desliguem-se da televisão e se liguem nos livros. Teatro, dança e música são importantes apelos culturais, porém nada significam sem a presença da leitura. Esta questão cultural é um tema político em que a sociedade deve ser sensibilizada e mobilizada, pois definirá o futuro do país.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é jornalista em Londrina


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