ESPAÇO ABERTO
SAP e Londrina, uma parceria de futuro
Tadeu Felismino
Nesta quarta-feira vem a Londrina o presidente da SAP-Brasil, José Ruy Antunes, proferir a conferência principal do XI Fórum Londrina Tecnópolis e assinar um termo de parceria com a Adetec, Prefeitura de Londrina e universidades da região, visando a transformação de Londrina em Pólo de Tecnologias SAP.
Mais do que um evento isolado, de caráter comercial, a visita tem caráter estratégico e é o coroamento de quase dois anos de namoro entre Londrina e a SAP, empresa alemã líder mundial no mercado de software de gestão de empresas.
No ano passado, a SAP inseriu Londrina numa lista de 30 cidades analisadas para implantação de seu primeiro centro de desenvolvimento no país, e a cidade foi para a final com São Leopoldo, na Grande Porto Alegre. Embora a escolha final tenha recaído sobre a a Universidade Vale dos Sinos, que já tinha um Parque Tecnológico em seu campus, com edifício pronto para implantação imediata da SAP, o fato é que Londrina, com suas boas universidades, infra-estrutura de primeiro mundo, qualidade e custo de vida, além da excelente articulação entre suas instituições, deixou uma boa impressão junto aos executivos da SAP-Brasil e SAP-Alemanha.
Este processo fez com que executivos locais visualizassem a oportunidade de criar uma empresa de capital local, articulada pela Adetec, liderada por três ex-presidentes da Associação Comercial e Industrial de Londrina - George Hiraiwa, Valter Orsi e José Augusto Rapcham - e pelo ex-presidente da Codel, Cláudio Tesdeschi, e que terá como sócio e primeiro presidente um profissional com larga experiência no mercado nacional de software e serviços, Orestes Hypolito.
Assim nasceu a LINT - Londrina Tecnologia da Informação -, uma empresa voltada a gerar oportunidades com a terceirização de serviços para grandes empresas nacionais e internacionais de software e serviços, especialmente nas tecnologias SAP, que são as que mais crescem no mercado atualmente. Ou seja, a LINT vai contratar os profissionais capacitados nas universidades para atuar no mercado mundial de outosoursing, oferecendo mão de obra na quantidade, qualidade e custo que o mercado requer.
Esta parceria estratégica, e de grande futuro para a região de Londrina, é que será formalizada durante o XI Fórum Londrina Tecnópolis, que vai debater Carreiras de Futuro no Norte do Paraná amanhã, das 8 às 18 horas no Iate Clube de londrina. A comemoração acontece na seqüência, a partir das 20 horas no mesmo local, com o jantar anual da Adetec e a festa de entrega do XII Prêmio Destaque Tecnológico Banco do Brasil e I Prêmio Jovem Empreendedor Sercomtel. Nos três eventos, José Ruy Antunes será o convidado especial. Mais informações em www.londrinatecnopolis.org.br
TADEU FELISMINO é jornalista e coordenador executivo da Adetec em Londrina
Política e as usinas hidrelétricas
Sirlei Bennemann
É assombrosa a coincidência com o que estão acontecendo os licenciamentos dos projetos das usinas no rio Madeira, no Amazonas, e do rio Tibagi, aqui no Paraná. É tudo muito igual, desde 1986, conforme Portaria 01 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambeinte), que é uma lei ambiental que exige que se façam Estudos de Impactos Ambientais (EIA) para grandes empreendimentos, como é o caso de construção de barragens.
Durante duas décadas se praticou uma farsa, pois para qualquer empreendimento que causasse impacto, as empresas responsáveis contratavam alguns profissionais desempregados e inexperientes para fazer cumprir a lei e que assinassem o tal documento exigido. Não quero dizer com isso que todos os profissionais contratados inexperientes estão fazendo qualquer negócio para cumprir o papel que exige a lei.
No entanto, nas etapas exigidas para todo o processo de licenciamento, a primeira é obter a licença prévia, esse tal de documento assinado por profissionais de diferentes áreas para dizer que o empreendimento é viável e que não vai causar danos para as populações e o ambiente. Foi isso que se foi realizado durante as duas décadas - fazia-se de conta que a lei estava sendo cumprida. Aí vem a política, em todas as categorias e níveis, fazendo uma grande divulgação do que fazia dentro da lei! Era tudo uma ilusão, e agora os políticos e grandes empreendedores agrupam todas as pessoas que têm ideais, que querem defender suas idéias e também os pesquisadores e cientistas para dizer: Os ambientalistas querem atrasar o desenvolvimento.
O que acontece é bem simples: todas as pessoas profissionais ou não, detectaram a farsa da política e do poder econômico, pois todos têm (ou deveriam ter acesso aos relatórios dos estudos EIA/RIMA) - eles são uma verdadeira farsa! Não avaliam nada, e todos que se interessam e têm oportunidade de analisar, ler ou pesquisar, logo constatam: esses relatórios não dizem nada, são incompletos, são verdadeiros fraudes e, além do mais, tendenciosos.
Os políticos e o poder econômico que tem contratos entre si não estão mais agüentando e, por isto, desfazem os ambientalistas e pesquisadores. O melhor de tudo, o Brasil ainda tem salvação, pois tem até alguns políticos e pesquisadores éticos, profissionais e pessoas que ainda pensam nas gerações futuras e que estão desmascarando o que os políticos do Paraná e também do Brasil, o presidente Lula inclusive, estão tramando. Por último, é demais incluir policiais para desfazer o seu trabalho, como está muito claro na Operação Navalha. Senhores políticos e empreiteiros, o povo não é tão ignorante como vocês estão pensando.
SIRLEI BENNEMANN é doutora em Ecologia e Recursos
Naturais, pesquisadora de Ecologia de Peixes e professora na Universidade Estadual de Londrina
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