O fascínio do poder
Rafael Thomazini

A palavra fascínio significa atração irresistível, deslumbramento, encanto, enlevo, deleite ou êxtase. Alguém já elaborou uma tríade sobre o poder que versa o seguinte: ''O poder corrompe, emburrece e ensoberbece''. É por isso que observamos pessoas, que possuíam ideários magníficos antes de assumir o poder, e após esse evento jogam todos seus princípios na lata do lixo para usufruir dos benefícios do poder.
Aqui me valho das palavras de Luci Shaw, que são muito claras a esse respeito: ''Podemos falar interminavelmente sobre o poder para o bem em oposição ao poder para o mal. Mas há muito tempo já se sabe que, seja qual for a motivação, o poder pessoal pode corromper, e a luta pelo poder em si mesmo quase sempre cria conflitos que provocam a destruição ou aniquilação de outrem.''
O ser humano está chagado com esse terrível vírus da grandeza, existe uma ânsia pelo poder e o poder aqui no sentido mais lato da palavra. Sendo assim não quer um lugar trivial, comum, antes deseja veementemente por ser a ''persona visibles'', para que os outros contemplem seu valor. Quer seu nome erigido no mais alto Corifeu.
Todos nós sofremos desse mal que torna-nos obcecados pela audiência, e a mídia/sistema nos compele cada dia mais a uma busca exacerbada pelo pódio. Os livros de como ser vencedor e adquirir poder são os mais vendidos. A sociedade prega que o homem nasceu para vencer, para dominar, para ter poder. Vencer é o seu lema, a sua bandeira, o seu alvo maior. Vencer pela força, pela espada, pela diplomacia, pela guerra e pela paz. Vencer pelo silêncio e pela eloquência, pela inteligência e pela dialética.
Tudo que ele faz é pleiteando a vitória, pois assim angaria o poder e o reconhecimento alheio, visto que esse é o quociente que mede o valor do indivíduo perante a opinião pública.
Mas do que vale todo esse poder se não for focalizado para o bem? Como diz Luci Shaw: ''... a luta pelo poder em si mesmo quase sempre cria conflitos que provocam a destruição ou aniquilação de outrem''.
Até quando a política, a religião e até mesmo nós teremos essa postura? Até quando travaremos essa luta?
RAFAEL THOMAZINI é estudante de Psicologia na Metropolitana/Iesb em Londrina

Jesus do nascimento aos 33 anos (2)
André Eduardo Pullin Lazzarini

''A iniciativa e a consumação só a Deus pertencem. Ele organiza as bodas e sai pelos caminhos fazendo convites (Lc 15,3-7). Onde e quando vai se apagar o fogo da humanidade? Só Deus sabe a hora exata (Mc 13,32). Simão, você falou bem, mas não foi por instinto nem por sua natural sagacidade. Foi inspiração do Alto (Mt 16,16). Se cressem, veriam prodígios: saltando como um cabritinho esse morro iria até o mar; daquele pinheiro nasceriam as asas como as de uma águia, que o levariam voando para outros continentes, para firmar lá as suas raízes (Lc 17,6)''.
A juventude de Jesus fora simples e normal como qualquer jovem trabalhador, ajudante de seu pai na oficina e presente na vida de sua mãe, até sua vida adulta. Sua ''Santidade'', seu amor pelo Pai e seu saber para tecer seus ensinamentos não aconteceram numa só noite. ''Foi um longo caminhar através de vários anos, como em tudo que é humano. O jovem foi avançando de sol a sol, noite após noite, mar adentro, cada vez mais longe, na rota ascendente que leva ao alto manancial do Amor, o Pai'' (Ignácio LarraÀaga em ''O Pobre de Nazaré'' - ed. Loyola, 8 ed., p.36).
A maior prova da vida simples de Jesus é que o Novo Testamento relata a surpresa dos cidadãos de Nazaré quando Ele vai a essa cidade proclamando as Boas Novas do Senhor (''não é esse o filho do carpinteiro José?'' Lc 4,22). Se Ele tivesse ido para qualquer lugar que fosse, para estudar outras ciências, os cidadãos de Nazaré não iriam achar estranho o fato de Ele querer aparecer como um profeta, anos mais tarde.
Jesus, batizado por João, não o conhecera na sua juventude. Como poderia, já que suas mães eram aparentadas? Segundo Ignácio de LarraÀaga, João, que fora concebido na velhice de Isabel, deve ter ficado órfão com pouca idade e diz-se que seus parentes próximos devem tê-lo levado ao deserto quando ainda era novo. Tal ''deserto'' supõe-se ser o Mosteiro de Qumram, situado no deserto de Judá, habitado pelos essênios. Estes, por sua vez, eram desligados de Jerusalém e tinham seus próprios costumes religiosos, no intuito de conservarem e restaurarem a santidade do povo num âmbito mais reduzido, o de sua própria comunidade. O costume do isolamento em regiões desérticas desse povo, tinha como objetivo a descontaminação derivada do contato com outras pessoas, de outras crenças e do mundo exterior à sua comunidade. A sua renúncia às relações comerciais não é um ideal de pobreza, mas sim para evitar essa contaminação. (fonte: http://www.opusdei.org.br/art.php?p=16286) Praticavam o batismo, que João deve ter aprendido no Mosteiro.
Isso justifica o desconhecimento de Jesus por João. Este sim, pode ter vivido com os essênios, e assim pode ter passado algum conhecimento do modo de vida dos essênios para Jesus, após se reencontrarem.
ANDRÉ EDUARDO PULLIN LAZZARINI é católico e médico veterinário em Londrina

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