ESPAÇO ABERTO
Desejo, necessidade e vontade
Christian Steagall-Condé
No melhor estilo Se Maomé não vai a montanha..., Londrina viveu uma semana conectada com o que há de melhor em todo o Brasil, reunindo os melhores desenhadores do país, em mais uma edição do Design.exe. Isto graças aos esforços do departamento de Desenho Industrial da Universidade Norte do Paraná (Unopar), com apoio da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e dos patrocinadores, conseguindo reunir os monstros sagrados da criação, trazendo-nos suas incríveis maquetes, mock-ups, logomarcas, fontes tipográficas, embalagens, cerâmicas, junto com os pensadores (e solucionadores) dos problemas do cotidiano, quer sejam o telefone que você tem aí em cima de sua mesa, o celular do seu bolso, a bomba de gasolina do posto, o interior do avião que o levou a São Paulo ou mesmo o interruptor da luz de sua cozinha ou o chinelo de dedos do seu pé usado nos finais de semana.
Objetos aparentemente banais, mas todos, sem exceção, desenhados por espíritos criativos, inovadores e visionários, os quais, em nações mais desenvolvidas, constituem a reserva estratégica de suas constantes e invejáveis prosperidades, sejam econômicas, sociais ou políticas, banindo a pirataria em todos os níveis possíveis e valorizando as idéias, as reais movimentadoras do mundo, apesar de muitos ainda acharem que o que movimenta de fato a economia seja o dinheiro. Alguém com R$ 100 mil nas mãos é capaz de ficar paralisado qual um coelho assustado, mesmo sendo do ramo e acostumado no bulir do papel. Alguém com uma idéia na cabeça é capaz de fazer esse valor parecer uns trocados de pinga.
Num país de pesada herança burocrática, de forte inspiração ibérica, onde ainda improvisa-se no berço o que chamamos de jeitinho, os designers brasileiros mostram o real caminho do sucesso e das prosperidades duradouras, obtidos somente com o inevitável: estudo árduo, muita leitura, fracassos entendidos como valiosas ferramentas estratégicas e negação frontal e absoluta à cópia, valorizando o profissional que, por direito e por lei, para não dizer talento, está esperando ser contratado para redesenhar objetos tangíveis e intangívies, como o são as letras (fontes) de um jornal ou da sua revista, a capa de uma publicação, uma maçaneta, relógio, camiseta, ressuscitador cardíaco, logomarca, tesoura, móveis, fogões, copos, aviões e aquela vinheta bacana que você tanto gosta de elogiar quando liga a TV.
Até mesmo alguém como o físico Albert Einstein, conhecidamente desprovido de posses materiais, já tinha nos dado o rumo numa profunda e eternizante dica, em se tratando da aventura da espécie humana sobre a Terra, ao afirmar que a imaginação vale mais do que o conhecimento. Resta-nos, como criadores, a noção do juízo de valor conquistado a duras penas, entre um empresariado brasileiro sufocado de impostos até o limite da indignação, uma vez que os designers só têm utilidade se os contratantes entenderem o real valor de uma idéia no incremento de suas vendas ou melhoria dos ambientes humanos. Agradeço aos trabalhadores intelectuais do desenho através do melhor muito obrigado profissional que conheço: um cheque assinado.
CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ é arquiteto e designer em Londrina
Dia Nacional da Floresta Atlântica
Solano Martins Aquino
O Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), instituição conservacionista do Terceiro Setor, convoca os leitores a um minuto de reflexão para pensar sobre a importância deste bioma que apesar de sua história de devastação, a Floresta Atlântica que neste domingo é comemorado o seu dia nacional ainda possui remanescentes florestais de extrema beleza e importância que contribuem para que o Brasil seja considerado o país de maior diversidade biológica do planeta e reconhecido como o santuário ecológico mais pródigo da Terra.
A Floresta Atlântica estende-se praticamente por todo o litoral brasileiro, atingindo 13 Estados. Corresponde a um dos ecossistemas mais ameaçados no mundo. Embora represente apenas 7% da floresta original que outrora cobria cerca de 100 milhões de hectares praticamente contínuos, ainda é um vasto território, equivalente ao da França e Espanha juntos.
Deve-se ainda ser destacado que praticamente todas as formações vegetais da Floresta Atlântica foram afetadas pelo homem, inclusive em sua composição florística, e grande parte das matas remanescentes são formações secundárias. A existência de diversas espécies tipicamente Amazônicas na Floresta Atlântica, bem como algumas espécies idênticas da fauna, indicam claramente uma ligação entre as duas formações.
Também a existência de exemplares isolados de araucárias (Araucaria angustifolia) no interior das florestas ombrófilas densas, explicam-se pela ocorrência de oscilações climáticas que ocorreram no passado, fazendo com que as diferentes regiões fossem ocupadas ora por um tipo de floresta ora por outro.
A alternativa mais viável, que tem sido demonstrada na prática, é que para preservar a Mata Atlântica é necessário ampliar o reflorestamento. O IBF não tem medido esforços para a conscientização dos produtores rurais a aumentarem a área reflorestada, não só para que a floresta nativa ainda remanescente seja protegida, mas também porque pode ser uma fonte de renda a mais para a economia familiar.
Queremos ir além, pois acreditamos que a viabilidade econômica da pequena propriedade rural está embasada no sistema agro-silvi-pastoril, onde a floresta, mesmo ocupando áreas menos nobres da propriedade, assuma importância idêntica às culturas e criações, e que o adequado desenvolvimento econômico, social e ambiental do Brasil depende da busca de novas tecnologias, e fazer o melhor com responsabilidade socioambiental.
SOLANO MARTINS AQUINO é biólogo em Apucarana especialista em Gestão Florestal pela Universidade Federal do Paraná e diretor do Instituto Brasileiro de Florestas
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





