Distúrbios da aprendizagem

Bruna Nonino Duarte
  Dificuldades na leitura e/ou na escrita, com trocas de fonemas, inversões de fonemas e sílabas, junções de palavras, omissões de sílabas ou palavras têm variadas causas. Entretanto, os elementos constantes são sempre em relação a falhas de percepção visual e auditiva, além do conhecimento da língua.
  A habilidade ou inteligência visual vai desde a inabilidade do bebê normal de ver bem ao nascer, da criança média ler aos seis ou sete anos até a habilidade superior do adulto que lê extremamente bem, em velocidade acelerada, ou a de pintores e escultores.
  No tratamento da criança com falhas de percepção visual e/ou trocas de fonemas com semelhanças visuais (‘‘p x d’’), ou na memorização da forma visual da palavra (‘‘casa x caza’’), o treino deve voltar-se principalmente para a estimulação da percepção visual, como discriminação visual, posição no espaço, figura e fundo, coordenação viso-motora e memória visual, e a seguir o conhecimento da língua (semântico e gramatical).
  A aprendizagem depende basicamente da motivação. Muitas vezes o que se chama de dificuldade de aprendizagem é basicamente ‘‘dificuldade de ensino’’. É sabido que cada indivíduo aprende de uma forma diferente. Quando o que lhe é ensinado não o motiva suficientemente, ou chega a ele de forma diferente, então a compreensão ou o aprendizado não se completam.
  A massificação do ensino tem contribuído muito ao aparecimento e aumento dos ‘‘distúrbios de aprendizagem’’. Quando a aprendizagem não se desenvolve conforme o esperado para a criança, para os pais e para a escola, ocorre a ‘‘dificuldade de aprendizagem’’. E antes que a ‘‘bola de neve’’ se desenvolva, é necessário a identificação do problema, esforço, compreensão, colaboração e flexibilização de todas as partes envolvidas no processo: criança, pais, professores e orientadores.
  O que se vê normalmente é a criança desestimulada, achando-se ‘‘burra’’ e sofrendo. Os pais também sofrem e acabam pressionando a criança e a escola, que fazem a criança pular de escola em escola, que pressiona a criança e os pais, todos insatisfeitos.
  É necessário o reconhecimento do problema por um profissional adequado, com treino específico da dificuldade, a fim de que a criança supere suas dificuldades, com esforço, colaboração da família e da escola em conjunto, acompanhando as etapas de evolução da criança.
BRUNA NONINO DUARTE é pedagoga em Londrina


Não desprezar a riqueza

Walmor Macarini
  Os bens terrenos são administrados pelo homem, portanto lhes pertencem e devem ser usados em abundância, mas precisam ser partilhados com todos e com responsabilidade. Viver neste mundo não significa apegar-se às coisas mas utilizar-se delas sabiamente. Dessa forma, aspirar a riqueza e o máximo de bem-estar é uma virtude, ou seria desprezar uma oferenda divina. Quem desejar viver pobremente que o faça, se isto venha a trazer algum benefício próprio ou a alguém, do contrário será um contra-senso, sem validade alguma. Atente-se para a parábola dos talentos.
  Riqueza e pobreza são resultantes de estados mentais - de uma pessoa, de um grupo de pessoas ou de uma nação. Porque a natureza e o universo disponibilizam tudo. Se o homem desejar e criar na mente situações de riqueza, ele a atrai. Se a maldiz em si ou nos outros, a afasta. Todos os bens existem para o ser humano e os demais viventes, e para mais ninguém. Certas correntes apregoam que o dinheiro e a riqueza são coisas maléficas, mas isto é uma tolice. Basta que se utilize as coisas boas da vida de forma sábia. Riqueza e pobreza se devem a vontades próprias, que devem ser seguidas da ação correspondente, na busca do que se deseja. É comum encontrar ricos muito pobres, porque mesquinhos.
  A mente criadora universal opera em consonância com a mente humana. Ninguém prospera se não quiser e não se julgar merecedor. O universo não conhece marcas de produtos e nem lista de preços e nos dá o que esperamos ter. Situar-se mentalmente dentro de um padrão de riqueza, de saúde, de iluminação, de bem-estar - sem por um segundo pensar em contrário ou descrer - abrirá as comportas do universo, e essas coisas cairão do céu. Isto significando que se não as criamos no pensamento e no sentimento, só o esforço físico produzirá baixo resultado.
  O que mais existe é gente fazendo força, mas com o freio mental acionado. Assim, uma roda puxa para a frente e outra para trás. Melhor que um brutal esforço físico é uma serena e persistente projeção mental do que se deseja. As forças cósmicas - nas quais interagimos - fazem a exata leitura de nossas emanações mentais e dão resposta na mesma ressonância. O ensinamento bíblico de ‘‘peça e receberás’’ tem este significado. Pedir não é prostrar-se e clamar às divindades, mas co-criar na mente, e o universo fará a sua parte. Pensar, sentir e mover-se nessa direção, este o segredo.
  Há um risco nas imagens mentais inqualificadas que se cria, porque elas acabam se cristalizando. Infelizmente, as más criações da mente são hoje predominantes. Se a mente se focaliza no que se quer, isto se manifesta. Mas, da mesma forma as coisas são atraídas quando não se as deseja, pelo simples fato de serem focalizadas e mencionadas. Temer o que não se deseja, atrai essa coisa. A insistência na menção a pecados e demônios qualifica as energias contidas nessas imagens, e atraem tudo o que é pertinente.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


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