Sobre a morte do pastor

Phoenix Finardi
  Não há mais lugar seguro. Estamos, todos nós, expostos à violência. O assassinato do pastor da igreja Poço de Água Viva, na Vila Casoni, na noite de sexta-feira, mostra claramente que não há mais nenhum refúgio.
  A humanidade vem destruindo seus últimos e derradeiros valores - nada mais merece respeito, nem a vida, nem a fé. O ladrão invadiu a igreja no momento em que um grupo de pessoas orava pela paz na cidade. O pastor levou um tiro na cabeça. Agonizou 8 minutos diante da esposa, dos amigos, e morreu.
  A notícia diz que a comunidade ficou revoltada, mas para muitos de nós o sentimento nem é de revolta; é uma tristeza permeada de perplexidade, muito mais doída que a revolta. É o mesmo abismo em que a alma mergulha quando temos notícias de crianças violentadas dentro da própria casa, mulheres espancadas por maridos. Não há mais lugar seguro. Nem no seio da família, nem na igreja, que também se chama Casa de Deus.
  A morte do pastor precisa nos tirar dessa letargia. Precisa nos chocar a ponto de nos fazer reagir, e exigir uma resposta. Não porque ele fosse um pastor, porque toda vida humana tem valor, mas pela forma cruel e banal com que o crime foi cometido.
  Ao olhar para a nossa falsa segurança, em cacos pelo chão, percebe-se uma verdade: ela nunca esteve em mãos ou edificações humanas. E o óbvio emerge em meio ao caos que nós mesmos criamos: a nossa única segurança está em Deus. A única paz possível, nesta sociedade corrupta e agressiva, é a paz interior.
  E assim, embora devamos todos lutar para construir um mundo melhor, e cobrar das autoridades que elas façam aquilo que é o seu dever, e que não tem sido feito, não adianta esperar que só a justiça humana vá nos redimir. As igrejas têm que continuar abertas. É preciso continuar a combater o mal com o bem, acreditando que, no final, ele vence, inclusive a crueldade, a covardia e a morte.
  Quando se pensa naquelas pessoas que estavam na igreja, naquele instante, é possível compreender qual é o significado da expressão bíblica que diz que o crente ‘‘é mais que vencedor’’. Essa é a fé que vence o mundo.
PHOENIX FINARDI é editora do Caderno Cidades da FOLHA DE LONDRINA


Segurança da UEL, uma obrigação cívica

Eduardo Judas Barros
  Faz algum tempo desde que a atual administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL) anunciou um plano de segurança para o campus e uma grande celeuma se criou com base em notícias sem fundamento. Espalhou-se que ia-se cercar a UEL com um muro ao redor, transformando o campus em Bangu 4. Nada disso é verdade, conforme explica o chefe da Divisão de Segurança, Pedro Marcondes: ‘‘Se pensa apenas no cercamento do campus e controle de acesso de pessoas e veículos’’. O cercamento, conforme explica, não seria com um muro ao redor, mas mediante pilaretes de concreto armado para as laterais, fundos e alambrados para parte frontal. Esses pilaretes resguardam a visibilidade e a ventilação, assim os espaços entre os mesmos possibilitam a circulação de animais de pequeno porte existentes na região.
  O controle de acesso se daria por três locais: um no acesso pelo Hospital das Clínicas, outro pela Avenida Castelo Branco (principal entrada do campus) e o terceiro entre a Intuel e o Cesa, na região Oeste do campus, onde há maior registro de delitos contra o patrimônio porque é uma privilegiada rota de fuga. O cercamento da região Oeste não acarretará nenhum prejuízo para os moradores dos bairros dessa região que precisam adentrar à UEL, pois será deixada a entrada para pedestres e estas pessoas, desde que identificadas, poderão perfeitamente ter acesso ao campus.
  Outro ponto de debate é a presença da polícia, principalmente a Polícia Militar. Considerando que por imperativo legal os vigias do campus não podem trabalhar armados, é importante em casos de ocorrências mais graves que haja presença de polícia armada para afugentar a presença de vândalos e assaltantes.
  Em nome de uma democratite e ideologia retrógrada de fabricação caseira, combate-se este tipo de vigilância e segurança. Nunca me esqueço de um episódio de alguns anos atrás, em plena luz do dia, quando saía do meu escritório -Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos. Houve um assalto ao Banestado, nosso vizinho, e vi à minha frente um policial cair morto vítima de uma bala da arma do assaltante. Se nem a polícia consegue inibir os assaltantes, imagina hoje que os assaltantes estão mais armados? Implantar uma segurança capaz de resguardar o patrimônio da instituição e dar uma proteção à comunidade universitária é um dever cívico!
  É importante que a comunidade reaja e demonstre amor a esse patrimônio que é a nossa instituição, pela qual docentes, funcionários e estudantes deram a melhor parte de suas vidas para a sua construção. Universidades reconhecidas no país, como a USP, Unicamp, Universidade Federal do Rio de Janeiro e a própria Universidade de Brasília, implantaram medidas rigorosas de segurança para que os seus campi não sejam considerados territórios de ‘‘Zé Ninguém’’ e para que as suas comunidades se sintam cada vez mais seguras no seu trabalho e em suas visitas.
EDUARDO JUDAS BARROS é assessor de Relações Internacionais da Universidade Estadual de Londrina


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