ESPAÇO ABERTO
Planejar, prever e prevenir
Julieta Arsênio
Ao depararmos com dificuldades, sempre encontramos algumas sábias soluções através das habilidades que possuímos. Todavia, existem algumas dificuldades que nós, seres racionais, persistimos em mantê-las no tempo, ignorando-as sem solucioná-las. Essa atitude cômoda e omissa em mantê-las em nosso habitat, faz com que não tenhamos um meio social adequado para pessoas civilizadas esperançosas e sonhadoras.
Recentemente, trouxe para essa coluna questões sobre a calçada para todos referindo-me ao deficiente visual. Se as nossas calçadas já são deficitárias para nós que enxergamos, imaginemos como os deficientes físicos e visuais interagem com elas, principalmente quando os parceiros envolvidos no projeto criado em nosso município não se interessam ou se esquecem do seu compromisso proposto. Essas mesmas calçadas são ornadas por belas e frondosas árvores que, infelizmente, abrigam as pombas que as inundam e exalam fragrâncias indesejáveis. Outra dificuldade que as habilidades da racionalidade não consegue solucionar.
Essa mesma dificuldade de locomoção em calçadas ainda traz outro grande empecilho pouco observado. Trata-se das árvores, de porte pequeno ou médio, plantadas em nossos passeios públicos sem planejamento urbano, cujos galhos obstruem nossa trajetória, mas que nos tornamos hábeis em lidar com elas. Sabem como? Desviando do obstáculo. Para aqueles que as enxergam, tudo bem, mas volto a insistir e os deficientes visuais? Para esses, já não bastassem suas limitações, ainda enfrentam ferimentos em suas faces, quando não ferem os próprios olhos que os deixou de conduzi-los.
Onde se encontram nossos urbanistas que não prevêem situações que causam constrangimentos aos nossos semelhantes? Apesar de não poderem admirar as belezas de suas flores, lhes é de direito ir e vir como cidadãos que são. Como são bonitas as flores de ipê, das acácias que embelezam nossos passeios e vias públicas, porém observem as árvores que obstruem a visibilidade do nosso trânsito, que contribuem na imundice de nossas calçadas, observem que a beleza do hibisco que é uma afronta para aqueles que caminham pelas calçadas, e muito mais perigoso para os deficientes, que desconhecendo as belezas e as mazelas instaladas em nossas calçadas acabam se ferindo ao defrontá-las.
Convido-os, para começarmos tudo de novo. Vamos planejar uma Londrina nova. Uma cidade admirada por nós e por todos que aqui chegam. Vamos cuidar sim dos arvoredos, mas vamos cuidar delas para que sejam um quadro que embeleza nossa querida Londrina. Não plantem apenas por plantar, mas plantem para surtir o efeito desejado por todos nós. Esses cuidados fazem da nossa existência um fruto de esperança e de sonhos. Acredito piamente que nós que vivemos em Londrina e os que aqui chegam merecem essa boa acolhida, preenchendo em nós boas lembranças, porém não se esqueçam que planejar, prever e prevenir são características de racionalidade.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista e comportamento de trânsito em Londrina
Escola x violência
André Luis Goulart
Estamos convivendo com a inserção da violência na escola. Professores sendo agredidos, diretores sendo assaltados dentro da própria escola, desentendimento de professores com equipe pedagógica, enfim, uma explosão de gênios e atitudes. O que será que está acontecendo com a Educação? O fato é o descalabro e a falência das políticas públicas voltadas à Educação. Mau direcionamento dos recursos públicos destinados à Educação e outras barbáries que nem se preza constarem aqui.
Tenho acompanhado nas escolas fortalezas, com grades, muros enormes, ausência de bibliotecas, livros didáticos, laboratórios, etc., e quando temos algo já está obsoleto. E olha que tem escolas sobrevivendo com o mínimo de recursos.
A verdade é que os educandos não agüentam mais ir para um ambiente e estudar assuntos repetitivos e ficarem presos em uma sala de aula. A escola e o sistema de educação hoje adotado não acompanham a evolução tecnológica ofertada aos educandos.
Os estudantes comparecem à escola com aparelhos de última geração e sofisticação e logo esbarram com um longo período de ensino ultrapassado e com poucos recursos oferecidos. Os professores têm-se desdobrado em sala de aula, e muitas vezes utilizando o único recurso disponível: quadro-negro e giz. E olha que não lhes falta criatividade.
Temos que mobilizar educadores, políticas e família na transformação da escola e reformulação total da Educação. Vamos dar um basta a esta situação insustentável. Basta perguntar à maioria dos estudantes se estão contentes com a escola à qual freqüentam e se lhes são ofertados o que esperam.
A escola é de todos e para todos. Devemos abri-la para a comunidade, inclusive nos finais de semana, oferecendo ensino de qualidade, projetos, jogos, cursos profissionalizantes e elementos significativos que realmente farão diferença em sua vida escolar.
Vamos reverter este quadro do fantasma da violência e livrarmos deste triste cenário em que se encontra a Educação no Brasil. O Brasil tem que deixar de pensar na Educação só no presente, este é o mal. Tem que investir nela pensando no futuro, assim como fizeram países como Chile, Irlanda e outros. E diga-se de passagem, já estamos 120 anos em atraso com relação a estes países.
ANDRÉ LUIS GOULART é especialista em Educação e professor de Matemática da rede estadual de ensino em Londrina
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