Mulheres não choreis por mim

José Rafael Solano Durán
  ‘‘Chorai por vós mesmas e por vossos filhos.’’ Nesta expressão do evangelho de Lucas no capítulo 23, Jesus se encontra a caminho da crucificação. Caminho tortuoso, difícil que durante muito tempo ele mesmo percebeu devia percorrer.
  A vida sempre tem sido suficientemente dura para todos aqueles que arriscam vivê-la plenamente. Hoje quando muitos homens e mulheres em diversos cantos do mundo pedem para aprovar o aborto como solução ao problema da vinda de um novo ser. Problema que se tem constituído numa verdadeira agressão ao direito mais fundamental que todos nós temos: a vida.
  A vida humana sempre terá o seu valor sejam quais forem as suas condições concretas, pois ela tem valor em si mesma. Agora surge uma novidade no nosso país que deixa muitos, não somente confusos, como também horrorizados. Aprovar o aborto reconhecendo sua legalidade.
  Gostaria antes de mais nada dizer que a vida possui um carater inviolável. Isto é, além de todas as argumentações que pretendam acalmar ou amenizar a atitude daqueles que irresponsavelmente se sentem donos da vida dos outros, quando o único dono é Deus.
  Muitas mulheres assumem a responsabilidade deste ato, pois se dizem donas do seu corpo, atitude egoísta e primária, uma vez o óvulo fecundado, o embrião está na capacidade de se desenvolver e crescer. Esta capacidade é sua própria e não da mãe embora esteja vinculado a ela.
  Muitos outros afirmam que poderia se tratar de uma atitude humanitária, pois aquelas mulheres que foram estupradas ou violentamente agredidas não têm por que levar e viver este drama pela vida toda. Precisamente é aqui onde se comete um ato claramente desumano. Não se pode responder de forma violenta por ter sido violentada neste caso.
  Quantas mulheres que decidiram em consciência não abortar depois de uma violação, hoje acolhem seus filhos, partilham com eles e sabem que sem eles suas vidas não teria sentido?
  Vamos investir na vida! Vamos deixar de lado tantos argumentos fajutos e abrirmos o nosso coração pensando simplesmente naquilo que tantas vezes o gênio da música Beethoven deixou no seu testamento: ‘‘Se minha mãe não tivesse acreditado em todos nós sendo deficientes do jeito que éramos, eu não teria tido a oportunidade de criar minha música’’.
JOSÉ RAFAEL SOLANO DURÁN é doutor em Teologia, reitor do Seminário Paulo VI e sacerdote da Arquidiocese de Londrina


Um caminho para recuperar fiéis

André Eduardo Pullin Lazzarini
  Eu não entendo o porquê da preocupação que seguidores de outras religiões e seitas têm com os pensamentos e discursos do Santo Papa. Cada um que siga seu líder espiritual, embora seja desejo dos católicos que todos percebam o verdadeiro caminho cristão dentro do catolicismo. Aceitando que o Papa é o sucessor do apóstolo Pedro e que a Igreja, assim como o Paraíso Divino, é obra de Deus e não democracia e nem ditadura (invenção do homem), os católicos devem limitar-se a ouvir, debater e obedecer. Aos não-católicos, cabe a livre decisão de qual caminho seguir, já que o livre-arbítrio foi dado aos homens. Mas jamais dizer o que o Papa deve ou não fazer.
  O catolicismo não se cansa de, através do Papa, pedir ecumenicamente que a humanidade se oriente pela mensagem de Jesus: viva o amor ao próximo, proteja a vida a todo instante e, em qualquer situação, compreenda as pessoas, seja humilde, persiga incansavelmente o caminho da paz entre os povos. O Papa, sempre iluminado pelo Espírito Santo em suas falas, nunca profere palavras que não sejam de paz e compreensão. Infelizmente vemos o insano desejo de agredir o Papa - assim como foi feito com Jesus - o que é fato notório nas distorções de suas palavras e suas idéias pelas nas publicações mundo afora. Interpretações capciosas são dadas a todo o momento. Se alguém quiser ler na íntegra, sem contaminações, os dizeres do Papa, as suas homilias e seus discursos, sugiro que procure fontes confiáveis, sempre ligadas ao Vaticano ou a alguma instituição Católica.
  O homem, portador de liberdade plena, procura a todo instante justificar suas atitudes. É normal que, dentro desse modo de pensar, procure todos os caminhos que justifiquem seu modo de vida, suas ações da forma como bem lhe convier. Seguir os ensinamentos de Jesus, através da Igreja Católica deixada por Ele para nós, é algo difícil (humanamente falando), pois necessita que o homem escolha, por sua livre e espontânea decisão, um caminho de fé, de amor, de paz, de simplicidade, e de humildade ao se dobrar perante Deus, louvando-o e idolatrando-o. Esse caminho é difícil, pois o mundo é contaminado por impurezas que atentam contra o cristianismo (não só o catolicismo). E nem todas as pessoas estão dispostas a se sacrificar para ter uma vida Cristã reta e direita, e muito menos encarar um sacrifício infinitesimamente menor como Jesus se enfrentou. Ele acabou na cruz. Alguém estaria disposto a esse fim também?
  É mentira dizer que a Igreja Católica amedronta seus fiéis com idéias de demônios e de penosos castigos divinos. Deus não castiga. Deus é amor, Deus é perdão, Deus é pacificador: para viver Suas graças, basta que você se reconheça como pecador e seja humilde redimindo-se perante Ele. Amedrontador é dizer que tudo o que passamos nessa vida é um preço que pagamos por pecados cometidos em outras encarnações e que teremos que nos re-encarnar muitas vezes mais para podermos nos santificar. Deus que me livre desse sofrimento! Diria que o caminho para recuperar fiéis passa antes pelo caminho de um auto-exame pessoal. As pessoas perceberem seu modo de vida, suas atitudes e seus pensamentos: se eles seriam ou não a vontade de Cristo para nós. Quando se derem conta disso, enxergarão claramente a verdade nos ensinamentos de Cristo que são o caminho próprio da Igreja Católica.
ANDRÉ EDUARDO PULLIN LAZZARINI é católico e médico veterinário em Londrina

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