ESPAÇO ABERTO
Segurança pública: como chegamos ao caos
Sérgio Dalbem
Em sentido amplo, a expressão segurança pública comporta o entendimento de um estado de garantia e tranqüilidade à coletividade e ao indivíduo, quanto à sua pessoa, sua liberdade e ao seu patrimônio, afastados de perigos e danos, pela ação preventiva dos órgãos próprios a serviço da ordem política e social.
O tema é hoje um dos mais discutidos no Brasil por apresentar grande fragilidade diante da onda de violência que paira sobre a nação, tendo maior gravidade em determinados centros populacionais em relação a outros.
A segurança pública, infelizmente, ao longo da história brasileira jamais foi contemplada pelos pensadores políticos que estabeleceram as bases do Estado moderno. Da mesma maneira que os pensadores políticos, os intelectuais brasileiros não deram à questão da segurança pública, a atenção necessária. Submetidos por mais de vinte anos ao domínio do arbítrio, como toda a sociedade brasileira, cujo fulcro era a doutrina da segurança nacional, a segurança pública não fez parte de suas pesquisas e de suas reflexões.
Desse modo, a segurança pública que por determinado tempo foi direcionada contra as forças ideológicas contrárias ao governo da época, depois, em represália, foi abandonada, sem rumo, pelos novos governantes, que sem experiência na administração pública, não souberam reconhecer sua importância para a sociedade, contribuindo para a crescente onda de violência que sufoca todas as comunidades nos dias atuais.
A segurança pública no Brasil nunca foi levada a sério, vive de acontecimentos de grande comoção social, quando aparecem soluções mirabolantes, imediatistas, de curta duração e que quase sempre não levam a lugar nenhum.
A segurança pública no setor de repressão, ou seja, policiamento ostensivo e investigação criminal, (artigo 144 da Constituição Federal), está diretamente vinculada à administração do governador do Estado, cabendo a ele estruturar os órgãos policiais de acordo com as necessidades técnicas e táticas para atender a sociedade, não tendo o direito e a liberdade de atuar por achar que é.
SÉRGIO DALBEM é major da reserva da Polícia Militar do Paraná em Londrina
Um caminho para recuperar fiéis
Walmor Macarini
Uma das buscas da Igreja Católica, ressaltadas pelo evento da presença do papa no Brasil, é por novos fiéis e por recuperar os desgarrados que deixam a religião ou ingressam em outra. Cita-se como abrigadoras de muitos deles as igrejas protestantes, que surgiram depois do cisma com a Igreja Romana. As duas correntes são cristãs e oram pela mesma bíblia (embora a católica tenha nela dois livros a mais e a igreja dissidente passou a não venerar os santos e nem Maria). E ambas ignoram os muitos hierarcas pouco conhecidos das elevadas esferas. Há uma debandada também para outras seitas, no dizer do secretário de Estado do Vaticano, o cardeal italiano Tarcísio Bertone. O termo seita, citado não apenas por ele mas por todos os contrários às religiões novas, é incorreto. Porque tida como divergente do tradicionalismo estabelecido, e por isso considerada uma heresia. Mas heresia em relação com qual verdade? Naturalmente a verdade defendida pelas religiões dominantes do Ocidente. Assim, no entender da maioria dos fiéis dessas igrejas, são seitas as práticas budistas, muçulmanas, tibetanas, espíritas, gnósticas, messiânicas, rosa-cruzes, seichonoitas, mahikaris e todos os místicos. E interessante que todas as religiões citadas (algumas se denominam filosofia ou ciência) são também cristãs, às vezes mais que as igrejas bíblicas, porque têm em Jesus um grande mestre e por isso o exaltam e louvam seus ensinamentos.
As doutrinas denominadas esotéricas vão atraindo seguidores, e cada vez mais (algumas das citadas aproximam-se do esoterismo), porque explicam o que não é explicado pelas igrejas tradicionais (aí excluída a budista e a tibetana, muito semelhantes entre si) e não amedrontam os fiéis com idéias de demônios e de penosos castigos divinos. A denominação deriva de esoterismo, que eram os ensinamentos que alguns filósofos antigos davam apenas a alguns discípulos. Assim como Jesus, que só falava dos mistérios aos iniciados. A qualificação de iniciado se dá aos que alcançam o entendimento das artes sagradas. Jesus, ao aprofundar-se nos mistérios e só repassá-los aos eleitos para esse entendimento, nada mais exercia senão uma prática esotérica. Que não era revelada àqueles que não entenderiam. (Não entendereis ainda, ele disse).
Ouso dizer que se o papa derivasse um pouco para a revelação dos mistérios (os que Jesus conhecia, pela sua iluminação natural e pelo estudo e que hoje já não são segredo) recuperaria muitos dos fiéis perdidos, que anseiam por respostas que a Igreja não lhes tem dado, e angariaria seguidores novos, sobretudo dentre os jovens, estes menos alienados e mais inquiridores e abertos. E as igrejas protestantes, embora inflando-se dos que acorrem para ela, também acabarão perdendo adeptos, e só restarão as doutrinas esclarecedoras. São justamente os jovens que a nova cruzada da Igreja está visando, e a visita do papa é também missionária nesse sentido. A Igreja Romana preserva ainda hoje os ritos místicos da igreja cristã primitiva, que floresceu nos primeiros dois séculos d.C (e esses ritos são momentos mágicos de suas celebrações), mas foi abandonando a busca do real significado de muitos deles e não exaltou a origem e o poder divinos no homem. Que por isso enclausurou-se no obscurantismo, não expandiu o reino dentro dele e não reconheceu-se. Para arrebanhar fiéis, será só a Igreja Católica voltar às origens.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





