ESPAÇO ABERTO
O novo herói nacional
Luiz Carlos Ferraz Manini
A visita do papa Bento XVI ao Brasil nesta semana trouxe um novo ânimo à fé do povo brasileiro, o qual parece precisar mais de apoio divino do que nunca, já que as soluções imediatas, advindas da prática política, parecem sempre se debater no plano da ineficiência e da desonestidade.
No entanto, esta vinda ao país do sumo pontífice suscita outras questões, as quais não devem passar em branco e que ajudam a compreender diversos pontos que são fundamentais no caráter do brasileiro.
Em primeiro lugar, a visita do papa deve concretizar o processo de canonização de Frei Galvão, tornando-o o primeiro santo brasileiro. Gesto de grande peso, uma vez que este acontecimento vai criar um maior sentimento de identificação entre os devotos do beato. No entanto, este episódio nos alerta para algo mais grave: a necessidade, não satisfeita entre o povo, de possuir seus heróis.
Há sempre um clamor em torno das cerimônias do Oscar, do prêmio Nobel, ou mesmo do processo de canonização, no qual esperamos qual será o primeiro brasileiro a se tornar...?.
Precisamos destes tipos de heróis? Talvez não, uma vez que heróis já os temos vários, embora nossa memória coletiva seja pródiga em esquecê-los e lembrar apenas das datas comemorativas, já que estas se tornaram feriados. Mas nos esquecemos da essência destes festejos, como o do 21 de abril, quando foi executado o líder da primeira revolta que visava separar o Brasil de Portugal, ou o 7 de setembro, quando conseguimos nossa independência política.
Em que pesem as considerações infinitas sobre o real significado destes personagens, parece que sempre estamos a nos afastar deles, tendo a necessidade de construir novos heróis, novos mitos que guiem nossas existências. É este vazio de significado que parece assolar o brasileiro, sem memória, sem história.
Talvez este processo sobre Frei Galvão de fato gere um novo sentimento de pertencimento a nosso povo, que anda desiludido e sem rumos. No país no qual o exemplo que vem de cima nos mostra que a corrupção e desonestidade sempre se saem melhor do que o trabalho árduo e a justiça, talvez a reafirmação de nossa fé católica, através da canonização do ilustre personagem, sirva de lição, e que nos dê aquilo que ainda não devemos perder: a esperança de dias mais justos e melhores.
LUIZ CARLOS FERRAZ MANINI é professor de História em Londrina
Construindo a segurança alimentar
Onaur Ruano
As conferências realizadas em todos os Estados, concluíram no último mês o processo de debates e escolha de delegados para a III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que será realizada de 3 a 6 de julho em Fortaleza.
A conferência no Ceará será mais um marco importante na construção do Sistema Nacional e da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. A estimativa é que 70 mil pessoas tenham participado do processo, e a previsão é que na III CNSAN tenhamos 2 mil participantes.
Em 15 de setembro de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), que criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), com objetivo de assegurar o direito humano à alimentação adequada.
A aprovação da lei, em tempo recorde e por unanimidade nas comissões do Senado e Câmara, demonstrou a sensibilidade dos parlamentares para com o tema, além da produtiva parceria do governo com a sociedade civil, cuja maior expressão é o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
Tendo criado o Fome Zero já no início do primeiro mandato do presidente Lula, o governo federal instituiu, agora, um marco legal para as políticas de alimentação e nutrição no país.
O Sisan tem como objetivo executar e acompanhar os programas de segurança alimentar e nutricional, por meio de ações realizadas em parcerias de União, estados, municípios e sociedade civil. A definição das bases e do formato do sistema é um dos grandes desafios da III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.
As conferências mostraram grande maturidade nos diagnósticos e proposições de soluções, elegendo delegados representativos e qualificados, o que certamente vai permitir uma conferência nacional cujos resultados contribuirão para orientar a caminhada para um desenvolvimento sustentável com soberania e segurança alimentar e nutricional.
ONAUR RUANO é secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome
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