Além das nuvens o sol não deixa de brilhar

Marcos Antonio Tordoro

As cidades passam por dificuldades de várias ordens. As famílias estão sofrendo e perdendo. A realidade das grandes cidades é dura. Falta um pouco de quase tudo. Há pouca esperança nas mudanças que todos esperam. A maioria espera e, o que é ruim, somente espera. Poucos têm entusiasmo para enfrentar a problemática (social, política, criminal e educacional).

O sol não está brilhando para todos. Muitas nuvens estão sobre algumas classes sociais. Se o brilho do sol puder ser comparado a saneamento básico, à educação qualificada, à saúde pública eficaz e preventiva, à moradia digna ou a um simples banheiro e à água tratada, tem muito brasileiro à sombra. Os ventos não querem soprar para afastar as nuvens.

Existem recursos e falta determinação política para minimizar as agruras das classes sociais subjugadas à miséria das periferias. No Rio de Janeiro, por exemplo, o descaso social de décadas e a corrupção formaram uma crosta no entorno do problema, cuja solução demandará ações de choque em todas as áreas das políticas públicas elementares, notadamente, a educação.

Polícia é necessário no Rio, entretanto, não passa somente pelo incremento policial e militar a solução da crise. A polícia está se acostumando a lidar com os efeitos. As causas, responsabilidade de todos, não são confrontadas com políticas públicas eficazes e que transformem o ambiente onde elas são geradoras das atrocidades cotidianas.

O sol é generoso no Rio de Janeiro, mas quando se fala nos raios solares da dignidade humana e da cidadania, não estão sendo necessários os protetores solares convencionais. Mas o sol não deixa de brilhar. Sua luz pode mudar a realidade de muitas cidades do Brasil, de grande, médio ou pequeno porte, bastam ações e atitudes honestas, voltadas para o bem comum dos cidadãos.

A esperança está além das nuvens, está na construção de um alicerce social firmado na rocha. Todos podem contribuir para a mudança, seja com ações grandiosas ou pequenas, especialmente, se tiver amor.

MARCOS ANTONIO TORDORO é bacharel em Direito especialista em Direito e Processo Penal pela Universidade Estadual de Londrina e comandante da 1 Companhia da Polícia Militar de Cornélio Procópio




Quem mata velhinho não vai pro céu

Paulo César de Souza

O ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, ex-presidente da CUT e ex-ministro do Trabalho, disse que não atropelou os velhinhos que lhe pediram uma audiência (negada), pois sua agenda anda sobrecarregada da silva.

Mas se não esfolou, passou por cima e matou, foi, no mínimo, cruel, antipático e grosseiro com os velhinhos da Cobap, que só queriam protestar em frente ao Ministério com faixas, cartazes, apitos, contra os míseros 3,3% de aumento concedidos aos que ganham mais de um salário mínimo, que acumulam perdas de 60% e que estão sendo empurrados, desde 1994, para a zona da pobreza.

Coincidência que o ministro chegou ao Ministério no seu reluzente carro preto e quando viu os manifestantes refugiou-se no dito cujo. Foi cercado. Abriu o vidro, mas não suportou o apitaço e o vozerio dos protestos. Desacostumado a estas práticas reivindicatórias, desde que virou vidraça, esquecendo-se que fora presidente da CUT, determinou ao motorista que rompesse o cerco. Acabou por atropelar, causar arranhões, raiva, indignação naqueles que deveria proteger.

Faltou ao ministro postura, dignidade, respeito e a majestade do cargo. Comportou-se como um chulcro. Despiu-se da condição de ministro de Estado para ser ministro de ocasião, arrogante e desrespeitoso.

Mas o ministro, desde que desconfortavelmente, teve que ir para o MPS, vem atropelando, chutando a barraca, o pau e o que vê pela frente. Começou assinando um monte de portarias demitindo servidores do INSS. Tem raiva e ódio dos servidores. Não importa as razões. Para ele, não passam de pessoas peçonhentas. Herdou a carapuça do seu antecessor que enganou a Deus e ao Diabo na terra do sol...

Atropela com a terceira reforma da Previdência com propostas que nada vão mudar a receita e reduzir o déficit e que vai retirar direitos sociais e garantias constitucionais. Atropela as viúvas, quando quer cortar os benefícios adquiridos pelo qual o PT tanto brigou, quando o PT era de briga, de protesto e de resistência aos ''donos do poder''.

Atropela os trabalhadores acidentados quando encampa a redução do valor do auxílio doença e da aposentadoria por invalidez. Atropela os médicos peritos quando, por pressão de sua bancada sindical, quer relaxar a perícia médica e voltar as práticas fraudulentas da terceirização da perícia.

Atropela o controle sobre as concessões de benefícios rurais, igualmente por pressão da bancada sindical, mesmo que sejam facilidades geralmente geradoras de fraudes.

Atropela a moralidade pública quando permite acordo com a base política para abertura de postos do INSS (Prevcidade) em que as prefeituras entram com prédios e servidores, os políticos com a concessão e a fraude. Por último, um lembrete da minha avó: ministro, quem mata velhinho não vai pro céu.

PAULO CéSAR DE SOUZA é presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social

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