Educação ambiental no Brasil

Fábio Rogério Ortiz
  O papel da educação ambiental é contribuir para a formação de um cidadão consciente de suas responsabilidades, comprometido com a vida e com o bem-estar local. Dessa forma torna-se possível alcançar a melhoria na qualidade de vida de cada um e da própria sociedade, nos âmbitos local e mundial. Ela possibilita igualmente a aquisição de conhecimentos específicos e a percepção do sentido dos valores, das atitudes necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente, como também a qualidade de vida das pessoas. São premissas que devem ser perseguidas diariamente.
  A maior parte da população brasileira vive nas cidades e nelas atualmente tornaram-se freqüentes os noticiários sobre agressões ao meio ambiente. Muitas vezes ficamos angustiados por acharmos que não podemos fazer nada. Sentimo-nos impotentes diante de tanta agressão contra o ambiente. Por menor que seja a nossa contribuição, entretanto, ela poderá fazer diferença quando um número maior de pessoas estiver envolvido em torno desse objetivo.
  Contextualizando, cada pessoa da área urbana produz, em média, 800 gramas de lixo por dia. Quase um terço desse lixo por exemplo, é formado por papel de todo o tipo: embalagens, rascunhos, jornais, revistas e outros. O papel é obtido das árvores. Para a natureza, as árvores cumprem uma função mais nobre do que servir de matéria prima para a obtenção do papel. Embelezam as cidades e praças, servem de abrigo para animais e pessoas, protegem contra a erosão, produzem frutos, auxiliam na purificação do ar através da fotossíntese, absorvem as águas das chuvas, ajudam a manter a umidade do ar e muitas outras coisas.
  Segundo o Pronea (Programa Nacional de Educação Ambiental), a educação ambiental, na qualidade de um processo participativo através do qual o indivíduo e a coletividade constróem os valores sociais, adquirem conhecimentos, tomam atitudes, exercendo assim, competências e habilidades voltadas para a conquista e manutenção de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, contribui fortemente para ampliação dessa nova visão, assim como para a adoção dessas posturas dos indivíduos em relação ao todo.
  Nesse sentido, é importante buscarmos realizar atividades relacionadas à importância econômica, social e ambiental da reciclagem do lixo, desenvolvendo na comunidade um comportamento de cooperação e de solidariedade. A este se deve conjugar o desenvolvimento coerente de uma consciência ambiental voltada para hábitos e atitudes das pessoas na área urbana, sensibilizando toda a comunidade para participar na construção de um mundo socialmente mais ecológico.
FÁBIO ROGÉRIO ORTIZ é mestre em Agronomia e professor em Londrina


O problema das milícias armadas no campo

Rogério Nunes da Silva
  No último dia 16 de abril a Comissão Pastoral da Terra do Paraná divulgou o Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2006. Este relatório vem sendo publicado há 22 anos e tem servido de fonte para muitas pesquisas e trabalhos científicos, tendo obtido bastante repercussão na imprensa. No que se refere aos conflitos no campo no Paraná em 2006 foi motivo de preocupação o aumento constante no número de famílias violentadas, ameaçadas e intimidadas pelas milícias armadas escondidas sob a fachada de empresas de segurança no Paraná.
  Em 2006, foram 764 famílias, um aumento 23,22% se comparado com as 620 famílias em 2005, e de 48,92% na comparação com 2004. Vale a pena lembrar que em 2007, já podemos somar a esta triste estatística os casos da Fazenda 3 J, localizada no município de Tamarana, Norte do Estado, e das fazendas Videira e Gaspareto, localizadas na região noroeste, no município de Guairacá, e da fazenda Gaspareto em Lindoeste. Diante destes dados cabe perguntar quais as razões que nos explicam esta situação?
  Para alguns o enfrentamento da ação das milícias armadas no Paraná está associada ao aumento da ‘‘competência’’ dos órgãos públicos em efetivar e cumprir com rapidez e eficácia as ações de reintegração de posse. Vale a pena lembrar que estes são os mesmos que no passado não muito distante criaram o PCR - Primeiro Comando Rural -, em 2003, os que foram presos na operação Março Branco, acusados de formação de milícias no campo e tráfico de armas em 2005 e que recentemente criaram com toda a ‘‘pompa’’, como noticiou a imprensa, no Oeste do Paraná, para realizar despejos de sem-terra - o Movimento dos Produtores Rurais.
  Acredito que, diferentemente do exposto acima, o enfrentamento das ações das milícias armadas exige a rigorosa apuração e punição dos que historicamente se associam para violar os direitos dos trabalhadores rurais e para intimidar a luta pela reforma agrária. Cabe sim ao poder público, agir com rapidez e eficácia contra aqueles que se associam em grupos armados e acreditam que a resolução dos conflitos agrários passa pela truculência e pelo autoritarismo. Cabe também ao poder público enfrentar os alicerces que estruturam os conflitos no campo no Paraná e no Brasil: a concentração da propriedade da terra.
  Por fim, é urgente uma mudança no Poder Judiciário que tem se mostrado, quase sempre, um dos grandes aliados do latifúndio e do agronegócio. Ao mesmo tempo em que é lento para julgar os crimes contra os trabalhadores é extremamente ágil para atender as demandas dos proprietários expedindo liminares de reintegração de posse que, na maioria das vezes, acabam se tornando sentença definitiva.
ROGÉRIO NUNES DA SILVA é secretário Executivo da Comissão Pastoral da Terra do Paraná em Curitiba

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