Comportamento psicótico assusta e mata
Armando Rocha Júnior


Universitários do mundo inteiro ainda estão atônitos com o ocorrido na Universidade de Virgínia (EUA), onde um estudante sul-coreano, matou 32 pessoas, feriu outras tantas e depois se matou. Esse fato nos faz refletir o quanto estamos expostos às reações doentias alheias, toda vez que nos encontramos em ambientes públicos. Acredito estar viva na memória de todos a ação igualmente trágica do estudante de Medicina, Mateus da Costa Meira, que metralhou inúmeras pessoas que assistiam a um filme em um cinema de São Paulo. Coincidência ambos serem estudantes, jovens e atentarem contra uma coletividade? Coincidência ambos não residirem com suas famílias e sim isolados, próximos apenas de seus instintos ou das suas patologias? Coincidência ambos terem planejado suas ações? Coincidência ambos terem praticado atos impensados e imprevisíveis? Entendo que as coincidências realmente existem, mas não houve imprevisibilidade.
Como quase sempre ocorre com as doenças mentais, os sinais se fazem anunciar algum tempo antes do chamado ''surto psicótico'' acontecer. Muitas vezes, esse ocorre ainda na tenra idade e o surto acontece na juventude ou em outro momento qualquer da vida. Na maioria das vezes, a manifestação se dá para a família, que por ignorância do leigo ou a simples negação de uma realidade, nada percebem, embora os sinais não sejam tão sutis assim: isolamento, melancolia, falta de afetividade, depressão, cólera, entre outros que, sem sombra de dúvidas, associados ou não, indicam que algo inadequado está acontecendo.
Creio ter ficado claro que as psicopatias quase sempre se fazem reconhecer antes do surto e que é um fato até compreensível a família ignorar o comportamento estranho do seu filho. No entanto, a universidade precisa não só dar ouvidos aos comentários dos professores que convivem diretamente com os alunos, mas também não adiar medidas preventivas ou curativas. Em ambos os casos, do estudante sul-coreano e do estudante brasileiro, sinais ou pedidos de socorro foram alçados, o primeiro escrevendo redações de conteúdo demasiadamente agressivo e confuso para um aluno tão tímido a ponto de sua professora alertar a escola sobre seu comportamento. No caso do brasileiro, este chegou a fazer tratamento em hospital psiquiátrico, sendo acompanhado ambulatorialmente pelo pai, cerca de uma semana após a alta hospitalar.
O fato é que tais sinais não são suficientes para que medidas preventivas sejam tomadas por familiares, e a ida do indivíduo para a escola parece um momento de alívio para quem convive com o portador de uma psicopatologia. Dessa forma, as instituições de ensino recebem estudantes mentalmente comprometidos e precisam contar com seus professores para identificar o que a família não foi capaz de fazê-lo sem, contudo, se omitir da responsabilidade que lhe cabe de zelar pela segurança de sua coletividade, tomando as providências necessárias para garantir o bem-estar de todos, que, via de regra, passam pelo pontual afastamento do aluno comprometido.
ARMANDO ROCHA JÚNIOR é professor do curso de Psicologia da Universidade Guarulhos e psicólogo da Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo

Jacarezinho e a Universidade Tecnológica
Celso Antônio Rossi


Ao longo dos tempos todo lugar vai conquistando vitórias e amargando derrotas. Sempre foi assim e a balança entre umas e outras é que faz a diferença entre crescer ou não crescer. Jacarezinho não fugiu à regra geral. Teve grandes momentos, como muitas outras cidades. Quando foi elevada a município em 1900 e depois a Comarca em 1904. Quando se instalou energia elétrica por volta de 1930 e quando se implantou o sistema de água encanada, nos anos 40. E a época do ciclo de ouro do café.
Jacarezinho se rejubilou quando tornou-se sede de bispado e na década de 30 surgiram os grandes internatos e uma magnífica escola estadual. Depois foram as faculdades estaduais: Filosofia, Direito, Educação Física e, agregada a esta, o curso de Fisioterapia.
Mas teve também perdas sentidas, algumas vezes por incúria do dirigente da vez, outras por contingência da economia no país ou até mesmo em razão de sua posição geográfica. Outros lugares aproveitaram do descuido e da falta de liderança local e conseguiram nos tirar algo que então nos pertencia. Em parte por culpa nossa; em parte por mérito deles.
E tanto perdemos que perdemos também nosso amor próprio e o pessimismo passou a rondar o nosso dia-a-dia ao ponto de muita gente não mais acreditar na ''salvação'' econômica da cidade.
Mas aí veio a Universidade Estadual do Norte do Paraná, a UENP, e uma onda de otimismo, embora ainda tênue, voltou a circular por Jacarezinho em razão daquele grande momento, alcançado após árdua batalha.
Até que, agora, Jacarezinho vem de ser confirmada como uma das cidades premiadas com uma unidade da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o antigo CEFET.
A partir dessa notícia que começou a circular rapidamente, de boca em boca, pela imprensa, a população despertou, saiu às ruas e vive agora um de seus grandes momentos.
E poucas horas depois, Jacarezinho já não é a mesma: todos acreditam que os bons tempos voltaram, que o crescimento econômico, educacional e social estão vindo novamente para ficar e exultam. Uma unidade do CEFET muda a fisionomia do lugar em pouco tempo e por isso o otimismo agora impera novamente entre nós.
E não é para menos. Por isto Jacarezinho, não se constranja: chore, ria, grite, pule, aplauda, exalte, saia às ruas, solte fogos pois, afinal de contas, o CEFET é nosso!
CELSO ANTÔNIO ROSSI é advogado, professor universitário e historiador em Jacarezinho

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