Um ano de 'Suas Compras'

Eli Araujo

Há exatamente um ano, a FOLHA iniciava a publicação da coluna ''Suas Compras'' no Caderno de Economia. Como mais um projeto na linha de serviços adotada pelo jornal, o novo espaço surgiu com a proposta de uma linguagem diferente da tradicionalmente usada nas matérias de economia. Os assuntos, na maioria das vezes, estão relacionados ao comportamento do consumidor ou à adoação de novas tecnologias que facilitam a vida das pessoas.

Na receita de ''Suas Compras'', um ingrediente é indispensável: a presença de quem faz as compras efetivamente, dizendo por que gosta ou não de alguns produtos e falando também sobre seus hábitos de consumo. Sem a presença do consumidor, a coluna, com certeza, não seria a mesma. Às vezes, algumas pessoas perguntam como são escolhidos os personagens. E quanto a isso, não há nenhum segredo. A escolha parte da observação das pessoas que estão comprando aqueles produtos e queiram, obviamente, se manifestar sobre o assunto quando abordadas.

Embora os temas sejam definidos com a devida antecedência, nem sempre eles se desenvolvem da maneira esperada. Em um certo dia, por exemplo, a compra de um determinado produto era praticamente nula em um supermercado, mas em compensação, havia alguns casais com filhos pequenos nos carrinhos comprando fraldas descartáveis. E este, então, passou a ser o novo assunto.

Sempre que possível, é importante encontrar pessoas com pontos de vista ou experiências diferentes. Em uma recente reportagem sobre o boato de reprocessamento do leite longa vida, a maior dificuldade foi encontrar alguém que houvesse deixado de comprar o leite em função do boato. Demorou um pouco, mas a pessoa apareceu.

Considerando que cada matéria tem três personagens e que ''Suas Compras'' foi publicada mais de 200 vezes até agora, a estimativa é que pelo menos 600 pessoas já falaram de suas experiências na coluna. Para falar exclusivamente dos personagens haveria necessidade de um estudo à parte. Mas alguns chamaram a atenção neste período. Nas vésperas da Copa do Mundo do ano passado, a reportagem prevista era de pessoas comprando objetos com as cores verde e amarelo. E um rapaz estava pesquisando preços para comprar uma camiseta com o dinheiro que iria receber do seguro-desemprego. Em outro momento, uma jovem disse que reduziria a quantidade, mas não deixaria de comprar certo produto na entressafra, apesar do preço.

Na maioria das vezes, não basta apenas publicar um determinado assunto no jornal. É preciso uma análise mais fundamentada. E neste sentido, a participação de nutricionistas, profissionais de marketing ou da área de saúde, entre outros, é indispensável.

A maior lição que fica neste primeiro ano de ''Suas Compras'' é que, por mais que se melhore a qualidade dos produtos, por mais que os preços estejam mais em conta e por maior que seja a comodidade, o consumidor não abre mão do bom atendimento. E neste pormenor, todos são exigentes, independente da condição social, econômica ou cultural.

ELI ARAUJO é jornalista na FOLHA DE LONDRINA




A síndrome de 'Rambo'

Cláudio Marques da Silva

Após o sucesso da Exposição Agropecuária a notícia de que alguns vereadores de Londrina aprovaram requerimento para envio de tropas do Exército à cidade é um verdadeiro disparate. Londrina corre o risco de se tornar conhecida como uma cidade de insanos. Este é o efeito da síndrome de ''Rambo'' que acometeu o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que acredita que a simples presença das Forças Armadas fará com que a violência desapareça em um passe de mágica.

O Exército já esteve ocupando as ruas do Rio, e numa operação equivocada acabou matando a tiros um professor que não percebeu a barreira montada pela tropa. Os fuzileiros navais também já subiram os morros, porém a reação desta unidade de elite da Marinha era sempre desproporcional à agressão. Isto por um motivo muito simples: eles são treinados para missões de guerra que incluem invasão, sabotagem, ocupação e destruição do inimigo.

Alguns ''especialistas'' em segurança, acostumados com os filmes americanos, sequer imaginam a complexidade de uma ação policial. Pensam assim porque nunca se interessaram em se aproximar da Polícia e verificar pessoalmente todo o esforço que está sendo feito em prol da segurança pública.

É fácil criticar os professores, mas outra coisa é ir até estes heróis e verificar as suas dificuldades. É fácil criticar o governante, o delegado e o comandante, mas poucas são as pessoas capazes de ir até estes e perguntar o que podemos fazer juntos para mudar esta realidade?

É fácil dizer que os pais estão falhando na educação de seus filhos sem atentar para o fato de que, à exceção das esposas de alguns políticos, todas as demais, premidas pelas necessidades da vida, são obrigadas a trabalhar o dia inteiro e só retornam ao lar durante a noite.

Estes vereadores de Londrina estão assumindo que de fato são líderes inexpressivos e incompetentes e que só estão em busca de holofotes e tentando mascarar sua alienação. Sugiro que ao invés de chamar o Exército para patrulhar Londrina ''requisitem'' o FBI para investigar políticos incompetentes e corruptos.

De nada adiantará a presença do Exército em Londrina: primeiro porque não existe ainda a figura do ''ministro'' de Estado do Exército brasileiro, e segundo porque o Exército não conta com unidades especiais para combater ''burrice''.

CLÁUDIO MARQUES DA SILVA é delegado de Polícia e diretor jurídico do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

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