Forças armadas nas ruas
Sérgio Dalbem

Quando se pede que as Forças Armadas atue nas ruas ou a criação de guardas municipais, na verdade está se pedindo mais policiamento ostensivo. Isto feito por qualquer cidadão é plenamente aceitável, no entanto, sendo feito pelo governador do Estado é assustador.
O governador é o comandante em chefe das polícias militares que executam o policiamento ostensivo, cabendo a ele, a responsabilidade de contratar mais pessoas para o trabalho policial de acordo com a realidade de cada cidade de seu estado.
Como Sérgio Cabral, assumiu recentemente o governo do Rio de Janeiro, justifica-se a solicitação, pois pegou o bonde andando, nada mais coerente recorrer àqueles que já têm este efetivo disponível na atualidade.
Ao fazer tal solicitação deduzimos que após analisar cuidadosamente a situação, junto com seu estafe, secretário de Segurança Pública, comandante da Polícia Militar, delegado chefe da Polícia Civil, concluíram que uma das soluções é justamente aumentar o efetivo policial nas ruas.
Esta análise encontra respaldo em matéria jornalística da revista ''Época'', do dia 17 de junho de 2002, do jornalista Javoski, sobre a morte do repórter Tim Lopes, na favela do Alemão. A Polícia Civil do Rio tem 11 mil homens. A Polícia Militar conta com 30 mil. São números que, na teoria, tornariam possível a ocupação das favelas mais violentas. O problema é a manutenção do esquema especial. ''Se ocupamos o Alemão, enfraquecemos outros pontos da cidade'', explica o chefe da Polícia Civil do Rio, Zaqueu Teixeira.
Diante do exposto acima, concluímos que os governadores do Estado do Rio sabiam da necessidade de mais policiamento nas ruas, pelo menos, do mínimo necessário, para que se possa realizar um policiamento de acordo com a realidade local.
Finalizando, acredito que para o próximo ano, Sérgio Cabral, já deve estar programando a contratação de um número considerável de pessoas para trabalhar na Polícia Militar, e logicamente na Polícia Civil, prevendo inclusive o número de aposentadorias e uma porcentagem mínima de segurança de pessoas que possam sair das corporações pelos mais diversos motivos.
SÉRGIO DALBEM é major da reserva da Polícia Militar do Paraná em Londrina

Teatro Municipal de Londrina
Eduardo Suzuki

Aos derrotados só resta a crítica. Uma cidade que esperou mais de 60 anos por um teatro não deve ser iludida por imagens efêmeras. Espero que nossos renomados colegas julgadores não tenham sido influenciados, seduzidos e deslumbrados por um novo ''paradigma'' espacial, pelo visual, pelos cenários, pelos modismos em detrimento da funcionalidade. O que nos preocupa é o projeto ser uma associação direta aos nossos templos de consumo, os ''shoppings centers''. O caráter público me parece seletivo.
Onde está a preocupação com a acessibilidade; com as novas alternativas de representação teatral; com os colaboradores internos; com o fracionamento e clausura do setor de serviço; com os problemas operacionais de controle, circulação, carga e descarga de cenários e equipamentos; com a otimização das instalações e equipamentos; com os custos de manutenção dos imensos espelhos d'água, jardins com lajes impermeabilizadas, elevadores, circulações e escadas em excesso; com a interferência acústica das soluções espaciais e construtivas; com a visibilidade da platéia do grande teatro para algumas apresentações?
Em relação a alguns dos projetos que foram agraciados e premiados, colegas participantes não se preocupem com as normas técnicas de representação do projeto arquitetônico; com as escalas reduzidas e incompreensíveis; com o excesso de espaços horizontais e verticais sem função; com as circulações exageradas e o superdimensionamento; com as normas de acessibilidade; com a sustentabilidade e com a adequação topográfica. Vocês poderão ser premiados com uma idéia superficial e imagens inconsistentes. Um dos fatos indignantes: por que a comissão julgadora não foi composta por pelo menos um representante pé-vermelho? Com várias universidades e faculdades, temos ou não grandes nomes nas áreas de arquitetura, teatro, arte e cultura?
A sensação que fica é a de que não temos competência para decidir. Os outros decidem o que deveria ser bom para nós? Por sinal, o pessoal da capital. Ficamos à mercê de uma comissão julgadora que não tem nenhuma relação estreita com a comunidade local. Dentre 105 trabalhos entregues, com certeza, muitos outros foram solucionados de maneira mais dedicada, criteriosa e, talvez, com melhores propostas. Como londrinense e arquiteto, nossa equipe contribuiu com uma proposta, também com muitas falhas.
Agradecemos por ficar entre os 25 semifinalistas. Realizamos o anteprojeto com toda dedicação e responsabilidade para poder viabilizar e dotar a nossa querida Londrina com um dos melhores teatros nacionais. Com certeza, este concurso teve grande relevância e importância para a cidade. Com este ''espírito democrático'' proporcionado pelo concurso, deixamos registrados mais esta colaboração crítica construtiva, antes tarde do que nunca, para ser avaliada no desenvolvimento do projeto executivo. Nossos parabéns para o vencedor e sua equipe. Nossos parabéns a todos os arquitetos responsáveis que se dedicaram num esforço imensurável para a possibilidade de concretização deste grande sonho, e acreditaram que suas propostas seriam avaliadas com maior profundidade, como a Arquitetura deveria ser.
EDUARDO SUZUKI é arquiteto e professor na Universidade Estadual de Londrina

mockup