ESPAÇO ABERTO
Uma questão de administração
Maurício Donavan Rodrigues Paniza
Desde criança o ser humano está envolvido em situações que requerem a aplicação de princípios da administração. Você se recorda da primeira mesada que recebeu? Qual foi sua reação diante desse acontecimento? De repente, você ficou tão empolgado e saiu comprando todos os doces que viu pela frente ou, então, você guardou o dinheiro no famoso ''porquinho'' e pensou: melhor guardar agora para ter depois. É tudo uma questão de administração.
E o que se vê atualmente é a dificuldade da maioria das pessoas em administrar, seja sua vida, seu tempo e até mesmo seu dinheiro. Certamente, a maioria dos leitores respondeu ao questionamento inicial com a primeira resposta e é nela que se encontra o problema. Será que os pais estão ensinando seus filhos a administrar? Será que eles estão ensinando seus filhos sobre a necessidade de organizar suas vidas? É tudo uma questão de administração.
É visível também a falta de planejamento financeiro da maioria das famílias. Isso percebe-se pela imensa quantidade de empréstimos, compras parceladas e até mesmo pelos índices de inadimplência. É raro ouvir de um pai de família: ''Estou fazendo o planejamento das despesas e receitas da minha família''. E como as crianças geralmente se espelham na família, crescem sem entender a importância do planejamento financeiro. É tudo uma questão de administração.
E, então, chega-se à questão do tempo. É característica do brasileiro deixar para fazer as coisas na última hora e isso na maioria das vezes é negativo na vida de alguém. E mais uma vez depara-se com a questão da administração. Certamente, todas as pessoas já ouviram falar da importância de se viver cada segundo. Por que elas não passam a aplicar a idéia de ''administrar cada segundo''? Assim como o dinheiro, o tempo pode ser aproveitado da melhor forma possível. É tudo uma questão de administração.
Saber administrar é importante e antes que tudo, necessário. E aproveitando a oportunidade: você já perguntou ao seu filho como ele aplicou sua mesada essa semana? Fez um planejamento de como vai aproveitar seu tempo livre essa semana? Sabe quais as despesas e receitas da sua família esse mês? É tudo uma questão de administração e cabe a você resolver essa questão.
MAURÍCIO DONAVAN RODRIGUES PANIZA é estudante de Administração na Pontifícia Universidade Católica do Paraná em Londrina
Uma empresa de vencedores
Abraham Shapiro
Como ter uma equipe de campeões? Só há um modo. Treine muito, mas treine bem. Tom Peters diz: ''Suar em treinamentos para não sangrar na batalha''. Que batalha? A luta corporativa da execução eficiente da função, do bom atendimento, da venda ótima, da atenção imediata ao cliente sem deixá-lo esperando, de tudo o que é missão da empresa e resulta no retorno do cliente para viver a fabulosa e memorável experiência do consumo.
Sem treinamento, não há satisfação de clientes. Esqueça. Ninguém faz mágica em se tratando de desempenho de pessoas. Um atleta. Por mais fé e vontade que tenha, nada conseguirá sem treinar duro. Ainda que reze dia e noite, para ser um vencedor há tão-somente uma alternativa: treinar, dia após dia, sem parar.
Não é interessante que para um violinista interpretar uma partitura com a máxima perfeição possível ele precise investir 99% de seu tempo em treinamento? A proporção impressiona. Sua apresentação pública consome somente 1% do tempo total. As empresas fazem o contrário. Um por cento em treinamento e 99% em execução. Não é de admirar a dificuldade de alcançar resultado.
Pensou se o violinista resolvesse diminuir pela metade seu tempo de ensaio? E o que você diria se um atleta de maratona achasse que já treinou o bastante e interrompesse os treinos a um mês das Olimpíadas? Qualquer leigo sabe o que daria. Onde está o problema? São poucos os chefes que estão convencidos disso. Ao analisar o desempenho de suas equipes, desejam encontrar uma solução simples. O que é mais fácil alegar quando os resultados caem ou os serviços vão mal? ''Falta motivação''. Esse é o diagnóstico.
Poucos têm a disposição de encarar que os colaboradores não dominam suficientemente as operações ou que existem deficiências nos procedimentos, as regras são desprezadas e competências ausentes. A culpa é da falta de motivação.
Em meus anos como consultor, quase todos os diagnósticos de falta de motivação em equipes que foram apresentados por seus gerentes estavam errados. O problema estava na falta de capacitação do time em alguma etapa do processo. As pessoas tendem a encarar falhas de conhecimento como problemas pessoais, por isso, camuflam. Fácil é dizer que a tropa está desmotivada e gastar uma nota com alguém para fazê-la rir. Será a solução? E o que vem após o diagnóstico falho de ''falta de motivação''? Você vai rir. Vem a sugestão de que os salários precisam ser revistos. Outro erro!
Como acertar? Comece fazendo avaliações reais. Avalie o conhecimento do processo. Avalie o desempenho prático. Avalie o que está sendo usado e como usam. Compare o que ''está acontecendo'' com o que ''devia estar acontecendo''. Esta diferença é o alvo a ser atacado. Invista recursos nisso - e não em palestra de motivação ou aumentos salariais a esmo que acabarão virando novas insatisfações em pouquíssimo tempo.
Com a equipe de vendas, por exemplo, faça simulações periódicas e ininterruptas. Quais? Como iniciar relacionamentos de interesse do negócio, abordagens, prospecção de clientes, como identificar a personalidade do cliente para falar o que ele realmente ouve, benefícios de produtos, objeções, fechamentos, como portar-se num almoço de negócios, etc. A lista é sempre muito grande. Em resumo. Quer investir certo? Faça-o em três frentes: treinamento, prática e esforço. Assim não sendo, seus recursos estarão mal aplicados. Não reclame, depois.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor em Londrina





