ESPAÇO ABERTO
Plantio direto e aquecimento global
Antonio Carlos R. da Silva
Uma das consequências da ação produtiva é o aquecimento global. Atividades agropecuárias, industriais e agroindustriais jogam enormes quantidades de gás carbônico (CO2) na atmosfera e alteram a temperatura do globo terrestre, com consequências dramáticas para o próprio homem. O aquecimento global deixou de ser tema de ficção científica para se tornar uma questão atual e muito, muito concreta.
É também um excelente motivo para uma visita ao estande do Iapar na ExpoLondrina. Lá, existe uma espécie de minimuseu de ciência para contar um pouco da história e características do plantio direto, tecnologia em que o Paraná foi pioneiro, e que hoje é adotada em mais de 25 milhões de hectares das terras cultivadas no país, proporcionando diminuição na emissão de CO2; redução no custo de produção dos produtores; aumento da infiltração de água no solo; incremento na produtividade e na rentabilidade da atividade agrícola.
Segundo estudos do Iapar, em apenas um hectare sob plantio direto é possível sequestrar 1,24 tonelada de CO2 por ano. Esse gás carbônico torna-se matéria orgânica para o solo, dando-lhe mais fertilidade e reduzindo o uso de fertilizantes, agrotóxicos e máquinas (que também emitem CO2).
Parece coisa simples, o plantio direto: em vez de arar e gradear, semear diretamente, sem mexer o solo. Mas mudar paradigmas não é fácil. Nesse caso, exigiu a ousadia de produtores pioneiros que, no dilema entre abandonar suas terras degradadas ou mudar o sistema de produção, aceitaram o desafio de trilhar um caminho novo. Também exigiu investimento em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. Afinal, revirar a terra é prática que herdamos dos europeus, própria para climas frios. Aqui, precisamos fazer justamente o contrário, temos calor e chuvas em abundância e é desejável que o solo permaneça sempre coberto e protegido.
Em termos potenciais, o plantio direto pode significar a captação, ou geração de créditos compensatórios, de mais de 1 bilhão de dólares/ano, considerando-se a viabilização desse mercado. Isso, e muito mais, é mostrado no estande que o Iapar montou na ExpoLondrina, com fotos, depoimentos de pioneiros, equipamentos, simulador de erosão, maquetes e publicações. Vale a pena uma visita. É uma rara oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o arrojo de nossos produtores, a história de nossa agricultura e o avanço científico e tecnológico que a inventividade dos paranaenses produziu - e continua produzindo.
ANTONIO CARLOS RODRIGUES DA SILVA é engenheiro agrônomo em Londrina
Jesus dos 13 aos 30 anos (1)
Walmor Macarini
Depois de 2 mil anos, a Igreja Católica, pela palavra do Papa Ratzinger, admite uma relação entre Jesus e os essênios, que ficaram mais conhecidos nos tempos atuais graças ao achado dos manuscritos de Qunram, em grutas próximas do Mar Morto. Todos os indicativos são de que Jesus conviveu realmente com os essênios durante algum tempo, a partir de seus 19 anos. Eles eram uns 4 mil e habitavam mosteiros de Monte Carmelo e terras daquela região, e já existiam 160 anos antes de Jesus. Formavam uma confraria de iluminados, e Jesus foi atraído para eles por essa condição. (O nome essênio deriva de assaya, médico, terapeuta).
Não há uma citação sequer na Bíblia sobre a vida de Jesus dos 13 aos 30 anos. Apenas uma evasiva em Lucas, que diz: ''...E o menino crescia e se robustecia em espírito. E esteve no deserto até o dia em que havia de manifestar-se a Israel''. E mais adiante: ''E crescia em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens''.
Em abril de 1996, na Semana Santa, escrevi uma página inteira neste Jornal a respeito, com base em duas dezenas de publicações consultadas. Consta nesses relatos que foi com os essênios e outros mestres - do Egito, da Pérsia e da Índia - que Jesus viria a aprender, a ensinar e a consolidar o principal do que viria a praticar ao longo de seu ministério (que não ocorreu apenas durante os últimos três anos de sua vida).
Seiscentos anos antes de Jesus florescia na Índia o budismo do príncipe Sidharta Gautama (o Buda, palavra que quer dizer ''o desperto''). Os relatos dizem que Jesus foi estudar o budismo, e não por acaso os ensinamentos de Buda e de Jesus são semelhantes. E alguns rituais e orações dos monges tibetanos - com os quais Jesus também esteve, conforme registros existentes nos mosteiros do Tibet e do Nepal - são iguais aos da Igreja Cristã primitiva, que conhecia os mistérios e era mística até os dois séculos seguintes à morte de Jesus.
Os essênios - que já praticavam o cooperativismo agrícola - eram conhecidos como terapeutas e curavam pelos poderes do espírito e das ciências então desconhecidas do leigo. Jesus aprendeu terapêutica com eles. Os essênios eram esotéricos e dominavam o conhecimento das grandes verdades. Jesus já era esotérico e conhecia os mistérios, e ali aperfeiçoou-se, mas pouco adiantaria passá-los ao vulgo naqueles tempos, pois não entenderiam, como a maioria não entende ainda hoje.
Os milagres nada mais eram que um procedimento terapêutico acrescido de vigoroso poder espiritual. E, no caso dos praticados por Jesus, contavam com a fé dos doentes e portadores de deficiências, e era principalmente essa fé que os curava. Os essênios vestiam alvas túnicas, iguais à de Jesus, naturalmente sem a peça vermelha adicionada pelo deboche dos algozes no seu julgamento e martírio. (Voltaremos a falar nos próximos artigos sobre a vida de Jesus dos 13 aos 30 anos, porque o que aconteceu nesse período explica muitas coisas).
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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