Educação para a cidadania

Gerson Machado

Hoje em dia pergunta-se o porquê do grande aumento da criminalidade. Não será fazendo leis que não se coadunam com os anseios da sociedade que ela será estancada. Não existiria o jogo-de-bicho e o bingo se não houvesse quem efetuasse apostas. Não existiria a prostituição, inclusive a exploração infantil, se não houvesse pessoas sem preparo para a sexualidade e amor a alimentá-la, buscando programas ou frequência em casas do ramo.

Não existiria o tráfico de drogas, se não houvesse quem as adquirisse, inclusive muitos deles cidadãos honorários. Não existiriam furtos e roubos se não houvesse quem receptasse os produtos do crime. Não existiria o tráfico de órgãos humanos se não houvesse quem os receptasse para manter a estética e vaidade. Não existiria servidor público corrupto se não houvesse um Estado omisso em premiar o bom servidor (basta um salário digno) e em punir o mau, deixando-os expostos ao assédio do corruptor. Também se não houvesse o corruptor.

Da mesma forma não haveria político corrupto se não houvesse um povo alienado dos valores éticos e morais. Não existiriam o contrabando e pirataria se não houvesse quem receptasse as mercadorias do contrabandista bem como uma carga tributária amena em que todos fossem submetidos a ela sob pena de efetiva prisão (uma efetiva justiça mais ou menos como o caso Maluf em Nova York).

Só existe esta receptação porque o Estado, ao invés de combater a sonegação e o contrabando através do reaparelhamento policial/fiscal, aumenta a alíquota de imposto para quem o paga ou não tem como escapar, causando um círculo vicioso que só tem aumentado a carga tributária ante o aumento da sonegação, contrabando e pirataria causando uma cada vez maior desigualdade social. O pobre que compra uma lata de cerveja paga 50% de imposto e o fabricante, substituto tributário, não o repassa ao fisco e dele se apropria com falsas despesas (operação cevada).

Já corre na internet um e-mail tentando cooptar pessoas a não pagar impostos por três meses como forma de protesto pela alta carga tributária. Qual será o fim desta situação? Se querem acabar com este círculo vicioso de crimes, o Estado deve ''combater a causa e não o efeito'', educando o povo para o exercício da cidadania e para uma profissão como determina o artigo 205 da Constituição.

Só um povo consciente dos seus deveres e direitos, da sua importância no meio social e ambiente poderá ver que o individualismo, a omissão e a consequente criminalidade geram a guerra social da qual não existem vencedores, só perdedores. Só através da Educação para a cidadania, neste contexto inserido o amor e a solidariedade, é que a paz será alcançada. Quando a nação tiver a luz e passar a enxergar o óbvio, poderá finalmente (como aconteceu na Segunda Guerra com a Espanha após a ditadura de Franco) construir um pacto social através de leis que reflitam seu anseio e ética, não a balbúrdia hoje existente.

GERSON MACHADO é servidor público federal em Londrina





A hipocrisia na Educação

Richard Mitchell Santos

Realmente nesse país a educação é tratada de uma forma relapsa e desleixada. Nos últimos meses estamos presenciando a bagunça no ensino fundamental. Estamos vendo políticos que se intitulam educadores querendo mostrar serviço. E educadores doutores que sabem muito na teoria e muito pouco na prática.

Primeiro o governo federal diz para aumentar o ensino fundamental de oito para nove anos, mas não explica que esse um ano a mais é justamente para tirar uma defasagem da escola pública em relação às escolas particulares. Segundo: os governos estaduais para mostrar que estão trabalhando em prol da educação e dentro das novas medidas, implantam o novo sistema sem um mínimo de condições necessárias para servir a população e, pior, atrapalha quem já está inserido no sistema educacional.

Concordo com o conselheiro estadual de Educação, Arnaldo Vicente, quando diz que a educação deve ser igual para todos, porém, não podemos ser demagogos e nem utópicos em acreditar que todos somos iguais. Vivemos em um país democrático onde podemos escolher o que acreditamos ser melhor para nossos filhos. Nao podemos generalizar.

A antecipação do ensino fundamental é justamente para fazer com que as crianças menos favorecidas entrem na escola mais cedo e sejam inseridas no processo educacional um ano antes. Em nenhum momento fala-se em alfabetização no 1º ano do ciclo de nove anos. Qual a diferença de uma criança com 5 anos e meio e uma de seis completos que fizeram juntas, por exemplo, o pré (ou nível III) da educação infantil e seguir para o nível seguinte? E, ainda, vendo por este lado estamos favorecendo um modelo excludente.

Antes do governo implantar um novo sistema deveria olhar para a educação e estruturá-la primeiro, dar melhores condições de trabalho aos professores, melhores estruturas físicas e não impor algo que não tem condições de cumprir. Temos duas realidades bem distintas, uma pública e uma particular. A particular estruturada e a pública faltando muitas melhorias para funcionar adequadamente.

Agora, para desviar a atenção do problema maior, gera polêmica em uma questão e não olha a situação como um todo. Esquecem de crianças já inseridas no sistema educacional que teriam que ''repetir o ano''. Para isso o Conselho Estadual de Educação faz vistas grossas. As liminares começaram com pais preocupados com a educação de seus filhos e com o estímulo e um possível desinteresse dessas crianças que teriam que repetir um ciclo já visto.

O Conselho deveria estruturar os conteúdos a serem dados, estruturar as escolas e só depois implantar o sistema. Temos até 2010 para isso. Vamos agir como educadores não como políticos. Os tempos mudaram e a educação no geral, também. Hoje, crianças aprendem brincando, diferente de 35 anos atrás. Precisamos lembrar que quantidade não significa qualidade.

RICHARD MITCHELL SANTOS professor de Química da rede estadual de Educação em Londrina

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