ESPAÇO ABERTO
Você é único, mas não é o único
Angelo Luiz Orcelli
O ser humano nasce com as mesmas ferramentas para se comunicar e se fazer entender (resguardadas as excepcionalidades), mas ao longo da vida desenvolvemos formas diferenciadas de nos comunicar e aprender. Uns têm mais facilidade de aprender através das imagens esse grupo se comunica com o mundo de maneira visual, outros através da audição, este é o grupo dos auditivos. Outro grupo ainda possui maior facilidade de aprender fazendo ou sentindo, formando o grupo dos sinestésicos.
É comum nos depararmos com comentário do tipo: ''Eu falo milhões de vezes e ele não me entende! Eu me arrumei toda e ele nem notou! Nossa você não me ama, nem gosta de me abraçar de me tocar!'' É evidente que eles estão se comunicando por canais diferentes. Fui procurado por um casal em crise de relacionamento, ele sinestésico e ela visual. Ela à noite se produzia toda (cinta liga, roupa íntima toda insinuante). O marido chega e acha aquilo ridículo, queria tocá-la, sentir seu copo, pegar nela! Não interessava o que ela estava vestindo. Ela sentiu-se rejeitada, pensando que ele não gostava dela. Num clima como esse não acontecia nada. Tudo porque cada um se expressou de forma diferente.
Um professor de História me contou que um aluno o deixava intrigado: parecia até dormir durante as aulas e sempre tirava notas boas, e sabia toda a matéria. O professor não conseguia entender, pois o aluno nem olhava para ele. Só entendeu quando descobriu que o aluno em questão não tinha necessidade de olhar para ele para aprender e sim de ouvi-lo, pois o canal de comunicação predominante dele é auditivo. Um exemplo fácil de um canal de comunicação muito abaixo do desejado é do apresentador de televisão Faustão, ele não consegue ouvir ninguém, interrompe as pessoas quando estão falando. Com certeza, em um teste se perceberia que o canal de comunicação auditivo dele deve ser muito próximo de zero.
Percebam em suas vidas, como vocês estão se comunicando, o quanto conseguem ouvir o outro ou estão pensando no que deseja falar e nem prestam atenção no que o outro fala? Você fica tocando, segurando, abraçando o outro enquanto fala com ele e ele vai se esquivando? Você pensa que ele está fugindo de você? Acertou ele está fugindo mesmo, pois não gosta de ser tocado. Ou você é aquele tipo incapaz de dar um abraço, um toque fraterno, olhe para trás e responda: quando foi a última vez que deu um abraço carinhoso?
Nós possuímos os três canais de comunicação: visual, auditivo e sinestésico. O ideal é ter um equilíbrio para que não tenhamos líderes que não saibam ouvir, pais que não saibam dar carinho, afeto, deixem apenas de ser provedores, homens e mulheres que não enxerguem a beleza e necessidades de seu parceiro. A comunicação é uma arte. Para aprender essa arte é necessário entender de pessoas, aprender que diferentes devem ser tratados de forma diferente, e aceitos em suas diferenças.
ANGELO LUIZ ORCELLI é empresário em Cambé na área metal mecânica e assessoria comportamental e máster practitioner em PNL
O mundo sem rumo
Carlos Eduardo Bobroff da Rocha
Nas últimas semanas, o destaque na mídia foi para as vítimas por balas perdidas. Enquanto isso, o mundo aguarda o dia em que os atentados no Iraque cessem. Nestes dois acontecimentos, quem mais sofre são os civis brasileiros e iraquianos, respectivamente. No entanto, a situação de ambos pouco evoluiu em termos de segurança e de ordem. A que rumo esses dois exemplos conduzirão?
Ambos os países representam duas formas de guerra: uma é quando o Estado se torna incapaz para conter o poder de um estado paralelo (Brasil), e a outra se dá pela imposição de um Estado estrangeiro sobre o outro (Iraque). A clássica lei da selva continua a mesma para ambos, mas o que mudou foi a engenhosidade dela. O tráfico de drogas conseguiu se infiltrar em alguns setores da polícia e do Judiciário, e, na questão iraquiana, George Bush declarou guerra contra a vontade da ONU. Assim, a conjuntura caótica é explicada por esta versão atualizada da lei do mais forte. E, com isso, a população entra em pânico. Afinal, ela pode ser a próxima presa. E, se duvidar, o Estado apenas assitirá a isso.
Outro fato que deve ser realçado é a forma de reação do mundo. A maioria das pessoas é contra a prepotência ianque, bem como luta por justiça e por paz em passeatas nas principais capitais do Brasil. Entretanto, pouco efeito repercute nas autoridades a fim de que estas tomem medidas para solucionar a crise. Será que os protestos deveriam ser mais violentos? Isso, no entanto, poderia agravar a crise (os atentados que sunitas têm cometido contra xiitas no Iraque como protesto pela deposição e morte de Saddam Hussein é um bom exemplo).
Talvez, se a população de ambos os países se organizassem de forma pacífica (ao contrário de alguns grupos da sociedade protestarem e, com isso, apenas sua ideologia ficar impressa no protesto) e, ao mesmo tempo, com reivindicações concretas (já que a realidade em que vivenciam é diferente da dos seus governantes, e portanto, conhecem melhor ela) poderia ter-se a atenção dos representantes em negociar. E caso isso não ocorra, algumas medidas que não prejudiquem a sociedade poderiam ser utilizadas, como a greve de alguns setores, por exemplo. Isto não é fomentar revoltas em um contexto de anarquia, pois levando-se em conta a premissa de que os líderes de um Estado são eleitos por seus cidadãos para um período de tempo determinado, então se estabeleceu uma espécie de contrato. No fim, o propósito é chamar a atenção para uma situação que alguns julgam como totalmente controlada.
Balas perdidas e estilhaços de homens-bomba voam sem rumo, até atingirem alguém inocente. Uma postura mais firme do Estado, tanto em combater suas imperfeições quanto em ouvir os apelos civis, e uma mobilização dos povos, visando o conjunto pode ser a resposta para este caos que aflige a geopolítica.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina na Universidade Estadual de Londrina





