ESPAÇO ABERTO
Parem o bonde que nós vamos descer
Phoenix Finardi
Ultimamente, a frase mais ouvida aqui na Redação é : ''Aonde vamos parar?''. A cada nova matéria sobre violência e vandalismo nas escolas, meus colegas jornalistas - esses profissionais que dificilmente se surpreendem com alguma coisa - questionam, perplexos, por que, como e quando os alunos se transformaram em agressores. Gente que ataca professoras com barras de ferro, sequestra diretora, destrói a pedradas carros da polícia. Eu já nem quero mais saber onde vamos parar; tenho medo dessa resposta. O que eu me pergunto mesmo é se vamos conseguir parar.
Venho de uma família de professores: mãe, irmã, tia, tios, primos. Cada vez que edito ou leio uma dessas matérias, imagino um deles nessa situação. Desrespeitado, humilhado, agredido.
Quando eu era pequena, brincávamos de professora. Hoje, criança nenhuma quer ser professor quando crescer. O que aconteceu com os modelos da nossa geração? Outra pergunta que é melhor não responder.
Talvez seja hora de parar de fazer tantas perguntas e começar a agir. Não é preciso fazer os alunos indisciplinados ajoelharem em grãos de milho ou tampinhas de garrafa, como no tempo das nossas avós. Mas é preciso enfrentar a rebeldia, a indisciplina e a violência.
A sociedade precisa reagir. Os professores precisam mandar alunos para fora das salas de aula; os diretores precisam expulsar alunos das escolas. E chamar a polícia quando, em vez de estudantes, eles se tornarem delinquentes. A polícia precisa prender, e a Justiça precisa condenar.
Isso não impede que as escolas chamem os pais para conversar, programem palestras sobre a criação de filhos, implantem projetos extra-curriculares com atividades sócio-educativas. Só que tudo isso serve para prevenir, e a gente chegou num ponto em que é preciso, também, remediar.
Há milhares de anos, Platão já dizia que ''em meio à licenciosidade nasce e se desenvolve a tirania''. A impunidade é a mãe do caos. É preciso, portanto, que nossas crianças e jovens aprendam a lei mais básica do universo: toda ação gera uma reação.
Quando meu filho caçula era pequeno, um dia eu fui chamada à escola e comunicada que ele tinha mostrado a língua para a professora. Ninguém achou graça, e ele levou umas palmadas. Naquela época, cheguei a me perguntar se eu não estaria exagerando - parecia uma coisa tão pueril... Hoje, tenho certeza que foi a melhor coisa que eu fiz.
PHOENIX FINARDI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
Dia de pensarmos sobre nossa saúde
Alberto Toshio Oba
Estamos comemorando hoje e amanhã, respectivamente, o Dia Mundial de Atividade Física e o Dia Mundial da Saúde. É incontestável a relação entre os dois temas. Afinal, todos nós já sabemos os benefícios das atividades físicas para mantermos a boa saúde de nosso corpo e de nossa mente. Da mesma forma que sabemos que a falta de atividade física pode ser um fator importante na ocorrência da obesidade, lembrando que o problema está relacionado também a outros hábitos, como uma alimentação errada e problemas hormonais.
Penso que essas datas são importantes para refletirmos sobre nossa postura diante do mundo. A obesidade é um problema grave, mas que pode ser combatida com muita vontade e ajuda de profissionais preparados para isso.
Pessoas obesas têm maior tendência a apresentar pressão arterial elevada, diabetes e alterações dos lípides sanguíneos (colesterol, triglicérides, etc). Além de nos preocuparmos com peso muito acima do indicado, também é preciso ficarmos atento à ocorrência de gordura acumulada no abdômen - que associada a outros fatores, como altos níveis de triglicérides no sangue, altos níveis de colesterol no sangue, pressão alta, e altos níveis de glicemia em jejum (açúcar no sangue). Provoca o que chamamos de Síndrome Metabólica -, que pode acometer indivíduos que estejam um pouco acima do peso ideal. Essa gordura se acumula ao redor de órgãos vitais e pode causar sérias complicações.
Estudos mostram que o acúmulo de células gordurosas na região abdominal aumenta o risco de doença cardiovascular e morte prematura. Com o avanço das pesquisas, fica cada vez mais clara a importância da distribuição da gordura na hora de se avaliar a obesidade.
A obesidade abdominal pode simplesmente ser medida pela circunferência da cintura, mas podem ser ainda usados métodos de imagem como a tomografia computadorizada ou a Ressonância Magnética por Imagem.
A Síndrome Metabólica é constituída por, pelo menos, três dentre os seguintes fatores: circunferência da cintura maior que 94 cm nos homens e de 80 cm nas mulheres; triglicerídios maior que 150 mg/dl; níveis de HDL-colesterol (o chamado ''bom colesterol'') menor que 40 mg/dl nos homens ou de 50 mg/dl nas mulheres; pressão arterial maior que 130/80 mm Hg; glicose em jejum elevada maior que 100 mg/dl (5.6 mmol/L), ou diabetes tipo 2 previamente diagnosticado.
Portanto, é preciso ficar atento. Saúde a todos!
ALBERTO TOSHIO OBA é médico em Londrina





