ESPAÇO ABERTO
PIB pode crescer mais
Antonio Delfim Netto
O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro acima dos 4% este ano é mais do que uma simples aposta. Há sinais de recuperação da atividade produtiva e o que é importante, com maior equilíbrio na sua distribuição geográfica. O ânimo que ressurge na agroindústria, por exemplo, não está confinado ao setor sucroalcoaleiro, que vai muito bem e se expande até os limites da novíssima fronteira agrícola. Nas regiões de forte tradição de produção agropecuária no sul-sudeste onde, há uns poucos meses, se pensava que o ano estava perdido, o desânimo está sendo superado, com a renovação das encomendas à indústria de implementos para o plantio e colheita das lavouras e para o armazenamento e transporte da produção.
Construção civil é outra atividade que encontrou seu rumo neste governo. O setor continua em forte crescimento e está atraindo empresas de grande porte, o que vai exigir mais agilidade das que já estão nele, produzindo um aumento de competição, que tornará acessível a casa própria a um número cada vez maior de pessoas. O nível dos juros dos financiamentos caiu um pouco, fator poderoso de expansão da demanda na indústria da construção civil.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), maior aposta do segundo mandato de Lula, está começando a caminhar com alguns projetos antigos, mas agora com dotação orçamentária fixa, com a marcação que tem para sua continuidade e controles mais fortes da Casa Civil, o que vai certamente melhorar a qualidade dos investimentos na infra-estrutura. Os projetos na área de energia, que são fundamentais para o sucesso do PAC, estão sob atenção especial. Os leilões para as duas grandes hidrelétricas no rio Madeira, em Rondônia, devem sair logo. O projeto de Belo Monte, no rio Xingu, também vai ser retomado, depois de anos de enrolação.
De outra parte há uma revolução nos processos de produção de energia a partir da biomassa. Saímos na frente na produção do etanol e temos as condições de aumento da oferta de forma altamente competitiva. O etanol não vai substituir todo o petróleo, como algumas pessoas dizem, mas substituirá uma fração nada desprezível da gasolina, liberando o uso da matéria-prima para utilizações mais nobres, na petroquímica, por exemplo. E o biodiesel vai substituir um pedaço do consumo de diesel, o que significa que tudo isso somado vai produzir uma economia no uso do petróleo, o que é muito importante: como está havendo um aumento de oferta, devido ao avanço na exploração de petróleo em todo o mundo, deve-se esperar uma estabilização do preço nos próximos dois anos, se não houver uma ligeira baixa.
O etanol e o biodiesel são programas muito interessantes não só do ponto de vista econômico: de um lado, a produção do etanol é concentradora de renda e, em contraponto, o biodiesel tem um sistema de produção que é distribuidor de renda, inclusive pela participação importante da agricultura familiar. Existem, portanto, algumas condições para um crescimento mais robusto este ano. Os resultados logo vão aparecer (não tem nada a ver com a mudança da metodologia no cálculo do Produto pelo IBGE, que já deveria ter sido adotada há mais tempo), de sorte que não será surpresa um índice superior a 4% de expansão do PIB em 2007.
ANTONIO DELFIM NETTO é professor emérito da FEA/USP e ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento
Como melhorar o trânsito
Julieta Arsênio
Numa conferência sobre Como melhorar o mundo, Carl Gustav Jung o fundador da escola analítica de Psicologia e um dos maiores psiquiatras do mundo afirmou: Os mais sérios problemas do mundo nunca serão solucionados por meio de legislação ou por artifícios. Só podem ser resolvidos por uma mudança de atitudes. E esta mudança de atitudes não se inicia com propagandas ou reuniões de massa, e menos ainda com violência. Ela só pode começar com a transformação interior dos indivíduos. Ela produzirá efeitos mediante a mudança das inclinações e antipatias pessoais, da concepção de vida e dos valores, e somente a soma dessas metamorfoses individuais poderá trazer uma solução coletiva.
Entre minhas áreas de atuação está a questão do trânsito, fundamentalmente na compreensão do comportamento dos seus usuários. No entanto, nada mudou, são as mesmas alternativas de resolução de conflitos, nas quais uma das partes decide em detrimento da outra, em como resolver os problemas de trânsito em nossa cidade.
Durante esses anos, dirigentes municipais fazem licitações para implantar lombadas eletrônicas, radares, semáforos inteligentes, rotatórias ou para manter, em alguns locais, a ondulação transversal (lombada), mesmo tendo sido abolida por resolução.
Sem entrar muito no mérito, ressaltamos que nada trouxeram de benefícios, a não ser a própria punição e não a educação.
Como o próprio Jung assinala em seu discurso, será preciso que cada um de nós assuma a nossa falta de educação e a nossa não predisposição para se conduzir adequadamente em nosso meio.
Se, por um lado, as autoridades municipais acreditam que radares mudam comportamento, por outro, é preciso que questionemos os usuários de trânsito, se realmente querem mudar sua conduta. Caso contrário, seja qual for a alternativa de resolução desse conflito será inócua, pois deixa de existir o almejado acordo consensual entre pessoas civilizadas e, conseqüentemente, a não transformação interior de todos.
Infelizmente, a mudança de atitudes a que se propõe com os radares , jamais se dará com meros discursos políticos, reuniões de segurança, licitações e muito menos com as ocorrências sinistras.
Pensem nisso e abracemos a causa juntos, pois só a soma das metamorfoses individuais, poderá trazer uma solução coletiva em nossas vias públicas.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em comportamento de trânsito em Londrina





