Semana Santa e Feliz Páscoa

Dom Orlando Brandes
  A Semana Santa começa com o domingo de ramos. Jesus é aclamado rei. Jerusalém abre suas portas ao Senhor, nós vamos abrir as portas do coração. Jesus é rei-servidor, desce até aos pés dos homens para lavá-los, desce até o poço da dor e da pequenez. Reinar para Jesus é abaixar-se, descer, servir, doar-se, ser-para-o-outro.
  Quinta-feira Santa é o dia das provas do amor de Deus. É o dia da instituição do novo mandamento: ‘‘Amai-vos como eu vos amei.’’ É o dia do lava-pés, da Eucaristia e do sacerdócio. São as grandes provas de que somos amados por Deus, que continua dizendo para você e para mim: ‘‘Tu és o meu filho muito amado, em ti, coloco toda a minha afeição’’. É preciso crer no amor de Deus e deixar-se amar.
  Sexta-feira Santa é o dia da prisão, traição, negação, condenação, flagelação, crucificação e execução de Jesus. É o amor traído. A verdade no banco dos réus. O bem e a inocência, condenados. É a hora das trevas, porque na paixão de Jesus percebemos até onde vai o pecado e a resposta misericordiosa de Deus. No coração transpassado de Jesus, percebemos a fonte inesgotável do amor, a interioridade ferida, o mar vermelho da purificação, a represa de águas vivas que se difunde sobre a terra. Na cruz de Jesus, percebemos como Deus ama. Seu coração aberto é abrigo do pecador, sua cabeça inclinada quer nos beijar, seus braços estão abertos para nos acolher, seus pés pregados para nos esperar com paciência e compaixão. Deus nos amou até o extremo. Nossa resposta é: amemo-nos uns aos outros. Coloquemo-nos aos pés dos crucificados da sociedade de hoje.
  Sábado Santo é o dia do silêncio, da meditação e do deserto. É preciso parar, meditar, tomar decisão. Quem se encontra com Cristo, muda de vida, rompe com as ilusões, redimensiona a vida, opta por novos valores. Neste início de milênio, falsos profetas, falsas místicas revestidas de luz, manipulam as pessoas e as massas, transformam a religião em comércio. O coração humano ferido pela insegurança, medo, depressão, falta de sentido, entrega-se facilmente a lobos revestidos de pele de ovelha, a pregoeiros de falsidades revestidos de anjos de luz. Sábado Santo é ocasião para discernir e decidir. Não deixar-se enganar. Deus colocou no coração humano o desejo de conhecer a verdade e de conhecê-Lo, para que conhecendo-O e amando-O possa chegar à verdade plena sobre si mesmo.
  Que o Domingo de Páscoa venha encher-nos de esperança, recupere o sentido de vida, nos traga razões para lutar e resposta sobre o que existirá depois desta vida. Com a ressurreição de Jesus é superada a filosofia da reencarnação e do vazio após a morte. A vida continua, não é tirada, mas transformada. Feliz e Santa Páscoa. Viva a vida!
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


Excelência do trabalho na Educação

Dalva Costa Pinheiro e Nisia Negrão Garcia
  É indiscutível a importância do trabalho sério e responsável das escolas na abordagem de vários temas, entre eles a valorização da contribuição da raça negra na formação do povo brasileiro, mas as declarações publicadas em reportagem publicada pela FOLHA questionando livro didático de História adotado, merecem esclarecimentos.
  As Diretrizes Curriculares da Rede Pública de Educação Básica do Estado do Paraná, documento oficial norteador para a elaboração do trabalho pedagógico escolar, objeto de extensos estudos nos últimos anos, foi profundamente estudado em todas as etapas de sua reformulação pela equipe pedagógica da escola. Norteia o trabalho do professor em todas as disciplinas com fundamentos teórico-metodológicos, conteúdos estruturantes e encaminhamentos metodológicos, base para a adequação do Projeto Político Pedagógico da Escola, embasamento para a escolha do livro didático. É um trabalho sério que permite ao professor fazer livre escolha diante de um amplo material, previamente analisado por equipes de profissionais especializados do MEC.
  Os livros não são impostos, são escolhidos independentemente da editora, com muito critério e responsabilidade. A problematização e a contextualização dos temas são realizadas a partir das orientações metodológicas que, em nenhum momento, o ativista aceitou tomar conhecimento. A metodologia de trabalho é condição indispensável para o julgamento do trabalho proposto. A alegação do número de imagens ou palavras que ele considera pejorativas não possuem intenção de instigar qualquer tipo de preconceito. Pelo contrário, as reproduções de telas de Portinari, Debret, Rugendas, entre outros, retratam as situações reais vividas na época. A abordagem dos temas relativos ao povo de origem africana valoriza-os, sendo um capítulo todo voltado aos principais traços da cultura afrobrasileira, das influências africanas na cultura do povo brasileiro.
  Lamentamos somente tomar conhecimento da insatisfação do livro adotado através de reclamatória pública, de um tema que ainda não havia sido abordado com os alunos, o que poderia justificar alguma inadequação metodológica. A nossa escola sempre esteve aberta à discussão, nesta ou em qualquer outra questão que envolva o ato educativo, sintonizando-se com as mudanças mais amplas, hoje em curso, com o objetivo de ofertar um ensino eficiente, com a excelência que os alunos da escola pública, e em especial os alunos da Escola Estadual Carlos Dietz requerem e merecem. A excelência do trabalho na Educação está além do livro didático.
DALVA COSTA PINHEIRO e NISIA NEGRÃO GARCIA são, respectivamente, diretora e pedagoga do Escola Estadual Carlos Dietz


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