Dengue: um grande desafio

Josemari Sawczuk de Arruda Campos
  Sorrateiramente, em meados da década de 80, chegou a Londrina aquele mosquito, que hoje é uma das grandes preocupações na área de saúde: o já famoso Aedes aegypti. Aos poucos, devido ao clima favorável, ao desconhecimento do assunto e, em conseqüência, ao descuido da população, foi proliferando até infestar toda a cidade. Provavelmente, os primeiros casos de dengue passaram desapercebidos, tendo sido diagnosticados genericamente como virose. É mesmo uma virose, porém tem nome específico, quadro clínico que pode ter evolução surpreendente em gravidade e rapidez, e que mesmo com adequada assistência pode matar! Mas nós, médicos, não conhecíamos esta doença. Não a havíamos estudado, pois achávamos que era problema da Ásia, muito distante de nós! Só vim a ler sobre o assunto em meados da década de 90 e isso devido à carreira de sanitarista que segui.
  Em 2001, ao assumir a administração municipal, o prefeito Nedson Micheleti assumiu, também, a responsabilidade do controle da doença, pois a extinção do escritório regional da Funasa havia ocorrido três meses antes. Naquela época a equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde percebeu que o problema da dengue poderia ser muito maior do que era divulgado. Então, intensificou as ações para diagnóstico, conhecimento dos casos, organização do trabalho de campo e informações à população. E assim o tema ‘‘Dengue’’ apareceu na mídia com maior assiduidade. Mas, infelizmente, após seis anos de ampla divulgação do assunto e, inclusive, da epidemia havida em 2003, na qual ocorreram mortes por dengue, ainda não houve impacto significativo de mudança de hábitos das pessoas, com engajamento efetivo nas ações de prevenção. A pesquisa divulgada recentemente neste Jornal apontou que um percentual significativo da população minimiza o problema e não se mobiliza para contribuir para evitar a proliferação do inseto.
  Cabe ao poder público a responsabilidade de orientar e organizar as atividades para controle, bem como dispor de número adequado de profissionais, insumos, equipamentos e estratégias de divulgação das informações. Mas há, sim, necessidade de participação ativa da comunidade, pois a multiplicação da população do mosquito se faz de forma muito rápida. É ilógico pensar que os agentes de combate ao transmissor possam visitar todas as semanas os mais de 180 mil imóveis do município para eliminar os criadouros! A situação nacional de incidência de dengue está se agravando e, em Londrina, apesar de todas as estratégias realizadas desde o início do verão, no momento há forte risco de evolução para nova epidemia. E cada vez mais podemos nos deparar com as formas mais graves desta doença. Todos, portanto, estamos sujeitos ao risco de adoecer e morrer! Ainda há como evitar que a situação piore. Basta que todos ajudemos a cuidar dos ambientes em que vivemos: nossas residências, nossos locais de trabalho, estudo e lazer, evitando deixar água parada em vasos e demais objetos, protegendo a água armazenada nos recipientes. E outro alerta que se faz necessário é que o problema da dengue veio para perdurar entre nós devido às alterações ambientais e climáticas. Portanto, o cuidado, doravante, deverá ser permanente.
JOSEMARI SAWCZUK DE ARRUDA CAMPOS é médica pediatra e sanitarista e secretária de Saúde de Londrina


Raiva e construção, uma combinação real

Júlio César Pereira
  Quantas vezes, por não conseguirmos controlar nossa raiva, falamos coisas das quais nos arrependemos depois? Quantos amigos e pessoas queridas já ferimos? Quantos relacionamentos foram estremecidos, senão quebrados, em função da nossa inabilidade em lidar com uma emoção tão poderosa como a raiva? Talvez você esteja se perguntando: poderosa como? Sim, a raiva é uma emoção muito poderosa, pois suscita em nós uma grande quantidade de energia. A grande diferença está em para onde você direciona essa energia: para destruir ou para construir?
  Grande parte das pessoas costuma dirigir a raiva de maneira destrutiva, destruindo relacionamentos, objetos (quem nunca quebrou alguma coisa num momento de raiva?) e até mesmo a si mesmo. A raiva quando mal direcionada fica armazenada dentro de cada um de nós como uma bomba relógio prestes a explodir diante de qualquer situação, por menor que seja. E essa bomba crescendo dentro de nós traz prejuízos muitas vezes irreparáveis para nossa saúde - física e mental.
  A boa notícia é que a raiva pode ser uma emoção bastante construtiva. Se você acha que raiva e construção são duas palavras que não se misturam, como água e óleo, e estiver duvidoso em relação a como isso é possível, é sinal que está na hora de começar a mudar a maneira como tem lidado com essa emoção - antes que ela tome conseqüências irreversíveis. A raiva é uma emoção que nos motiva à ação, que nos move. E quem determina o caminho a seguir é você, não a emoção. Você tem o controle total das suas ações, basta saber como utilizar as emoções ao seu favor. Nesse caso, a raiva pode motivá-lo a conquistar algo que você deseja muito, mas que tem se mostrado muito difícil, com muitos obstáculos em seu caminho. A raiva pode ser a emoção que vai te mover e não te fazer desistir no meio do caminho.
  Use toda essa energia para pensar em novas alternativas e empenhar-se nelas. Use essa energia para pensar uma nova forma de realizar um trabalho - caso a forma que você sempre utiliza não estiver dando os resultados que você deseja. Não adianta ficar com raiva do seu chefe, ou do seu companheiro, caso você tenha gastado horas fazendo algo que eles ‘‘deveriam’’ gostar mas que na verdade não os agradou. Não adianta ficar frustrado e alimentar a raiva dentro de você, pois isso não irá fazê-los mudar de opinião. Alimente a criatividade, coloque a raiva para trabalhar a seu favor no sentido de achar outros caminhos rumo ao que você deseja. Para qual caminho você tem deixado a raiva te levar?
JÚLIO CÉSAR PEREIRA é head-trainner em Programação Neurolingüística e do Treinamento em Desenvolvimento e Liderança em Santos

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