‘PIB: Produto Ilusório Bruto’

Aylton Paulus Júnior
  É assim que o economista Peter Kennedy da Universidade de Frazer, do Canadá, se refere ao Produto Interno Bruto (PIB) para sugerir as dificuldades da apuração de seu real tamanho. A proposta de avaliação desta medida econômica é antiga. Foi na crise econômica de 1929, conhecida como grande depressão, que surgiu a inspiração para Keynes apresentar sua modelagem que incluiu a avaliação do PIB e dos grandes agregados econômicos do consumo, dos gastos do governo, do investimento e das exportações líquidas. Estas medidas que resumem o PIB, dimensionam o tamanho da economia pelo lado da demanda agregada.
  O PIB é definido como o valor de todos os bens e serviços finais criados na economia, por um determinado período de tempo. É o somatório das quantidades produzidas vezes os respectivos preços. É, portanto, um valor monetário. Apesar da simplicidade do conceito, a sua mensuração não é tão óbvia porque alguns bens e serviços não possuem preços no mercado, como os serviços prestados pelos bombeiros, pela polícia, a economia informal dos camelôs, as atividades ilegais e, entre outras, os trabalhos domésticos. O resultado não é uma medida perfeita.
  O problema fica menor quando o valor encontrado para o PIB de um ano é comparado com o PIB do ano anterior, de um mesmo país. Desta forma, a falha de mensuração do ano presente que é a mesma do ano anterior, fica anulada no cotejo e o percentual explicitado, resulta em razoável parâmetro para a avaliação do crescimento ou da recessão econômica.
  No Brasil o PIB é medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que está propondo aperfeiçoamentos para as estimativas. A nova metodologia para o cálculo do PIB amplia o número de informações a serem consideradas o que eleva o grau de precisão dos resultados. Entretanto, a maior quantidade de dados a serem sistematizados será também o motivo responsável pelas ressalvas e revisões de resultados. A inclusão de mais dados facilitará também divulgação de dados setoriais, permitindo melhores análises. Está previsto para este mês a divulgação da nova série do PIB estimado pela nova metodologia, com dados anuais de 1995 até 2005. Existe também a promessa para brevemente acontecer a reavaliação do PIB de 2006 no mesmo método.
  O presidente e todos os brasileiros desejam o ‘‘destravamento’’ da economia com um PIB mostrando taxas maiores de crescimento, não só para atender a geração de bons empregos e aos que continuam a chegar ao mercado de trabalho, como também para aumentar o valor médio por habitante o que significa mais riqueza por cidadão. O ‘‘destravamento’’ passa pela revisão da política que combinou altas taxas de juros com câmbio valorizado. A primeira não ajuda o investimento porque não viabiliza projetos e, a segunda, estimula a importação aumentando o PIB dos outros, criando empregos para quem não mora no Brasil. Mais que mudanças na medida do ‘‘Produto Ilusório Bruto’’, precisamos do crescimento real da economia.
AYLTON PAULUS JÚNIOR é economista em Londrina


Porque não somos deuses

Marco Antonio Cito
  O Deus dos hebreus é Um. O Deus dos cristãos é Um só Deus, em três pessoas. O Deus do Islamismo é Um. Sou cristão, mas não falo que o muçulmano acredita que Maomé é Deus por não ser muçulmano. Nas religiões monoteístas Deus é o criador. Onipotente, onipresente e onisciente. Um único Deus.
  Cremos que o homem nunca foi nem nunca será Deus, e o fato é que, na prática, todas as vezes que o homem ousou ter mais poder do que lhe competia tivemos desastres de proporções monstruosas. Somos criados à imagem e semelhança de Deus, livres para buscá-lo ou para nos afastarmos dele. ‘‘A água e o fogo, o bem e o mal estão à sua frente. Estende a mão ao que desejares’’ (Eclo 15,16).
  Segundo a astrologia e não a astronomia, a Era de Aquário se aproxima depois da Era de Peixes, era de Jesus? Quem disse? O peixe (Ictus) acróstico da expressão Iesus Christos Theou Uios Soter, que quer dizer Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador é apenas um dos muitos símbolos de Cristo, de longe usado pelos cristãos para definir uma Era. Deus não mora no século, Deus mora na eternidade. A Bíblia diz: ‘‘Porque Eu sou o Senhor e não mudo’’ (Ml 3,16). O que fazemos hoje é mudar a Sua face. Às vezes, do modo mais conveniente.
  O fato é que vivemos em uma época que a doutrina cristã é não raro, considerada ultrapassada, obsoleta e os valores da família não são mais alicerces caros para boa parte das pessoas, desgraçadamente. O problema é que corremos o risco de transformar a idéia do livre pensamento não em livre pensamento, mas em uma condenação à moral Cristã. Isso é um contra-senso!
  Não se pode pregar uma nova idéia praticamente exigindo que idéias de dois mil anos sejam deixadas de lado sob pena de serem consideradas inquisidoras. Defendo a liberdade de expressão, isso é salutar, mas é necessário um mínimo de respeito com os que pensam diferente, tanto de um lado, como de outro.
  Para os católicos, Jesus Cristo é o Messias, o filho de Deus e Deus na Santíssima Trindade. Rejeito que tenha sido Buda, rejeito que tenha sido isto ou aquilo. ‘‘Porque Deus amou tanto o mundo que enviou seu filho único para que todo o que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna’’ (Jo 3,16). Em um estado laico, cada um acredita no que quiser. Deixe-nos apenas, como cristãos, acreditarmos também.
MARCO ANTONIO CITO é consultor de empresas, pregador da Renovação Católica Carismática e ministro da Eucaristia em Londrina


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