Alento dos empresários e pesadelo dos trabalhadores

José Mario Angeli
  No artigo ‘‘Os petistas e o direito de greve’’ (5/3), o professor Ariovaldo Santos perguntou o que havia em comum na trajetória política do presidente Lula, do ministro do Planejamento e do prefeito de Londrina. Daí, o indagar-se sobre a contradição entre essas trajetórias, construídas na luta sindical e na liderança de importantes greves, que colocaram em xeque as políticas e o arrocho de restrições ao direito de organização, com as opções e práticas que operam hoje, estando no poder quando ‘‘operam um verdadeiro combate aos interesses dos trabalhadores’’.
  A pergunta, no entanto, deveria ser por que esses ex-líderes sindicais, indentificados com a luta contra a ditadura e pela garantia da participação dos trabalhadores na partilha da riqueza nacional, guardam hoje uma forte semelhança com o sr. Antônio Delfim Netto, cuja trajetória é oposta às dos primeiros ? No artigo ‘‘Eixo definido’’ (27/2), Delfim analisa o Programa de Aceleração do Crescimento e observa que o sucesso dependerá dos ‘‘empresários e trabalhadores’’, mas é o governo que deverá tomar iniciativa e criar os meios para viabilizar o crescimento. E conclui, dizendo que há uma necessidade ‘‘do descongelamento das relações trabalhistas’’.
  Ora, o sr. Delfim foi um dos homens-chave na condução da política econômica dos governos militares. A política conduzida por ele ampliou o processo inflacionário, maquiou esses índices para conter as reposições salariais, ampliou a dívida pública, defendeu uma política explícita de concentração da riqueza. Quem não se lembra do ‘‘devemos fazer o bolo crescer para depois dividi-lo’’, o que acarretou um aumento da pobreza? Teria havido uma inflexão do trio, que veio do campo do trabalho, e se ajusta naquilo que Delfim tem de mais sinistro e cínico?
  O que está colocado para a sociedade, como consenso explícito, é a necessidade da reforma trabalhista acoplada à sindical. Empresários participantes do Conselho Desenvolvimento Econômico e Social afirmam que ‘‘o sistema brasileiro de relações trabalhistas está superado, sendo por isto necessário rediscutir o atual marco normativo constitucional e infra-constitucional’’. Será preciso reformar a estrutura sindical, para garantir o funcionamento de uma estrutura mais enxuta, na qual haja poucas garantias legais e uma reforma trabalhista que tenha como objetivo o descongelamento das relações trabalhistas.
  O objetivo dessas propostas é diminuir o poder das representações sindicais, principalmente dos servidores públicos, onde se concentra um número significativo de trabalhadores, particularmente os que respondem pelas políticas básicas (educação, saúde), que vêm de um longo período de arrocho salarial e sem perspectivas de recuperação, de onde pode surgir um maior
número de greves e a maior reação à política do Governo Lula. A proposta de restrição do direito de greve tem endereço certo. A reforma trabalhista traz alento aos empresários e um angustiante pesadelo para os trabalhadores.
JOSÉ MARIO ANGELI é professor do departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina


Pobre e feio visual de Londrina

Jacira Camargo Rocha
  Toda cidade que se preze deve primar pela aparência. Infelizmente, Londrina causa revolta e desgosto por tantos aspectos feios na sua imagem de cidade importante. São serviços que já deveriam estar solucionados. Falta administração e sobram problemas.
  A arborização pública é um horror, são dezenas de espécies de árvores indevidas para a finalidade a que se destinam. Arborização correta é sombreamento, embelezamento, harmonia e contribuição ao meio ambiente. Aqui temos árvores infestadas de cupins, umas baixas e sem copas, outras grossas, com copas disformes. Espaçamento errado e desarmonioso, poda imprópria, enfim, uma arborização decadente.
  Existem casos de plantar a espécie errada e ainda lacrar toda a área, impedindo a planta de receber água pluvial. Não há orientações, nem fiscalizações. Talvez, nem vontade. Maringá é um exemplo de arborização bem-sucedida. Os londrinenses devem se envergonhar das milhares de calçadas fronteiriças a imóveis residenciais e comerciais de péssima qualidade e mau gosto. No centro da cidade, imóvel de alto valor, com uma calçada feia e pior do que em vila popular. Existem calçadas em desníveis, estouradas, rampa de carro muito inclinada.
  São tantos os defeitos que não vale a pena enumerá-los. Certos trechos impedem a circulação de pessoas, tantos são os empecilhos, como vegetação demasiada, cerca de espinhos, buraco, depressões etc. Idosos e deficientes físicos devem pensar muito ao se locomover em ruas e calçadas. Usa-se e abusa-se no enfeiar e dificultar. Praças, canteiros centrais, jardins e parques públicos – com exceção do centro – são uma lástima e estão em completo abandono: vegetação alta, ervas daninhas, lixo, feiúra total. São áreas inúteis e próprias para festas de marginais.
  Nosso aparentemente bonito Lago Igapó está há anos poluído, é impróprio para banho e pescaria, tem áreas marginais sujas, vegetação descuidada e pouca segurança. Um projeto de técnicos poderia transformá-lo num maravilhoso ponto turístico. Os fundos de vale, de natureza exótica, raríssimos em outras cidades, merecem e devem ser projetados em benefício da comunidade. Porém, nada se faz e os marginais agradecem.
  O povo de Londrina – trabalhador, hospitaleiro e amigo – não tem do que se orgulhar destes aspectos degradantes. Alguém pode explicar por que os governos municipal, estadual e federal, tão unidos e coligados, nada fazem? Triste realidade de uma cidade que poderia ser atrativa e charmosa.
JACIRA CAMARGO ROCHA é pedagoga em Londrina


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup