ESPAÇO ABERTO
Os sabiás e o supermercado
César Bessa
Na minha rua tinha ipês onde cantavam os sabiás. Mais que uma paródia, uma verdade. O comércio, gradativamente, foi se instalando na Rua Madre Leonia Milito. Gradativamente, os ipês e outras árvores plantadas nas calçadas públicas foram desaparecendo.
A contenção contra a poluição sonora, as sombras que resistiam à acumulação de calor provocado pelo sol escaldante nas calçadas e nas ruas, o brilho das flores brotadas nos galhos e depois a sua repentina chuva salpicando tapetes coloridos, o auxílio às bocas-de-lobo que nunca vencem as enxurradas de verão, a estética brindando um percurso insistente em ser bucolicamente verde, estes são alguns benefícios das árvores, além da guarida aos sabiás que cantam uma canção da esperança na vida.
Na minha rua inventaram um supermercado, cuja construção perturba os moradores de manhã, de tarde, de noite, de madrugada; na hora do almoço, da janta, da sesta; no sábado, domingo...bom, não pára!
Na semana passada, durante sua construção, na obscuridade noturna, o supermercado exterminou três pés de ipês de, aproximadamente, 25 anos de idade cada um. Detalhe: os ipês estavam plantados na calçada pública!
Caso a ação exterminadora tenha obtido a autorização administrativa para o ceifamento da vida vegetal dos nossos ipês, concluo que tiveram o conluio das autoridades para uma ação desmedida. Pois não há justificativa para esta violação.
Convenhamos, talvez, que as belas árvores não ornassem com a arquitetura do prédio ou a visibilidade da copas das árvores dificultassem, em alguns ângulos, a leitura completa do nome do supermercado. Mas acontece que o supermercado chegou depois dos ipês, dos sabiás e dos demais moradores.
E, como morador da minha rua, acredito que o interesse do supermercado não é com o meu bairro, nem com a minha rua e nem com os sabiás. O seu interesse é com o dinheiro que trazemos no bolso. Acredito que não tinham o direito de matar os ipês!
CÉSAR BESSA é professor de Direito da Universidade Estadual de Londrina e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) em Londrina
Porque todos somos deuses
Walmor Macarini
Todos somos deuses e temos origem na mesma Fonte. Os hebreus deram a essa Fonte o nome de Pai; os místicos a denominam Pai-Mãe. O nome é irrelevante, bastando saber que há uma Mente Universal que rege todas coisas e a elas se integra e delas compondo-se. Os enviados da elevada hieraquia à Terra, que chegam de tempos em tempos com a missão de disseminar a luz, são denominados de Cristos, Budas, Messias, Avatares, Mediadores, Mensageiros e também Salvadores.
E salvadores não no sentido de que se abaixam como os camelos para o homem montar neles e deixar que o carreguem, mas de semear ensinamentos, robustecer a energia planetária, revelar a manifestação divina e lembrar aos habitantes da Terra que eles compõem toda a consubstancialidade espiritual. Resquícios inquisitoriais ainda perduram e estão personificados nos sistemas que não aceitam as novas formas de expressão que os seres de grande luz nos estão passando.
Esses seres são os mesmos profetas do passado e também novos mensageiros estes não catalogados pela tradição e juntos eles chegam para escrever um Novíssimo Testamento e fazer revelações outrora não entendidas. Diferente daqueles tempos, muitas mentes se iluminaram e prepararam um ambiente propício para a entrada da luz que agora vem e que varrerá as trevas da desinformação. A nova linguagem que chega é uma só linguagem, sem distorções e nem contradições. E não vem para desautorizar aquilo da verdade que está dito, mas torná-lo claro. Não entendereis ainda disse Jesus a seu tempo. Agora a hora do entendimento está chegando.
Isto resultará em resistências, partidas justamente dos núcleos de crenças mais enraizados e que não entenderam ainda... Não se pode atribuir-lhes culpa, porque a visão que têm é ainda turva. O advento da Era de Aquário (depois da Era de Peixe, da época de Jesus) começa a abrir e expandir consciências. Há um novo soar de trombetas, porque o dia já se vai e um novo amanhecer se anuncia. Quem se atrasar, não se perderá no caminho mas chegará mais tarde. Porque terá de retomar caminhadas, eventualmente em planos inferiores.
Somos todos inquilinos deste condomínio, porque habitamos este mesmo ponto do Universo e estamos juntos nesta viagem, por nossa prévia escolha ou por desígnio, mas exercendo os termos de um acordo que firmamos antes de aqui aportar e vivenciar a fisicalidade, que vem se desenrolando desde muitas existências. Podemos até nos desentender a bordo, pela faculdade do livre-arbítrio, mas a nave voa com toda a sua carga no rumo do destino comum. Que é a missão. E, afinal, o retorno progressivo ao ponto da origem primeira, para o reinício de nova missão em outras paragens do Cosmo, e assim indefinidamente, porque o Universo é uma contínua e permanente oficina de trabalho.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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