ESPAÇO ABERTO
O turismo no Brasil
Diego Rigon Menão
No dia 31 de janeiro foi publicado pelo Ministério do Turismo em conjunto com o IBGE um estudo intitulado: ''Economia do Turismo: Análise das características do Turismo'', referente ao ano de 2003.
O Brasil está apenas no início das discussões relacionadas ao turismo e vê cada vez mais o poder público, privado e as academias (responsáveis pela formação técnica) debaterem sobre a necessidade de refletir e atuar de maneira responsável, respeitando as especificidades e potencialidades do fenômeno turístico.
No país, as atividades relacionadas ao turismo geraram R$ 31,1 bilhões - 2,23% do valor total da economia brasileira, em 2003. Se compararmos com outros países, esta porcentagem é pequena frente ao potencial existente aqui. No que diz respeito à empregabilidade do setor, 5,4 milhões de pessoas foram empregadas nas atividades turísticas. As famílias brasileiras gastaram R$ 17,096 bilhões com viagens, sendo 1,7% do total dos orçamentos. O maior número de empresas relacionadas ao turismo é da área de alimentação e na maior parte possuem menos de 20 pessoas ocupadas. Nas pequenas empresas, os funcionários receberam em média R$ 577,00 mensais enquanto os trabalhadores que mais receberam foram oriundos das empresas aquaviárias (média de R$ 4,135 mensais) e aéreas (média de R$ 2.736 mensais).
Pode-se perceber, no entanto, que mesmo no Brasil onde o turismo está em fase de gestação, os números são destacáveis e demonstram as tendências de crescimento deste setor.
O turismo não vive obrigatoriamente de paisagens naturais, mas também da organização, das ações planejadas e da correta colocação no mercado por parte das localidades tursticas e das empresas. Além disso, possibilita o fortalecimento da identidade local, a valorização do patrimônio e do meio ambiente, o incremento na receita regional e a melhoria de todo o sistema urbano.
Londrina possui muitas potencialidades (paisagens, eventos, universidades, qualificação técnica, entre outras) e é necessário repensar as políticas públicas, os incentivos e a organização dos profissionais (bacharéis ou não) para um maior desenvolvimento deste segmento econômico local em prol do desenvolvimento da região e da melhoria da qualidade de vida da população.
DIEGO RIGON MENÃO é MBA em Planejamento, gestão e marketing do Turismo e docente do curso de Turismo com ênfase em Hotelaria da Universidade Norte do Paraná em Londrina
Mulher e justiça social
Márcia Lopes
Dentre os muitos avanços do contraditório século 20, certamente figura com destaque a evolução do debate em torno dos direitos das mulheres no Brasil. Mesmo que não tenhamos ainda alcançado o ideal, são inegáveis as conquistas nos campos político, social, cultural e econômico. Herdeiras de um forte movimento social intensificado ao longo do século passado, iniciamos o atual em melhores condições de promover as mudanças necessárias para superar o passado de discriminação e repressão que pesou sobre nós.
O grande desafio posto para todos nós, brasileiros e brasileiras, é fazer valer essas conquistas, de maneira firme e contundente. Hoje, contamos com a forte participação de um Estado e de uma sociedade comprometidos com essa mudança e sensíveis à emergência das questões de gênero, assim como de todos os outros segmentos. O comprometimento que presenciamos hoje no que diz respeito ao governo federal manifesta-se não só por meio de ações específicas, como na criação de uma secretaria nacional vinculada à questão da mulher pelo governo do presidente Lula. Ultrapassa essa dimensão em razão do reconhecimento de que as discriminações e desigualdades de gênero, na verdade, acentuam problemas sociais, muitos deles estruturais.
É fato: nós somos as primeiras a sentir a precarização da rede social. Se não há presença do Estado, toda responsabilidade social recai sobre a mulher, a começar pelos cuidados com a família. Esta é a importância da rede de proteção e promoção social que estamos consolidando no atual governo.
Programas e políticas sociais voltadas para o cuidado de idosos e crianças são apenas alguns dos exemplos de ações que desoneram a mulher de modo a permitir mais tempo para dedicação ao trabalho e ao seu aperfeiçoamento. A construção de cisternas de captação de água de chuva no semi-árido brasileiro também tem esse caráter. Some-se a isso o Bolsa-Família, que além de garantir o acesso a uma renda mínima, promove a equidade de gênero, uma vez que as mães são as primeiras titulares do benefício.
As políticas se orientam em torno do objetivo de promover a igualdade social. Isso significa investir na criação de oportunidades iguais de modo a superar as disparidades de condição de vida. Temos o desafio, e o compromisso com nossas filhas e netas, de deixar um legado que seja a materialização da luta de nossas mães e avós: ampliar nossas conquistas de modo a tornar a situação de desigualdade uma página virada em nossa história.
MÁRCIA LOPES é ex-vereadora em Londrina e secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em Brasília
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