Salutar agito

Antonio Delfim Netto
  Finalmente, a confirmação do medíocre resultado do PIB de 2006 agitou o clima na gaiola dos gênios do Banco Central, onde se sustentava que a calibragem dos juros não impediria um crescimento de 4% . Não alcançou 3%. Movimento tardio de alterações no Copom, como só acontece entre nós, depois que suas decisões derrubaram o ânimo empresarial em 2005 quando a aposta era a retomada do crescimento de forma robusta com boa perspectiva de passar de 5%. Do entusiasmo que o levava a arriscar novos investimentos para aumentar a capacidade de produção e a aumentar as contratações, o empresário passou a uma posição de extrema cautela ao receber a mensagem clara do governo que não estava disposto a facilitar a sua vida acelerando a queda das taxas de juro.
  Diante desse ambiente amigável às finanças e hostil ao setor produtivo, o empresário limita-se a sobreviver, o que já é uma façanha extraordinária numa economia em que é obrigado a entregar ao governo praticamente 40% do valor adicionado de sua atividade. Isso é três vezes mais do que sua própria margem e corresponde ao dobro do que ele gasta com salários de seus empregados. Como contratar mais e para que? Para aumentar o sufoco? Acresce que para cumprir minimamente as exigências dos fiscos federal, estaduais e municipais ele tem que lidar com centenas e até milhares de itens legais, que vão desde dispositivos constitucionais a atos normativos das Receitas, até portarias de secretarias de finanças municipais. O cálculo de que a garfada é de 40% está subestimado porque a ela o empresário tem que acrescer o pagamento de profissionais capacitados como contadores, economistas, engenheiros e advogados que lhe dão a segurança de que não esqueceu nenhum imposto, taxa, contribuição, etc.
  Ele sobrevive e anda sempre de olho na oportunidade de crescimento de seu negócio mas logo que se anima a investir no aumento da produção para atender à demanda que seu faro prenuncia, vem o Banco Central e o ameaça com maior aperto na política monetária, exatamente para impedir que a demanda se exerça um dia... Isso porque os ‘‘gênios’’ decidiram que o Brasil não pode crescer ‘‘porque lhe falta poupança’’. É no mínimo curioso como essa idéia fajuta pode prevalecer tanto tempo, ‘‘batendo de frente’’ com a realidade que a desmente todos os dias.
  Outro castigo é que o empresário não pode ter a menor confiança sobre a taxa de câmbio real, uma vez que lhe provaram cientificamente que ela é o ‘‘resultado natural de um processo natural’’. Isso reduz o horizonte de seus negócios ao mercado interno, do qual ele vai sendo expelido ‘‘naturalmente’’ pelo privilegiado competidor externo. Não há argumento que o convença que é ‘‘natural’’ que sua moeda tenha uma valorização 120% superior à valorização das moedas de seus concorrentes, em relação ao dólar, e que não haverá nenhum problema para enfrentar a feroz competição nos mercados externos. Ele não tem alternativa a não ser dosar seus investimentos de modo a apenas aumentar a produtividade e não ao objetivo de aumentar a produção, contribuindo para reduzir o emprego.
ANTONIO DELFIM NETTO é professor emérito da FEA/USP e ex-ministro da Fazenda da Agricultura e do Planejamento


Tome as rédeas da sua vida

Anna Carolina Müller Queiroz
  Quantas vezes você já olhou à sua volta e pensou: ‘‘Está tudo errado, se eu pudesse começar tudo de novo faria tudo diferente!’’, ou, na melhor das hipóteses, ‘‘Até que está tudo indo bem, mas sinto que falta alguma coisa, falta aquela paixão pelas coisas que faço’’.
  Se você acredita que só uma máquina que o fizesse voltar no tempo para mudar a direção dos seus passos no passado resolveria suas angústias, é porque você ainda não conheceu o coaching.
  Trata-se de uma nova ferramenta que veio mostrar a todos que podemos mudar a direção de nossa vida a qualquer tempo. Para isso, basta alterar a direção da vela de nosso veleiro. Talvez você se pergunte: ‘‘Parece tão simples, mas como ter controle do mastro quando tantas outras forças parecem puxá-lo para outras direções’’?
  Para resistir às forças que insistem em desviar seu caminho, o coaching te ajuda a ter muito claro em sua mente para onde deseja ir. É como se você tivesse uma luneta e pudesse enxergar a milhares de quilômetros de distância - ou seja, muitos anos à frente - o seu destino. Assim, sempre que tiver que tomar decisões, você perceberá se o caminho que está escolhendo - a decisão que está tomando - te fará perder de vista o seu destino ou se o manterá ainda mais em seu foco.
  Por meio do coaching, você irá perceber quais recursos (concretos e abstratos) precisará para trilhar esse caminho, quais deles você já possui, e quais terá que buscar. Sabendo o que precisa, você começará a utilizar os recursos que já possui de maneira otimizada. Além disso, irá buscar os recursos que faltam no lugar certo, o que torna suas ações muito mais rápidas e efetivas - fator importantíssimo caso você tenha que construir uma ponte ou derrubar um muro no meio do caminho, afinal, dificuldades aparecerão, mas você aprenderá a antecipá-las e estará mais bem preparado para enfrentar qualquer desafio.
  Com o mapa que você irá construir no processo de coaching, você verá que pequenas mudanças a cada dia, que consideram o que é importante para você, o levarão ao que deseja por um caminho muito mais prazeroso e rápido. Então, você perceberá que a máquina do tempo existe, pois o seu passado é a sombra de suas ações hoje, e seu futuro, o reflexo de suas escolhas. O que suas escolhas têm refletido neste momento? O caminho que você está trilhando realmente levará ao que você deseja? Pense nisso.
ANNA CAROLINA MüLLER QUEIROZ é psicóloga em Londrina e master practitioner em programação Neurolingüística


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup