Esperanças jubilares

Dom Orlando Brandes
  A Arquidiocese de Londrina celebra amanhã, 25 de fevereiro, seu Jubileu Áureo. Não é uma festa vazia, muito menos triunfalista. Pelo contrário, sendo o Jubileu um ano santo, nossa primeira esperança é a santidade pessoal e eclesial. Só uma Igreja santa convence e atrai. A vocação à santidade é o compromisso número um do Jubileu, o ano santo.
  Outra grande esperança é a solidariedade. Graças a Deus, as obras de solidariedade na história da Arquidiocese são como que o monumento desta Igreja particular. Como queremos nos comprometer com a paz, nossa esperança jubilar é o incremento da solidariedade. É proibido passar fome. Exorcizemos a fome e teremos paz. Londrina, terra de solidariedade, será terra de paz. Brilhe ainda mais no rosto desta Igreja a luz do amor social.
  Nossa esperança pastoral maior é a opção prioritária pelos Grupos de Reflexão. Os grupos mesmos são esperança para a Igreja. Toda diocese que tem o vigor dos grupos, das comunidades eclesiais, tem sangue, vitalidade, vibração. Alimentemos os grupos com as missões populares e visitação nas casas.
  Esperamos que o ‘‘Dia da Palavra’’ transforme o catolicismo devocional em catolicismo bíblico. Precisamos implantar um planejamento de educação bíblica. Grande é o desconhecimento bíblico entre nós. Isso, além de ser um defeito, é também um pecado de omissão. Nossas crianças aprendem a lidar com o celular, o computador, o vídeo, mas ignoram as Escrituras. Seja a Bíblia o nosso catecismo, o nosso livro de oração, o nosso código de normas.
  A Igreja em Londrina tem sido muito abençoada, apesar de nossos pecados e fragilidades. Aqui nasceu a Congregação das Irmãs Claretianas que está presente em todos os continentes graças aos fundadores dom Geraldo Fernandes e irmã Leônia Milito. Aqui estão presentes grandes congregações religiosas masculinas e femininas com um toque missionário ardoroso. Os três arcebispos anteriores assumiram cargos na Confederação Nacional dos Bispos do Brasil e são pessoas de grande veneração na Igreja do Brasil pelo seu testemunho de vida e sua competência teológica, pastoral e catequética.
  Em nossa Arquidiocese nasceu a Pastoral da Criança, precisamente em Florestópolis. Está em andamento o processo de beatificação de irmã Leônia. Escolas Católicas de renome estão presentes desde a origem da Igreja aqui no Norte. O Instituto Paulo VI e o nosso Seminário formaram grande número de sacerdotes e alguns bispos. Agora, com a presença da PUC e do Mosteiro Carmelita, nossa Igreja se afirma ainda mais com teologia para leigos. Jubileu é ação de graças e compromisso.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


Que tal terceirizar a prefeitura?
Osvaldo Gimenes
  Há pouco tempo o Município de Londrina terceirizou a merenda escolar. Não sei exatamente o porquê, mas acredito que tenha sido, dentre outros motivos, para reduzir o desperdício de alimentos ou coisa que o valha.
  Li nos jornais que o Município vai terceirizar a estocagem e distribuição de produtos de uso corrente, inclusive remédios, a um custo de mais de R$ 9 milhões em dois anos. Esse valor, em miúdos, significa mais de R$ 375.000,00 por mês, ou R$ 12.500,00 por dia, ou R$ 1.562,50 por hora, considerando 8 horas/dia de atendimento. É muita grana. Deve estar sobrando muito dinheiro, não? O secretário (ir)responsável justifica dizendo que as perdas de produtos, na Secretaria da Saúde, por exemplo, são da ordem de 9% a 10% (remédios vencidos e não utilizados) o que se traduz em perdas de 10 a 12 milhões/ano. Com isso, segundo ele, o Município estaria economizando bastante.
  Pois é: e os funcionários que hoje fazem o serviço? Certamente serão ‘‘aproveitados’’ em outras funções, já que o serviço público não demite ninguém? A prefeitura tem tantos funcionários que teve que fazer dois turnos de trabalho, senão não caberiam todos no prédio. A meu ver, é brincar com os bens públicos, é faltar com a seriedade na administração. O que, a meus olhos, está acontecendo, é a falta de gerenciamento, para não dizer que se trata de incompetência para gerir a coisa pública em Londrina.
  A cidade está abandonada pelos gestores municipais. O que é que está funcionando bem em Londrina? O serviço jurídico, por exemplo, retém processos judiciais de cobrança de impostos por meses, até mais de ano, inexplicavelmente: a execução fiscal 99/97 da 6ªVara local é um dos exemplos da demora, porque ajuizada em julho de 1997 - há quase dez anos - está praticamente na fase inicial por absoluto desinteresse do Município. E a falta de remédios nos postos? E as obras paradas? E as ruas esburadadas? E as verbas federais devolvidas sem utilização?
  Essas terceirizações, sim, deixam à mostra a úlcera da incompetência do Município para gerir serviços seus. Que tal terceirizar todos os serviços da Prefeitura? Demitem-se todos os funcionários, já que a arrecadação não suporta a folha de pagamentos dentro da lei. Fica evidente que a terceirização é também uma forma de burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal, porque aí não se paga salário, mas sim o valor da contratação. Será que o Tribunal de Contas, cheio de aparentados/apadrinhados do governador, não se dá conta dessas barbaridades?
  Essas terceirização incluiria a substituição do prefeito por um gerente, e os secretários todos também. A prefeitura só teria meia dúzia de funcionários para gerir as terceirizações. Que tal? Vamos levar essa idéia avante: Prefeitura de Londrina: terceirização total e já.
OSVALDO GIMENES é advogado em Londrina


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup