Previdência deficitária: a grande farsa

Nelson Martins Garcia

Utilizando um modelo financeiro simples - desprezando cálculos atuarias - podemos demonstrar as monstruosas mentiras, incrustadas nas matérias veiculadas por analistas e comentaristas sobre o déficit da Previdência. Por que não se divulga os valores arrecadados no passado que hoje deveriam estar disponíveis para pagar as atuais aposentadorias? Essa nefasta campanha do governo federal objetiva incutir nos aposentados um cruel sentimento de ''travadores do crescimento do Brasil''.
A questão central do déficit na Previdência são os desvios (legais e ilegais) e a má gestão. A aposentadoria recebida pelo cidadão, não é esmola e tampouco ''bolsa-sobrevivência''. Em verdade, é o legítimo direito de receber de volta seu capital depositado mensalmente durante a vida laboral. Para demonstrar essa farsa, suponhamos que uma pessoa com 53 anos, tenha um saldo em caderneta de poupança - a mais simples das aplicações no Brasil e que remunera com juros reais de 0,5% ao mês - um capital de R$ 155.353,97, e, queira realizar saques mensais para o seu sustento, durante 30 anos. Uma pergunta crucial: qual o valor desses saques, de forma que o saldo se extinga apenas no último saque? A resposta correta dos 360 saques é de R$ 931,43 cada. Simulações com quaisquer valores, podem ser feitos no site do Banco Central (http://www.bcb.gov.br/?PRESTFIXA).
Os mais astutos poderão estar perguntando: o que significa o valor exato de R$ 155.353,97? Obviamente que, para saldos maiores os saques mensais poderão ser maiores. Este saldo é conseguido após 420 depósitos regulares mensais de R$ 108,50, que é igual ao valor da contribuição obrigatória para o INSS de qualquer trabalhador autônomo com uma renda mensal de R$ 350,00. No caso de empregado registrado, a contribuição somada com a do empregador é bem maior. O mesmo site do BC calcula a capitalização dos depósitos regulares durante 35 anos.
Vejam como é simples demonstrar que o déficit absurdo da Previdência é uma grande farsa! Um cidadão que contribuiu com 31% sobre um salário mínimo, durante 35 anos, ao completar a idade de 53 anos poderá receber uma aposentadoria durante 30 anos, no valor de R$ 931,43 = 2,66 salários mínimos, sem causar prejuízos a quem quer que seja. Compare este fato, com a expectativa de vida calculada pelo IBGE, que é inferior a 83 = (53 + 30) anos. O IBGE divulgou recentemente que a expectativa de vida do brasileiro em 2020 será de 76,1 anos. Se algum especialista procurar erros nos cálculos aqui apresentados, alertamos que o saldo citado, sustenta um saque mensal eterno de R$ 776,77. Mesmo vivendo 120 anos, um segurado do INSS jamais receberá de volta sua poupança previdenciária. Portanto, devemos mudar essa lógica de desprezar a arrecadação passada, na avaliação do atual déficit previdenciário. Ou vamos aceitar pacificamente um confisco no patrimônio previdenciário?

NELSON MARTINS GARCIA é doutor em Matemática e professor de Matemática Financeira na Universidade Estadual de Maringá





Quem precisa de Deus?

Marco Antonio Sales

Na semana passada a revista ''Veja'' publicou em sua reportagem de capa, a matéria ''A força da fé. A ciência explica como o cérebro produz o pensamento mágico''. A proposta, como o próprio início do texto enfatiza, é ''explicar porque a fé resiste mesmo quando a ciência prova que o sobrenatural nada mais é do que química e eletricidade''. Em resumo, o artigo afirma que o ser humano não precisa de Deus. Hoje nós temos a ciência.
Interessante esta conclusão. Mas será mesmo que não precisamos de Deus, e que ele é apenas fruto de reações produzidas por nossos cérebros? Será mesmo que, ainda que discordem quanto a ''quem'' é Deus, os mais de 5 bilhões de habitantes de nosso planeta que acreditam em algum tipo de divindade, são todos um punhado de desprivilegiados intelectualmente? Segundo a matéria em questão, ''nos Estados Unidos apenas 3% dos cientistas mais respeitados acreditam em Deus''. Diante disso, podemos concluir que são os detentores do conhecimento que realmente sabem a ''verdade'' sobre Deus. Os demais são, simplesmente, ignorantes.
De acordo com os cientistas, ''agora que a física já explicou como surgiu o universo, não há mais lugar para Deus''. A referida ''explicação'' é a de que tudo o que existe hoje surgiu do nada, por acaso, através de uma explosão ocorrida há muito tempo atrás. Isso é o que têm a dizer os sábios da atualidade. Deus, contudo, oferece-nos outra explicação: ''Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma. Eles sabem quem Deus é, mas não lhe dão a glória que ele merece e não lhe são agradecidos. Pelo contrário, os seus pensamentos se tornaram tolos, e a sua mente vazia está coberta de escuridão. Eles dizem que são sábios, mas são tolos''. Rm 1:20-22.
Não há dúvida de que a ciência tem, cada vez mais, esclarecido muitas de nossas inquietações. Entretanto, ainda que muitos afirmem o contrário, ela jamais poderá explicar tudo. Muitos de nós, para não dizer a grande maioria, ainda nos perguntamos: ''De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos?''.
Bem, de acordo com grande parte da ciência, Deus não existe. O Deus da Bíblia, por outro lado, é taxativo ao afirmar: ''Diz o insensato no seu coração: não há Deus.'' Sl 14:1. Segundo a Palavra deste ''Deus que não existe'', os reais ignorantes não são aqueles que crêem em sua existência. Este mesmo Deus é categórico, não somente em afirmar sua existência, mas também em dizer que, ainda que não acreditemos, todos nós, seres humanos de todas as épocas, estaremos um dia diante dEle para lhe prestar contas quanto ao que cremos a seu respeito e a respeito de seu Filho: Jesus Cristo. Até lá, muitos ainda continuarão questionando: Quem precisa de Deus?

MARCO ANTONIO SALES é bacharel em Administração de Empresas e Teologia e pós-graduado em Teologia em Londrina


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