ESPAÇO ABERTO
Uma nova agenda
Antonio Delfim Netto
Mais importante do que as medidas anunciadas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi o conteúdo da mensagem que o presidente Lula transmitiu aos brasileiros na solenidade do Palácio do Planalto. Ele colocou as questões fundamentais de uma nova agenda para o desenvolvimento nacional. A ênfase é a volta do crescimento, um crescimento qualificado com absoluta clareza. O Brasil não quer qualquer crescimento mas sim o crescimento com estabilidade, respeitando o equilíbrio fiscal e as metas de inflação. Além da estabilidade, queremos que o desenvolvimento se faça mantendo o processo de redução do nível da desigualdade de renda entre as pessoas e as regiões do país. E, ainda, nós só queremos o desenvolvimento com liberdade.
Ao apresentar essa agenda, o presidente está garantindo aos brasileiros e aos parceiros externos que não vamos nos meter em nenhuma aventura: quando ele diz que o crescimento não implica em sacrificar um grau sequer das liberdades democráticas, mostra o distanciamento do Brasil do cenário populista da América Latina, especificamente das concepções de Hugo Chavez, Evo Morales ou Rafael Correa. Esse recado é um trunfo para o país frente ao mercado.
Significa a compreensão do governo que o crescimento é feito pelo setor privado e que o papel que lhe cabe é reascender o espírito selvagem dos empresários e fazê-los confiar que serão mantidas as condições propícias ao desenvolvimento. Nesse particular o PAC oferece certas vantagens sobre os planos anteriores porque apesar de algumas coisas já estarem em andamento, ele apresentou agora os projetos que são mensuráveis e controláveis. Daqui a poucos meses vai ser possível verificar o que está funcionando ou não e então cobrar as correções. Há duas coisas que são essenciais: o empresário precisa estar convencido que vai ter demanda quando estiver decidindo o investimento e que não vai faltar energia nos próximos dez anos. Lá para julho ou agosto já vamos começar a ter respostas para essas dúvidas.
Toda a concepção do PAC nos anima a esperar que tenha sucesso onde os planos anteriores falharam. O Brasil esteve muitos anos em situação calamitosa em matéria de crescimento e emprego, de aumento das desigualdades sociais e de constante constrangimento em face do exterior. A situação está mudando, pois não temos mais vulnerabilidade externa e pela primeira vez desde o século passado os registros apontam uma melhora na condição de vida dos pobres, com ligeira queda nas taxas de desemprego. É uma mudança importante esta ênfase no desenvolvimento, substituindo a repetitiva cantilena dos planos anteriores que apenas explicavam porque não era possível crescer: o PAC é um programa de esperança; os outros eram planos de desespero.
ANTONIO DELFIM NETTO é professor emérito da FEA-USP e ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento
Da grandiosidade do homem
Walmor Macarini
O homem faz muitas indagações e busca respostas, que lhe chegam por várias maneiras mas ele, no mais dos casos, não as identifica. Estando no Universo, as respostas estão dentro de cada um, mas é preciso escutá-las; e se manifestam também por muitos sinais, mas há que estar atento. O ser humano julga-se inferior, porque assim lhe ensinam os sistemas de crenças, mas ele não é uma simples unidade existencial e não está isolado e, creia ou não, está integrado à Grande Consciência Universal.
Ao proclamar-se pequeno o homem nega a sua origem divina e nega o Criador. Na grande reunião da supra-inteligência cósmica ele está presente. Todos nós constituímos uma grande família espiritual, subdividida em tantas outras segundo o grau em que cada grupo se encontra na escalada das dimensões e estágios de consciência. Porém compondo uma unicidade e sob a regência de uma mesma lei. Há uma só sabedoria presidindo todos os seres e todas as coisas, e todos os seres e coisas compõem essa sabedoria.
Se o ser humano guiar-se pela sua intuição, ouvirá a voz do Universo, que faz a leitura de suas perguntas e lhe dá as respostas. E também o obedece. O indivíduo e tudo o que é e existe formam a grande bateria que sustenta a energia unificada do Cosmos. A intuição é sempre aquela voz interior que chega primeiro quando estamos diante de alguma indagação, trivial que seja. Não temos que avaliar o conselho da intuição, porque assim colocamos em ação o analítico a dúvida que não é da alma mas dos sentidos.
O espírito comanda, mas a personalidade (que é a voz dos sentidos) às vezes impõe-se e predomina, embaralhando tudo. Se o homem realinhar-se com sua intuição uma prática que mais se desenvolve quanto mais utilizada ouvirá todas as respostas que busca. Quanto mais recorrer à fonte, mais ela verterá, assim como um poço de água.
Por haver dado mais ouvidos a voz das coisas objetivas, em detrimento das subjetivas, o homem foi perdendo a memória de sua origem subjacente. Aceitando-se como limitado e isolado, veio ignorando que ele próprio é o guia dos seus passos e que, acionando a sua alavanca, aciona o Universo. Mas já é chegado o tempo de libertar-se das amarras que o prendem a crenças que lhe são impostas, e descobrir, por sua própria busca e arbítrio, a verdade sobre si mesmo e sobre sua grandiosa dimensão.
É inconcebível que tantos se conformem com suas privações, imaginando que isto seja vontade divina. A pobreza, material e espiritual, é uma limitação que o homem se impôs e não um plano fora de si mesmo. Ele se proclama independente em tantas coisas mas permite ser dominado naquilo que tem de mais relevante, que é o vasto portal aberto de sua espiritualidade. Assim ele se distancia da conexão com a eternidade e sua caminhada para a frente se torna longa e vagarosa. E por conseqüência mais penosa.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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