Turismo e mão-de-obra em Londrina
Abraham Shapiro

Em quase uma década de vida em Londrina, tive conhecimento de muitas ''estratégias'' para incremento do turismo local.
Como consultor de treinamento e desenvolvimento em empresas, vivi um episódio inusitado há alguns dias. Conversava com uma equipe de garçons de uma empresa, convidando-os a participar de uma capacitação. Quando concluí, um rapaz sentado próximo apresentou-se a mim. Usou de sua má audição para iniciar o diálogo comigo. Disse ser da área de turismo. De pronto, advertiu-me por ter usado uma palavra que, a seu julgamento, não seria compreendida pelos jovens com quem falei. Aquilo me espantou. Ele era grosseiro e despreparado. Eu jamais usei a palavra que ele afirmava ter ouvido. Mas ele insistia. E solicitava a um amigo que confirmasse. Esse um apenas ria.
Acrescentou, ainda, que, como frequentador assíduo daquele bar, percebeu nossa dificuldade em fazer a mão-de-obra chegar aos padrões desejados. Sugeriu a união de entidades públicas em torno da formação de pessoas para a prestação de serviços básicos do turismo como atendimento de bares, restaurantes e hotéis. Foi o bastante para avaliar que a logorréia turística deste responsável por-não-sei-o-quê era efeito inegável do álcool.
Se este sujeito - funcionário da área - tivera só então um insight ainda não percebido por qualquer outra autoridade do setor, é inegável o fato de que Londrina é vítima de amadorismo sem proporções também no turismo. Lamentável!
Quaisquer ações em turismo desprovidas de infra-estrutura são, apenas, boas intenções ou política eleitoreira. Na base do turismo, como sabe qualquer tolo, encontra-se a formação da mão-de-obra qualificada como condição de existência. Mão-de-obra qualificada para atendimento é sofrível em Londrina - do supermercado à farmácia, passando pelo comércio. Quem não vive isso na pele? Recentemente, um proprietário desesperado de bar investiu sozinho em uma escola de formação de garçons, barman e cozinheiros, pois, conseguir um profissional é façanha beatificante.
Os governos constituem secretarias de turismo e gastam muito dinheiro em ações que se invalidam por não existir o ''basicão''. Proponho que invistam o recurso que hoje vai para o bolso de pessoas malformadas - destas que só sobrevivem de empregos públicos e não têm competência para a concorrência livre - em capacitação de pessoas que ''sofrem'' de um desemprego que, na verdade, não existe. Há vagas. O que falta é capacitação e qualificação.
Senhores políticos, parem de sonhar. Chega de discutir seus indevidos salários milionários. Façam certo as coisas. Façam as coisas certas. Sejam mais eficientes e eficazes. Se precisarem, há empresários que trabalham no dia-a-dia desta cidade e que podem lhes ensinar caminhos viáveis e de sucesso.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor de treinamento e desenvolvimento em empresas em Londrina

O futuro do Brasil passa pelo FI-FGTS
Luiz Marinho

Nos últimos anos, o Brasil tem buscado alternativas para um crescimento sustentável, capaz de garantir melhor qualidade de vida à população, com geração de empregos decentes, elevação da renda e incremento da produção.
Sem pesados investimentos que impulsionem a expansão de vários setores da economia e garantam a infra-estrutura necessária para escoar adequadamente a produção, o desenvolvimento do país não passaria de um projeto futuro que nunca sai do papel. Por isso, o governo lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê a aplicação de R$ 504 bilhões, nos próximos quatro anos, em projetos de infra-estrutura. A idéia é eliminar os gargalos, aumentar a produtividade e superar os desequilíbrios regionais e as desigualdades sociais.
Entre as medidas anunciadas, está o fundo de investimentos com recursos do patrimônio líquido do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS). Em agosto de 2006, a medida foi aprovada pelo Conselho Curador do FGTS, composto por representantes do governo, dos trabalhadores e dos empregadores. Nenhuma central sindical votou contra.
Para garantir segurança e rentabilidade, o FI-FGTS vai investir no máximo 30% de seus recursos em projetos de energia, rodovia, ferrovia, porto e saneamento. A defesa intransigente do FGTS é um compromisso histórico deste governo. Nunca cogitamos usar recursos destinados a saque pelos trabalhadores em situações extremas. As contas vinculadas continuarão intocáveis.
Vamos aos números. O FGTS possui um ativo de R$ 184,3 bilhões, dos quais R$ 78 bi investidos em habitação e saneamento e R$ 68,7 bi em títulos públicos - deste total, R$ 21,1 bi constituem o patrimônio líquido do FGTS. Isso significa que, se todos os que têm conta no FGTS sacassem juntos a parte que lhes cabe, ainda sobrariam mais de R$ 21 bilhões.
A proposta também abre ao trabalhador a possibilidade, após a consolidação do FI, de investir até 10% do seu FGTS no novo Fundo. É uma opção e cada um escolherá o projeto no qual pretende aplicar seu dinheiro. A regulamentação e a fiscalização do Fundo competirão à Comissão de Valores Mobiliários e ao Banco Central.
Investir em títulos públicos não gera empregos, ao passo que ampliar a capacidade instalada de infra-estrutura representa novas obras. Ou seja, mais postos de trabalho, maior renda, menor custo de produção e aumento da competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. É essa a proposta do FI-FGTS, que foi elaborado e será fiscalizado de modo a garantir a segurança dos investimentos.
LUIZ MARINHO é ministro do Trabalho e Emprego do Governo Lula

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