Rompendo limites

Moacir Moura
  A vida é um constante lapidar de pedra bruta, transmutando-se gradualmente em diamante puro, como faz o casulo que se transforma numa colorida e garbosa borboleta. Se na vida de um inseto, criado para enfeitar o jardim da natureza e polinizar as plantas, acontece toda essa impressionante metamorfose, imagine o que pode acontecer com você, que foi criado para ser um vencedor.
  A história a seguir enaltece a importância da tentativa, do esforço para superar limites e romper as barreiras que impedem o nosso crescimento. Entre as flores do jardim de uma casa de campo havia um ninho de casulos se preparando para a metamorfose da vida. Sentado sobre um tronco de árvore que decorava o local, o jardineiro observava maravilhado o esforço daqueles pequeninos animais. E pensava o quanto à vida é cheia de oportunidades.
  Percebendo que a borboleta mais adiantada na tarefa de abandonar a sua primeira vestimenta, resolveu ajudá-la cortando o restante do casulo e libertando-a para o seu vôo inaugural. Mas seu corpo estava murcho, pequeno demais e tinha as asas amassadas. O jardineiro continuou fazendo algum movimento, esperando que a qualquer momento a borboleta alçasse o belo vôo.
  Apesar dos cuidados que dispensava ao inseto, nada disso aconteceu. Sem vitalidade em suas asas, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com o corpo murcho e as asas bambas. Ela nunca foi capaz de voar como as demais. O jardineiro, pensando em ajudar, cortou etapas e impediu que a vida seguisse o seu curso natural. Ao transpor com suas próprias forças a fenda apertada do casulo, a borboleta ganharia o tônus vital necessário para energizar seu corpo e voar com segurança a vida toda.
  Viver é vencer etapas, passar pelas experiências pelas quais precisamos passar, para aprender cada vez mais. Viver não é cortar caminhos, passar por baixo da trincheira que deveríamos nos esforçar para pular por cima. Viver é enfrentar a vida e vencer obstáculos. Viver é voar com suas próprias asas!
  Precisamos nos esforçar, vencer barreiras para darmos um sentido a nossa vida. Deus não criou seus filhos frágeis e incapazes de enfrentar e vencer desafios. Como faz com as borboletas, Ele confia em nossas forças para romper barreiras e ganhar altura. Cumprir nossa missão de servir e amar o próximo. Por isso, coloca uma dificuldade aqui outra ali, servindo como verdadeiras plataformas para alçarmos o grande vôo da vida. Seja o que for que estivermos fazendo, Deus nos quer prósperos e vencedores. Nós é que muitas vezes titubeamos diante do aprendizado que precisamos.
  Quando se deparar com qualquer dificuldade no trabalho ou na vida, lembre-se que são ensinamentos para você romper o seu casulo e transformar-se em vencedor. Verdadeiro campeão na arte de vencer e viver.
MOACIR MOURA é palestrante, escritor e especialista em gestão e motivação de pessoas em Curitiba


Sofrer não é preciso

Walmor Macarini
  Tenho escrito que o homem fanatizado por certos sistemas de crenças não se julga merecedor de benesses – aquelas fora do comum – com que a vida às vezes lhe acena, por isso assume comportamento de receio quando coisas boas lhe acontecem. Diante de uma revelação que extrapola o normal, considera-a não-verdadeira, ou no mínimo posta-se em alerta, tendendo a imaginar que é coisa de origem demoníaca. Isto ocorre porque ele foi ensinado a acreditar que os males que lhe ocorrem são provação divina e que bens em demasia chegam como tentação. Por esse prisma, converte Deus em algoz, mas que recompensa com o paraíso aquele que é justo e vive em pobreza e privação; e é convicto de que satanás oferece uma vida cheia de maravilhas mas depois irá deleitar-se com seus beneficiários ardendo no caldeirão do inferno.
  Dessa forma, o homem cria dois punidores, aliados quanto às punições, pois Deus pode mandar o ímpio para as chamas eternas, e o diabo lá estará recepcionando-o. É assim que se ensina a grandes legiões, desde a infância. Acostumados a admitir o sofrimento como vontade divina, esses crédulos vivem cativos e em estado de conformismo, pois supõem que riqueza e alegria podem converter-se em débito. Se a coisa que lhes ocorre é fácil e boa demais, é do diabo; se é difícil e ruim, é por desígnio de Deus. Desejam o dinheiro, que pode lhes dar a felicidade imaginada, mas algo dentro de si lhes diz que isto pode ser pecado, porque ensinaram-lhes que a virtude reside na pobreza.
  Há uma predileção do homem em considerar-se pecador e indigno da opulência terrena, porque ela só estariam no Céu, e assim mesmo para o justo, pois lhe disseram que é assim que funciona. Ensinaram-lhe que felicidade só se obtém pelo sacrifício e que ela não poder ser vivida intensamente aqui e agora. Que se alguém está pleno de riqueza, aí alguma força do mal está interagindo. Incutem-lhe que ele tem de ser temente a Deus, um ser bom mas capaz de irar-se. Certamente que Deus não contemplará o sofredor só pelo fato de que sofre. O sofrimento pode ensinar o homem a descobrir-se e a descobrir por que está sofrendo e indicar-lhe o caminho que o tire dessa dor. Mas não o levará ao paraíso apenas por isso, assim como os deleites da vida não o conduzirão a esse lugar que chamam inferno.
  As armadilhas de sua existência é o próprio homem quem monta, e o sofrimento é o resultado do que ele criar e do que planejou realizar nesta vida, antes de aqui aportar. Ele também não terá um lugar no Céu se, ao praticar boas ações, o faz apenas como permuta para aquele fim. O que ocorre é que, ao fazer algo agradável para si ou para outrem – essas coisas que lhe brotam de dentro, espontaneamente – o ser já está num estado de graça e assim se elevará e irá subindo para a luz, por sua própria leveza. Esta é a tão falada recompensa divina.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


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