ESPAÇO ABERTO
O paradoxo do programa Fome Zero
Wilmar Marçal
O País assistiu nesta última semana um dos mais incompreensíveis episódios de desperdício. Lamentavelmente o fato ocorreu aqui no Paraná, em Guarapuava. As imagens mostraram o descarte incoercível, em lixo, de toneladas de batatas, muitas em perfeito estado. Segundo os dados oficiais, o Paraná terá este ano uma superprodução, 35% maior que em 2006, devendo atingir 420 mil toneladas. Pena que esta belíssima produtividade não se traduziu em notícia positiva.
A começar pelo fato de que produtores rurais perderam recursos e se viram obrigados a jogar a safra fora. Batata é diferente de soja e café e a estocagem só é possível até no máximo 10 dias depois da colheita.
Porém, o mais grave é que este triste acontecimento coloca em dúvida os programas governamentais que se rotulam como combatentes da fome, muitos reiterados em palanques nas últimas eleições.
Se vamos fazer opção preferencial para atender as comunidades mais carentes precisamos estar prontos para ações rápidas; saber atuar em situações como esta, onde ficou patente o despreparo da nossa máquina pública. Qualquer atuação governamental regida na prevenção e resolução de problemas deve se fortalecer em dois conceitos fundamentais para qualquer gestor público. O primeiro é a sensibilidade para entender que aquela situação visível e cruel aos nossos olhos atinge e repercute a todos, indistintamente, inclusive nossos dirigentes públicos. A segunda questão é a criatividade.
Por que não foi possível destinar o excedente da produção para organizações não-governamentais? Será que é tão difícil subsidiar o custeio básico desses alimentos e doar para quem realmente necessita? Pelas informações que foram divulgadas, em Guarapuava, nas estradas o quilo da batata custava R$ 0,08 e o saco (de 50 quilos) R$ 4,00.
De forma prática daria a seguinte sugestão. Uma vez comprado um estoque, a Defesa Civil do Paraná poderia ter articulado o transporte, contando com auxílio das prefeituras da região, cooperativas, universidades e demais órgãos públicos estaduais. Quero fazer a sugestão sem críticas às nossas autoridades. Minha proposta é pela união das forças para evitarmos desperdício na agricultura, o que significa colocar na mesa do brasileiro um produto mais barato.
Vivemos em um estado eminentemente agrícola e precisamos cada vez mais nos planejar, visando uma produção em larga escala que remunere o produtor e traga recursos. Não podemos nos dar ao luxo de colher e depois jogar. Ainda mais quando milhares não têm sequer direito a três refeições por dia. Perdemos a chance de dar um bom exemplo. Que o paradoxo das batatas sirva de lição.
WILMAR MARÇAL é reitor da Universidade Estadual Londrina
A Síndrome do tio vivo
Peter Silva
A síndrome que classifica a falta do que fazer, por causa do tempo de serviço ou da idade, é chamada Síndrome do tio vivo. Reclama de tudo, coloca obstáculos em tudo e não sabe o que está falando. Assim comparo o artigo Síndrome do Peter Pan do LEC, do jornalista Mário Fragoso, publicado domingo pela FOLHA.
Desde minha chegada a Londrina fui contra jogar no estádio VGD, que não tem estrutura para comportar uma partida oficial de futebol. É um estádio construído na década de 50, com acomodações acanhadas, sem estrutura para atender um grande número de torcedores. O VGD é central, acolhedor, nostálgico, mas precisa ser remodelado. É um estádio que não oferece a segurança necessária aos profissionais em serviço (arbitragem, atletas, imprensa) e aos torcedores.
A opinião do torcedor é estranha pelo fato de citar problemas ocorridos no estádio de forma tão direta ao presidente do clube, que realizou todas as melhorias possíveis para atender o estatuto do torcedor e os torcedores do Tubarão. Houve problemas, vamos corrigir.
O estádio possui 9 mil lugares e estranha-me saber que o tio vivo levou seu amigo norte-americano bem atrás da placa de propaganda da TV que transmitiu a partida, proprietária do espaço publicitário, pois o seu ingresso lhe dava opções para sentar em outros locais, mais acima na arquibancada.
O observador técnico do Milan, Giovanni, que adquiriu o ingresso, assistiu à partida no mesmo local. Identificando-se à diretoria após o jogo, ele elogiou o público e o atendimento prestado. Não fez questão de expor no jornal sua satisfação. O Giovanni também, infelizmente, não tomou uma cerveja bem gelada, mas disse que, mesmo com dois anos sem futebol, o VGD teve um bom serviço. Sobre os postos de venda de cerveja, o responsável prometeu ampliar os pontos de vendas, bem como não deixar faltar o produto.
A diretoria do Londrina vem trabalhando para atender os torcedores, pois a maioria exigiu que os jogos do Estadual fossem realizados no VGD. Todas as ações tomadas para a realização da partida foram criteriosas e dentro das normas do Estatuto do Torcedor. Sobre batucadas e faixas, as reclamações devem ser direcionadas às torcidas organizadas, mas é um absurdo um torcedor reclamar de barulho em estádio de futebol. A posição definida para a torcida adversária foi feita pelo comandante da Polícia Militar e não pelo Londrina.
Estamos realizando um trabalho sério, decente e reorganizando o clube. São colocações desinformadas como estas que continuam a manchar a tradição e a imagem de um clube como o Londrina. Queremos recolocar o nosso glorioso Tubarão no lugar onde nunca deveria ter saído. O Londrina está acima disso tudo, não é Terra do Nunca e nunca será. O Londrina é uma instituição de respeito e de tradição que merece ser tratado com responsabilidade e não com piadinhas maldosas.
PETER SILVA é presidente do Londrina Esporte Clube
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