ESPAÇO ABERTO
PAC e o custo do idoso
Luiz Carlos Ferraz Manini
O anúncio das medidas que formam o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) trazem um sopro de ar fresco na implementação de um real crescimento no Brasil. No entanto, algumas propostas assustam o povo brasileiro.
Uma dessas medidas, que concerne à reforma da Previdência, nos dá uma idéia da falta de respeito ao idoso que ainda grassa pelo país. O governo alega que, para a manutenção do crescimento, seria necessário diminuir a Previdência, que hoje consome 46% do orçamento da União.
Um golpe duro, dado já durante o governo FHC, foi a desvinculação do aumento das aposentadorias e pensões do reajuste do salário mínimo; ou seja, os aumentos são dados em separado, e o dos aposentados, ironicamente, é menor.
Ironia o idoso ter pagado a contribuição a vida inteira e não receber uma remuneração digna, à qual mal é suficiente para pagar os remédios que os mesmos consomem. Além disso, cresce o número de pessoas de terceira idade que sustentam os lares com seus rendimentos em virtude do desemprego que insiste em não decrescer.
Aliado a isso, somamos a contribuição que os aposentados vêm pagando, consumindo uma parcela daquilo que não deveria mais ser tributado, mas ainda assim o é. Desta maneira, percebemos que o desrespeito ao idoso ultrapassa os limites do aceitável em nosso país, e pelo jeito parece crescer ainda mais.
Diz-se que a Previdência onera o país, no entanto, os desvios de verba, os superfaturamentos de gastos, as obras faraônicas como a nova sede do Tribunal Superior do Trabalho, que custou mais de 200 milhões de reais, devem se encaixar em qual categoria? A dos gastos ordinários?
Talvez, os ordinários sejamos nós mesmos, que elegemos os donos do circo, pois nossos caros representantes nos tornam palhaços em face da ética; malabaristas em vista do orçamento doméstico; mágicos para fazer desaparecer a vergonha que nos cobre, e equilibristas, andando na linha tênue que separa a decência e a luta pela sobrevivência.
LUIZ CARLOS FERRAZ MANINI é professor de História em Londrina
A Síndrome de Peter Pan do LEC
Mario Fragoso
A psicologia classifica como vítima da Síndrome de Peter Pan o ser do gênero masculino que, ao longo da vida, se recusa a crescer. Ao invés de virar homem, prefere a ilusão da Terra do Nunca, local para onde vão os meninos eternos. Se é assim, esse deve ser o desvio que impede o Londrina Esporte Clube de crescer. Ser grande e levar o nome da cidade pelo Paraná e o Brasil afora.
Loucura? Vejamos. No primeiro clássico contra o mais tradicional adversário - ainda que descaracterizado, agora, pela fusão com a Adap -, quem pagou o pato pela (des)organização reinante no VGD velho de guerra, foi a torcida Alviceleste. Ninguém entendeu por que o seo Peter Silva, não o Pan, reservou a curva atrás do gol dos fundos para uma meia centena de maringaenses, mourãoenses, sei lá.
Faço parte da torcida que, há décadas assiste aos jogos naquele local. Lá não tem batuque na orelha, nem as faixas e bandeiras que dificultam a visão do campo de jogo. Por falar nisso, bem que as heróicas torcidas organizadas do LEC podiam expor suas faixas no alto da arquibancada descoberta. Teriam a mesma visibilidade e, de quebra, liberariam o alambrado. Também gosto desse local.
E por falar em visibilidade, seo Peter, eu, meus amigos e um norte-americano que passa uns dias na cidade e foi ver o tal do soccer brasileiro, não pudemos ver o gol do Londrina. As placas publicitárias fixadas atrás do arco defendido pelo goleiro maringomourãoense
- será que é isso mesmo? - permitem a visão dos jogadores na pequena área apenas da cintura para cima.
Já que paguei ingresso inteiro, achei que veria o jogo em sua totalidade. Ah, tem outra coisa seo Peter; não bastasse o fato de só haver uma marca de cerveja à venda no estádio, a cada abastecida era preciso percorrer toda a extensão da geral. Para piorar, a cerveja do bar próximo aos portões de entrada acabou, sem bem me lembro, antes de começar o segundo tempo.
Enquanto isso, seo Peter, aquela meia dúzia de gatos pingados de Maringá - ou seria de Campo Mourão? - ficou com um bar exclusivo. Tratamento VIP que, tenho certeza, a torcida londrinense não terá no Willie Davids, Roberto Brezinski ou seja lá onde for que venha a enfrentar a Adap nesse ou nos próximos anos. Receber bem as pessoas, ainda que adversárias, não implica em penalizar a gente da casa.
Isso é coisa de esquimó, lá do Pólo Norte, que oferece a esposa ao visitante para demonstrar-lhe ser bem-vindo no iglu. É por essas e por outras, penso, que o futebol londrinense patina, patina e não sai do lugar. Pelo contrário, só faz descer, cada dia mais fundo no buraco em que se meteu. É, seo Silva, alguma coisa precisa acontecer para o Londrina superar a Síndrome de Peter Pan e se tornar grande. Senão...
MARIO FRAGOSO é jornalista em Londrina
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