ESPAÇO ABERTO
Sete fontes de sabedoria
Dom Orlando Brandes
1. O equilíbrio. Fazemos constantemente a experiência negativa do radicalismo, dos excessos, das cegueiras, das precipitações, dos exageros. A sabedoria está no equilíbrio que requer firmeza e flexibilidade, bom-senso e capacidade de compreensão. As pessoas equilibradas conseguem resolver problemas e situações conflitivas. São instrumentos de paz e boa convivência.
2. A motivação. Consiste em fazer as coisas com calor, paixão, garra e fervor. A fé e os valores oferecem motivações para a ação. Quem se sente amado sente-se motivado. Ter objetivos e metas claras é o mínimo necessário para alguém sustentar a motivação interior. Sem motivação morre a ação. Sem motivação caímos na depressão.
3. O autocontrole. Saber dominar-se, vencer a si mesmo, domesticar os desejos, apetites e excessos pessoais é sabedoria que nos faz livres frente às coisas que nos escravizam. Autocontrole requer renúncia, sem a qual não há maturidade nem crescimento. Pelo autocontrole moderamos os instintos, canalizamos as paixões, ordenamos os afetos, criamos disposição para o bem e para a prática do dever.
4. A comunicação. Somos seres em comunicação. Somos aquilo que conseguimos comunicar num processo relacional que inicia no útero materno. Pela comunicação criamos comunhão e comunidade. Existe comunicação quando entramos no mundo do outro. Comunicação é sair de si, ir ao encontro, acolher o diferente. No outro posso encontrar a Deus e a mim mesmo.
5. A informação. Precisamos estar informados, acompanhar os acontecimentos, para vencer as incertezas e dúvidas e compreender a história que nos envolve. Pela informação saberemos encontrar soluções e adquirir intuição e visão da realidade. Da informação nasce a conscientização e a cosmovisão. Nossos livros cotidianos de informação são o jornal e a bíblia e agora também a internet.
6. A ternura. É o toque do amor, a sabedoria de dar carinho, a gentileza de elogiar, a capacidade de valorizar as pessoas. Sem a ternura viveremos na frieza da racionalização, do formalismo, da suspeita, dos esquemas. Ternura é sorriso, elogio, perdão, reconciliação, abraço, bênção, respeito, inocência.
7. A religião. O homem tem uma abertura natural para a transcendência, para o absoluto, é um animal religioso. Diz João Paulo II: O homem é mais parecido com Deus que com a terra. Deus é o nosso chão e preocupação última, uma paixão irresistível. Todas as culturas são religiosas e a fé é como o erotismo, ou seja, um instinto congênito, uma pulsão natural. Construir um mundo sem Deus é construí-lo contra o homem. Que estas sete fontes de sabedoria nos tornem mais sábios, mais humanos, mais fraternos.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
A bandidagem institucionalizada
Nicolau Bulgacov Júnior
Representantes de sindicatos, polícias Federal, Militar, Civil, delegacias da Receita Federal e Estadual, Prefeitura de Londrina, Associação Comercial, advogados e empresários relataram suas opiniões sobre o projeto que devem encampar em relação ao comércio informal que se instituiu em várias cidades do País. Pirataria, descaminho, contrabando, receptação de cargas roubadas são ilegalidades passíveis de penalidade criminal - Lei 9.605/2003 que prevê condenação de dois a quatro anos de prisão ao infrator, por violações dos direitos autorais.
Em várias cidades impera a ilegalidade e os infratores parecem estar protegidos. Considerando os aspectos jurídicos, o importante é levar ao conhecimento dos gestores públicos o poder de polícia administrativa das prefeituras. O governo local tem um profundo poder de licenciar atividades, de emitir e cassar alvarás, de apreender mercadorias com base nas leis federais, estaduais e municipais. O poder público municipal tem uma ação direta e administrativa e autonomia para agir localmente. Não é necessário haver um conjunto de leis municipais específicas explicando, por exemplo, que não é permitida venda de óculos de grau ou de sol em banca de camelô até mesmo em boutiques, bazares, postos de combustíveis, armazéns, farmácias, etc.
Isto porque já existe uma lei federal que trata do assunto. Para se trabalhar especificamente óculos é preciso preencher alguns pré-requisitos como possuir diploma técnico e equipamentos específicos, incompatíveis com a venda de rua por ambulantes ou em bancas de camelôs e outros ramos do comércio. E o mais importante: a comercialização de óculos deve ser realizada sob a supervisão e responsabilidade de um óptico.
Mesmo com a lei federal vêem-se óculos sendo comercializados abertamente sem nenhuma fiscalização de órgãos públicos em boutiques, bazares, ambulantes e camelôs. Por quê? Porque as prefeituras institucionalizaram a bandidagem ao legalizar camelódromos sem qualquer critério ou previsão de ação que combata o contrabando, o descaminho, a pirataria e a receptação. Além de não cumprirem a lei, incentivam a ilegalidade. Se o poder público local tiver vontade política, deixando de lado posturas paternalistas, agirá corretamente para o bem da população. Estará também preservando os direitos do consumidor e os direitos da concorrência ética. Estará dando estabilidade a si mesmo com sua continuidade enquanto agente público, pois colocará dinheiro nos cofres públicos, fazendo mais ações sociais.
Cabe a nós orientar os consumidores enquanto aguardamos a boa vontade dos órgãos competentes. Portanto, a procedência dos óculos que você usa é muito importante. Óculos falsificados não têm nenhum controle de qualidade e por isso são perigosos para a saúde dos seus olhos.
NICOLAU BULGACOV JÚNIOR é presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material Óptico, Fotográfico e Cinematográfico no Estado do Paraná
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