Melhorar o transporte coletivo

Eli Araujo
  O transporte coletivo urbano é algo tão essencial para a sociedade que sua importância só é sentida quando, por algum motivo, o serviço deixa de ser prestado. Esta opção de transporte se torna ainda mais importante porque contribui para a redução dos veículos que circulam nas grandes cidades e a conseqüente diminuição de poluentes na atmosfera.
  Mas assim como qualquer outra atividade econômica, o transporte coletivo precisa se aperfeiçoar para atender às necessidades da população.
  Em Londrina o sistema evoluiu de maneira razoável nos últimos 20 anos. E o ponto de partida foi a criação dos terminais em pontos estratégicos, o que permitiu ao usuário a utilização de duas ou mais linhas pagando apenas uma passagem. Hoje a integração pode ser feita inclusive fora dos terminais, desde que o usuário observe o período máximo de uma hora para embarcar a segunda vez. Outro ponto positivo foi facilitar o embarque das pessoas que dependem de cadeira de rodas.
  A essência do transporte coletivo é a mesma em qualquer lugar do mundo, mas a diferença pode estar em pequenos detalhes, tais como a cordialidade de quem faz o trabalho como também a boa educação de quem utiliza o serviço no dia-a-dia.
  Vale citar alguns detalhes que fazem a diferença entre o transporte coletivo nas cidades de Londrina e Florianópolis. Mas afinal, o que a capital catarinense tem que Londrina não tem? Em primeiro lugar, há uma tabela de horários de todas as saídas nas respectivas linhas e a indicação do itinerário em um mapa; todos os pontos são padronizados, oferecem o mínimo de conforto e são identificados de acordo com a localização; os banheiros dos terminais estão invariavelmente limpos e os papéis são de boa qualidade; no interior de cada ônibus há um aviso pedindo às pessoas para que não joguem lixo pela janela e caso alguém precise descartar um papel ou um chicletes há um pequeno cesto de lixo para esta finalidade.
  Mas existem outros detalhes. O mais interessante para o usuário, entretanto, é o preço diferenciado. Ou seja, a passagem com o cartão custa R$ 1,80 e com dinheiro custa R$ 2,10. E no terminal central há um monitor que informa as próximas partidas, a exemplo do que existe nos aeroportos.
  Se a gente observar bem pode notar que todas são idéias relativamente simples. E caso os órgãos responsáveis pelo sistema em Londrina resolvam pensar no assunto, não custa incluir entre as propostas uma campanha para que as pessoas que estejam ‘‘em forma’’ cedam seus lugares para idosos e gestantes.
ELI ARAUJO é repórter da FOLHA DE LONDRINA


Patrões e empregados

Luiz Carlos Hauly
  Agradeço a FOLHA DE LONDRINA por ter dedicado o editorial (14/1) para analisar o meu projeto de confeccionar, com recursos próprios, uma cartilha sobre os direitos previdenciários e trabalhistas dos brasileiros e que deverá circular nos próximos meses em todo o Paraná.
  Por outras duas vezes fui honrado pela menção ao meu trabalho no prestigiado espaço do editorial da FOLHA: quando aprovei a primeira fase do projeto que autoriza a criação pelo governo federal de uma universidade pública e gratuita no Norte do Paraná e depois pela aprovação do meu relatório, que tornou-se mandamento legal, da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, também conhecida como Supersimples.
  Mas o editorial do último domingo parte de uma premissa correta, que é o projeto da cartilha, para desenvolver uma tese injusta: a de que, como parlamentar, eu deveria dedicar-me talvez mais aos empregadores do que aos empregados, pois os segundos têm ampla assistência enquanto os primeiros, não.
  Permita-me discordar. Fui o relator da lei do Supersimples, cuja redação demandou dois anos de extenuantes negociações com o empresariado, centrais sindicais e governos federal, estaduais e municipais, além de procurar na legislação internacional o que de melhor poderia ser feito para simplificar para o pequeno empreendedor.
  Pela desoneração tributária e simplificação de procedimentos que institui, a lei embute a mais ampla reforma tributária dos últimos 50 anos e o mais eficiente mecanismo de inclusão de empresários e empregos na formalidade. Por beneficiar os cerca de 10 milhões de micro e pequenos empresários permitirá a abertura de novos postos de trabalho, pois de cada três empregos gerados, dois são proporcionados por essas categorias de empresas. A lei cria também a figura da ‘‘pré-empresa’’, que são aquelas que faturam menos de R$ 40 mil por ano, e nessa categoria estão 13 milhões de pessoas.
  A reforma trabalhista, defende o editorial da FOLHA, é uma necessidade. Até as centrais sindicais estão de acordo e assumo minha responsabilidade. Essa reforma, no entanto, está parada no Congresso Nacional por pressão do Palácio do Planalto, ocupado por um sindicalista que muito bradou por ela e nada faz para desatar o nó, que diz conhecer muito bem.
  A FOLHA, fiel à sua história de baluarte das causas nacionais e estaduais, poderia contribuir para destravar o processo promovendo debates com especialistas e interessados na matéria, mobilizando a opinião pública pelas reformas que o Brasil requer - a tributária e a trabalhista. Desde já, contem comigo na primeira fila deste instigante debate.
LUIZ CARLOS HAULY é deputado federal (PSDB-PR) pelo quinto mandato consecutivo

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