ESPAÇO ABERTO
Pedágio: empresário paga a conta
Markenson Marques
O governo federal, ao suspender a licitação de sete lotes de rodovias federais, reclama da falta de investimentos por parte das concessionárias. E sinaliza com a intenção de recolher para os cofres públicos parte do dinheiro arrecadado com os futuros pedágios.
Acho justo e legítimo o governo suspender os editais de licitação para reformulá-los. Não é aceitável uma concessionária aplicar na rodovia apenas 30% do que arrecada. Isso deve ser equacionado mas em prazo não superior a 60 dias. O poder público precisa trabalhar em ritmo pelo menos próximo ao do setor privado.
Como empresário de transporte de cargas, defendo que as estradas estejam em boas condições e recebam manutenção constante. Mas como contribuinte, não posso aceitar pagar duas vezes pelo mesmo serviço. O governo já recebe a CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), cobrada sobre a importação e a comercialização de combustíveis. Pela lei, seus recursos deveriam ser aplicados na construção e conservação de estradas federais. Nasceu como solução mas definitivamente se tornou uma dor de cabeça para os transportadores.
Cada vez que preciso de óleo diesel, pago R$ 0,07 por litro do combustível que são revertidos para a CIDE. Parece pouco, mas isso gera uma despesa anual de R$ 500 mil. O meu gasto com o pedágio é ainda maior: são R$ 800 mil por ano. Como todo proprietário de veículo, também pago o IPVA. São mais R$ 100 mil. Não é segredo que o IPVA também se destina à conservação das rodovias.
Na ponta do lápis, entre pedágio, CIDE e IPVA tenho despesas próximas de R$ 1,4 milhão para manter minha empresa funcionando nos doze meses do ano. Quero que a tarifa de pedágio seja reduzida, mas necessito de rodovias seguras. São meus funcionários, cargas dos clientes e caminhões que estão em jogo.
O governo, que muitas vezes critica o pagamento do pedágio, também se beneficia dele. Os DERs ficam com um percentual da arrecadação dos pedágios e as prefeituras ficam com o ISS. Isso geralmente não é divulgado como deveria.
É evidente que pagarei em dobro se o governo licitar os sete trechos. Enquanto investidores e governantes travam uma autêntica guerra para ver quem será o dono do pedágio, pago impostos, taxas e contribuições duplicados para poder trabalhar e gerar empregos formais. Por isso, antes de os empresários se posicionarem deste ou daquele lado, quero fincar minha posição pelo fim da CIDE, que só serve para encarecer o custo do transporte no país em troca do nosso apoio na questão do pedágio econômico.
MARKENSON MARQUES é empresário do setor de transporte de cargas em Curitiba e vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Estado do Paraná (Setcepar)
O poder criador e destruidor
Walmor Macarini
Tenho escrito que os dias e os anos bons são aqueles que fazemos bons. Coisas como o fumante decidir não mais fumar, o alcoólatra abandonar a bebida, o viciado deixar as drogas, são poderes fortíssimos e infalíveis. Se o propósito é abandonar essas dependências, a fórmula é não mencioná-las e nem amaldiçoá-las por que isto é emanação negativa mas imaginar-se sem elas e com o corpo saudável. Essa prática mental deve converter-se num hábito diário, até que os males desapareçam.
Quem tem o vício de maldizer a própria vida e a vida alheia atrairá coisas idênticas e se afogará nessa baixa vibração. Se a pessoa decidir calar-se (e calar a mente) toda vez que tiver a impulsão de falar mal de alguma coisa, sentirá uma força interior que irá crescendo, e assim afastará as negatividades. Porque o Universo faz a leitura de tudo o que se deseja e se cria na mente e dá a resposta na mesma intensidade. Pensamentos e sentimentos negativos são igualmente vícios mentais, que produzem retornos equivalentes.
Ninguém tem sorte e nem azar e sim pensamentos sintonizados com isto. Quando as pessoas descobrirem o poder criador em si mesmas e é tão fácil terão descoberto uma mina de ouro no próprio jardim. Podemos evitar as coisas que nos aborrecem e cultivar mentalmente (e na prática) apenas as coisas boas, e isto se faz pela visualização mental do que se deseja, sem mencionar aquilo que não se quer.
Se nos afundamos no culto aos vícios de natureza física, oral, mental ou sentimental vamos colher o que semeamos. E o inverso disso nos colocará em sintonia com as coisas boas, porque tudo o que tem afinidade se atrai. O homem move Deus, no sentido de que move o Universo. Esse Deus e cada qual que o imagine como queira nos disponibilizou tudo, mas não interfere em nada. Afirmar que Deus quis assim (quando se é pobre) é a pior das pobrezas.
As tragédias humanas e as que ocorrem no globo terrestre não são vontade de Deus mas o resultado do acúmulo de energias inqualificadas da mente humana, que em dado momento chegam ao ponto de saturação e à conseqüente explosão. O poder dos ódios, invejas, ganâncias, enfim os pensamentos e sentimentos densos, geram poderosa energia, que se manifesta e desaba sobre quem alimenta esses sentimentos, atingindo também as pessoas a quem se dirigem, se elas forem fragilizadas.
Todos somos responsáveis por tudo o que acontece de bom ou de ruim aqui e nos confins do planeta. Porque um sentimento inqualificado soma-se ao sentimento coletivo da mesma natureza, e se robustece, até o ponto de exaustão. Uma vida nova, repleta de alegria, saúde, dinheiro, poder e iluminação se obtém pela decisão de elevar as formas-pensamento, as formas-sentimento e as atitudes. Criar e visualizar na mente as coisas boas acontecendo, sem momento algum de dúvida ou recuo e sem dar espaço às negatividades mentais em contrário, produzirá resultados surpreendentes.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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