ESPAÇO ABERTO
Verdade e justiça
Fernanda Côrtes Dutra
Ao olhar os inúmeros comentários e opiniões veiculados na inernet, senti o desejo, como sobrinha-neta do advogado Jairo Stutz, de expressar um pouco do que nossa família está sentindo e pensando.
Mesmo sem intenção, a morte de uma família aconteceu por uma imprudência. A família Stutz não castiga o pastor Osni, mas quer a verdade e a justiça. Temos consciência de que o mesmo não tinha intenção de matar, porém quem ultrapassa em local proibido e sem nenhuma visibilidade tem de responder por seus atos. Como líder religioso ele deveria ser o primeiro a dar o exemplo em obediência às leis humanas, e se fosse o contrário,
as vítimas fossem suas filhas e neta, ele aceitaria como fatalidade infringir leis e dirigir com imprudência?
Todos somos passivos de erros, afinal somos humanos, porém devemos assumir e arcar com as conseqüências dos nossos atos. Não é apenas meu tio, tia e prima que morreram, toda a nossa família perdeu um pouco da vida. Ele não era apenas um tio, era um referencial, uma família amada, especial.
Não desejamos que o sentimento de culpa perturbe o pastor Osni e sua família, todavia se ele agiu de forma imprudente, assim como nos relatou a polícia que atendeu ao acidente, que a justiça seja feita e que sirva de exemplo para que as outras pessoas tenham cuidado ao guiar seus veículos.
Cremos que Deus está no controle de todas as coisas, assim como cremos que nosso tio e família já gozam da eternidade ao lado do Pai, mas isso não exime o culpado pelo acidente da sua responsabilidade.
Sabemos que toda justiça e soberania cabem a Deus, mas enquanto estamos na Terra devemos obedecer as leis humanas e estarmos submissos a elas. Quem olha para uma criança de 1 ano e 5 meses com as duas pernas engessadas, um olhar assustado, chamando pelo pai, o qual não verá nunca mais, não consegue simplesmente esquecer o que aconteceu e não buscar a justiça e a verdade.
Nossa família está empenhada em encontrá-las e cremos que Deus estará guiando os nossos passos e solucionando todo o caso. A dor que estamos sentindo não será em vão, em tudo nosso Pai tem um propósito, e desejamos que este se cumpra.
FERNANDA CÔRTES DUTRA é estudante de Fisioterapia na Universidade Norte do Paraná em Londrina
O valor do grito nas ruas
João Maria Rocha
Carregamos uma dose exagerada de paciência e comodismo. Tais características inibem a luta pelos nossos direitos. Desmandos, corrupção, impunidade e outros entraves dos poderes públicos travam o desenvolvimento desta nação. Mensalões, sanguessugas, CPIs e outras gatunagens tornam-se pura perda de tempo, dinheiro, desgastes e confusões. No final quase tudo dá em nada. Quando comissões apuram provas evidentes, o Plenário os absolve. São quase todos farinha do mesmo saco.
Nossos legisladores, salvo raras exceções, se empenham apenas na defesa de seus próprios interesses. Trabalham pouco, ganham muito e desfrutam de imensas e generosas regalias; seus atos ilícitos só podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal. A Justiça emperrada e lenta, baseada em leis antigas e ultrapassadas, beneficia os malandros poderosos que defendidos por renomados advogados, amparados por inúmeros recursos arcaicos e descabidos, que quase sempre livra seus clientes da cadeia.
É notória que a legislatura 2006 foi a mais corrupta e bagunçada de todas. Muito se julgou, muito tempo se perdeu e nada aconteceu. Nunca antes neste país o sistema financeiro foi contemplado com astronômicos lucros como neste governo que diz que luta pelos pobres. Era para alavancar o crescimento econômico da sociedade, mas na verdade se tornou o carrasco do povo. Juros e taxas elevadíssimos não geram emprego, pelo contrário, diminui.
Estamos trabalhando para enriquecer cada vez mais os banqueiros. A agricultura e a pecuária estão abandonadas. Câmbio desfavorável, crédito minguado, no completo abandono do governo. A agropecuária, junto com a classe média, é uma das que mais está sofrendo neste país. O espetáculo do crescimento, os empregos e a esperança patinaram no atoleiro e a vaca foi pro brejo. Como os eleitores gostam de mentira e de papo furado!
A Coréia do Sul e outros países estão hoje desfrutando das riquezas pelo fim da impunidade e corrupção graças ao clamor do povo nas ruas. No Brasil, os exemplos de sucessos e conquistas de seus anseios são o MST e vários sindicatos que através da mobilização das massas conseguiram seus espaços. Onde está a antes tão aguerrida classe estudantil e o povo judiado e abandonado? Será que o Brasil é um oásis de felicidade?
A Ordem dos Advogados do Brasil, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, grande parte da mídia e outros estão cumprindo seus deveres, a eles aplausos. Cabe a nós com energia inundar com nossos gritos as ruas exigindo o cumprimento de nossos anseios e direitos. Sabemos que o povo unido, decidido e aguerrido jamais será vencido.
JOÃO MARIA ROCHA é tabelião de notas e processos em Ivaiporã
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