ESPAÇO ABERTO
Deixemos em paz a Via Expressa
Reinaldo Mathias Ferreira
Já temos problemas suficientes com os nomes de ruas e/ou avenidas de Londrina. Portanto, é descabida a intenção de mudar qualquer nome. A Avenida Paraná, a partir da Minas Gerais, passou a ser Celso Garcia Cid. A Rua Ceará, para que o prefeito Hugo Cabral (cearense) fosse homenageado, mudou-se para o Jardim Castelo. A Rua Minas Gerais também foi seccionada para homenagear o senador Abilon de Souza Naves. O mesmo aconteceu com a Rua Bahia, que teve seu trecho central mudado para professor João Cândido Ferreira.
Em 1964, a Câmara Municipal de Londrina queria homenagear Mr. Arthur Thomas, pessoa querida por ter-se dedicado à colonização norte-paranaense. Objetivo louvável, mas o sacrifício ficaria para a Avenida Higienópolis. Por 10 votos a 7, o projeto foi rejeitado a 26 de março de 1965 em sessão que entrou pela madrugada. Mr. Arthur Thomas foi homenageado com obra nova: a então principal rua do Jardim Bandeirantes. E a Higienópolis foi poupada. Para homenagear o Papa Pio XII, a rua Jataí foi sacrificada. Para homenagear Juscelino Kubistcheck, desapareceram as ruas Antonina e Jacarezinho.
Todos sabem que são pontos de referência a Via Expressa e a Avenida Leste-Oeste. Quando se fala em Avenida Dez de Dezembro ou Avenida Arcebispo Dom Geraldo Fernandes, as pessoas precisam puxar pela memória para se lembrar do que se trata. A propósito, a Avenida Leste-Oeste começa na Dez de Dezembro com o nome de Jacob Bartolomeu Minatti, depois passa a ser Arcebispo Dom Geraldo Fernandes, muda depois para Leste-Oeste e logo depois do viaduto sobre a Avenida Brasília já é Avenida Luigi Amorese. Entretanto, o aeroporto de Londrina continua sem outro nome: é apenas Aeroporto de Londrina (e não Santos Dumont como muita gente pensa).
Um tanto estranha é a insistência para trocar o nome da Dez de Dezembro para Governador José Richa (1934-2003). O Senado aprovou projeto de Max Rosemann, dando o nome de Governador José Richa ao trecho da BR-476 entre Curitiba e Adrianópolis. Ele merece obra nova, grandiosa, como essa ou como o Jardim Botânico ou Teatro Municipal. E por que não se fala em homenagear também José Hosken de Novaes (1917-2006), que foi prefeito, governador, procurador da República, secretário de Estado da Fazenda, fundador da Companhia Habitacional de Londrina (Cohab-LD), criador do Serviço de Telecomunicações de Londrina (Sercomtel) e professor de Direito Civil?
Penso que não é justo homenagear só um dos grandes homens de Londrina. Deixemos em paz a Via Expressa e a Leste-Oeste.
REINALDO MATHIAS FERREIRA é escritor e professor em Londrina
Osteoporose, uma doença silenciosa
Mirela Akagawa Yunes
A osteoporose é uma doença que causa o enfraquecimento progressivo dos ossos, ocasionado pela perda de cálcio e massa óssea, tornando-os mais frágeis e quebradiços. Surge com o avançar da idade e na maioria das vezes a doença não apresenta nenhum sintoma, nem mesmo dor, mas pode evoluir até que ocorra uma fratura. Mulheres na pós-menopausa, período em que os níveis de estrógeno - hormônio feminino - caem bruscamente, são as mais atingidas pela doença.
Apesar de acometer mais as mulheres, cerca de 13% dos homens acima dos 50 anos podem apresentar algum tipo de fratura por osteoporose. Dados da IOF (International Osteoporosis Foundation) mostram que o risco de sofrer fraturas na coluna, quadril ou antebraço é de 40% ao longo da vida, equivalente ao risco das doenças cardiovasculares. As fraturas, principalmente na coluna e quadril, e as complicações decorrentes são exatamente o principal motivo pelo qual a osteoporose é considerada uma doença tão grave.
A medida mais eficaz no combate à osteoporose é a prevenção. Especialistas afirmam que isso deve ser feito antes mesmo do nascimento, com uma alimentação adequada e um pré-natal cuidadoso garantindo a saúde do bebê. Continua na infância e adolescência, com uma dieta rica em cálcio e vitamina D e exercícios regulares. Na vida adulta, tomar sol sempre que possível em horários adequados, reduzir a ingestão de álcool e bebidas com cafeína e reduzir ou, de preferência, suspender o tabagismo, além da dieta rica em cálcio, ajudam a prevenir a osteoporose. Mas é fundamental consultar regularmente o médico para avaliar a necessidade de realizar exames ou tratamento específico. O diagnóstico precoce pode ser feito através de um exame simples, a Densitometria Óssea.
Por se tratar de uma doença silenciosa, a dificuldade está em convencer a pessoa com osteoporose a tomar o remédio. De cada dez mulheres, seis interrompem o tratamento no primeiro ano, mesmo sabendo que o problema é sério. Um dos motivos apontados é a inconveniência do tratamento. Outras doenças, como hipertensão e diabetes, também mostram que a adesão ao tratamento situa-se na faixa dos 50%. Estudos mostram que a adesão correta à terapia da osteoporose reduz o risco de fraturas e que o tratamento com dose única mensal contribui efetivamente para aumentar a adesão ao tratamento.
Com o aumento da expectativa de vida, o Brasil deve preparar-se para atender a demanda das doenças crônico-degenerativas, dentre elas, a osteoporose, que já atinge cerca de dez milhões de brasileiros. Descubra se você está em risco realizando o teste-minuto interativo da International Osteoporosis Foundation disponível no site www.iofbonehealth.org/patients-public/risk-test.html.
MIRELA AKAGAWA YUNES é médica em São Paulo





