Seis qualidades de um líder cristão

Dom Orlando Brandes
  1. Zelo pela retidão. Um líder de comunidade cumpre seus deveres, evita toda negligência, consome-se de zelo pelo bem comum. Faz tudo para a glória de Deus, descentraliza seu ego, faz fazer, desaparece para que os outros cresçam. Sabe corrigir os erros e não encobre as faltas. Seu zelo faz que não se canse pelo trabalho, não se dobre nas provações, não se acovarde pela indolência, não se desvie pelas amizades, não trema ante as ameaças. Um líder assim é um verdadeiro pastor.
  2. Compaixão fraterna. O líder é atento às pessoas, zela pelo seu bem-estar, é sensível às suas necessidades. Tem coração de mãe que sabe dosar ternura e disciplina. É firme mas não autoritário, nem se coloca acima dos outros. Procura dialogar sem intimidar e sabe também consolar. Foge da agressividade agindo com amabilidade porque sabe compreender. O líder é um servidor que tem espiritualidade de comunhão e do lava-pés.
  3. Paciência e tolerância. Procura perdoar as ofensas, curar as mágoas e promover a concórdia. Seu lema é: não prejudicar, não condenar, não julgar, não agredir. Está voltado para o bem-estar dos outros e por isso o espírito de gentileza, a vontade de reconciliação e o altruísmo lhe conferem paciência e tolerância. Guarda a serenidade e não se deixa abater pelas críticas, pelo contrário, aprende com seus erros e aceita mudar, é pessoa flexível.
  4. Vida exemplar. Evita a dupla mensagem: dizer uma coisa e fazer outra. Tem autocritica e aceita correção. Não faz acepção de pessoas, trata a todos com igualdade e dá testemunho de simplicidade, de fé e de participação. Não procura agradar, mas servir. Sua vida pessoal, familiar, comunitária é equilibrada e exemplar. Por ser coerente e transparente é amado, obedecido, visitado, imitado.
  5. Bom senso. Não se considera melhor que os outros e por isso não se gaba nem humilha. Sabe exigir, mas sem ferir. Diz a verdade com jeito e caridade. Seu bom senso está no discernimento: nem áspero, nem suave demais; nem triste demais, nem fanfarrão; nem curioso, nem despreocupado demais; nem brando, nem severo demais; nem solitário, nem sociável demais. Não compra o afeto das pessoas.
  6. Devoção a Deus. Sua fé se expressa na oração e no amor solidário. Entusiasmado por Jesus, enche-se de paixão pelo Reino de Deus e de compaixão pelas pessoas. O amor de Deus é sua convicção pessoal. É entusiasmado pelas coisas de Deus, pela Igreja, pela comunidade. Tem o ouvido no coração de Deus e a mão no pulso da história. Não desanima, é perseverante e carrega o fardo dos irmãos. Sua cruz é também sua escola. Aprende com a ciência da cruz.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


Fim do mundo?

Marco Antonio Sales
  Há algum tempo atrás sempre que alguém comentasse sobre o tema ‘‘fim do mundo’’ a maioria associaria o assunto a pessoas religiosas e incultas. Admitir que um dia a humanidade como a conhecemos hoje será extinta seria um pensamento para gente ignorante ou ‘‘crentes’’ fora da realidade.
  Entretanto, em nossos dias parece que esta interpretação tem mudado. Em recente reportagem publicada pela revista Terra, que trazia na capa o título ‘‘Cientistas revelam como será o fim do mundo’’, o jornalista Vinícius Romanini faz a seguinte reflexão: ‘‘A idéia de que o mundo vai algum dia acabar é tão velha quanto nossa própria civilização. Há mitos e profecias sobre o final dos tempos em todas as culturas e o tema se revela central na maioria das religiões. O que não se poderia supor, porém, é que cientistas renomados e de várias especialidades pudessem unir suas vozes no alerta de que a espécie humana está à beira da extinção’’.
  Esta afirmação mostra uma posição diferente da que era comumente apresentada. Hoje não são somente religiosos sem cultura que falam sobre o fim. Cientistas, ‘‘as mais brilhantes cabeças de nossa época’’, também estão abordando o assunto. E agora? O que dizer disso? Que tal atentarmos para as palavras de Jesus, proferidas há 2000 anos? ‘‘Jesus disse: ‘Depois daqueles dias de sofrimento, o sol ficará escuro, e a lua não brilhará mais. As estrelas cairão do céu, e os poderes do espaço serão abalados. Então o sinal do Filho do Homem aparecerá no céu. Todos os povos da terra chorarão e verão o Filho do Homem descendo nas nuvens, com poder e grande glória’’’. Mateus 24:29-30.
  O texto mencionado se refere ao fim do mundo, anunciado pela Palavra de Deus há mais de 20 séculos. Talvez ele aconteça em nosso tempo. Talvez não. Todavia, um dia o fim virá, e juntamente com ele a manifestação do Filho do Homem, Jesus Cristo, para julgar a humanidade. E você, que lê este texto, estará naquele julgamento.
  Pense bem. O que vai importar naquele dia? A resposta está no que Jesus, mais uma vez, tem a lhe dizer: ‘‘Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo. Aquele que crê no Filho não é julgado; mas quem não crê já está julgado porque não crê no Filho único de Deus’’. João 3:16-18.
  E então? E se o que Cristo disse for verdade? Se o fim acontecesse hoje, você estaria entre os que crêem?
MARCO ANTONIO SALES é bacharel em Administração de Empresas e Teologia e pós-graduado em Teologia em Londrina


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