Homem é uma unidade psicossomática com linguagem e com arte.
O psiquismo é constituído de pensamento, elemento racional, lógico e objetivo; e do emocional, sentimentos, subjetivismo, emoções...
O soma é o corpo, parte física e importante também em relação ao psiquismo. O código, conjunto de sinais, é a linguagem.
A linguagem é a capa do pensamento; é a sede da idéia; é a veste e a verbalização de todo psiquismo. Ninguém consegue pensar, sem a linguagem. Ela e o pensamento formam uma unidade integrada. O falante é o que pensa; é o que fala. A expressão do mesmo reflete seu mundo, ''Cogito, ergo sum'', dizia o filósofo, e poder-se-ia acrescentar: expresso-me, logo existo.
O pensamento e a linguagem formam uma unidade integrada e perfeita: não é possível pensar, ter idéias, sem a linguagem que encapa e verbaliza o pensamento e a vida emotiva, a linguagem sem pensamento, é o caos.
O homem é uma unidade psicossomática com linguagem, completado com a estética, arte, o belo.
A arte inscreve-se na geral necessidade do homem de conhecer, agindo, e, agindo, exprimir seu conhecimento e sua ação. É pela ação que o homem se apodera do mundo. A arte deriva, sem dúvida, de um ato vital, pelo que assume um imediato aspecto lúdico.
A estética, como percepção, através das sensações, dos sentimentos e da intuição, integra a personalidade humana, dá-lhe visão mais completa da vida e do mundo. É ela que permite a análise dos valores, dos gostos, das atitudes e normas implicadas na experiência e nos juízos de toda atividade humana. O artista exprime o infinito humano através do finito, da partícula, do circunstancial, num objeto finito e concreto.
A percepção do belo não precisa, em absoluto, ser de uma obra artística artificial, uma tela, uma escultura; pode, sim, ser de algo natural da realidade, como, por exemplo, da flora, da fauna: beleza de uma flor, de um animal...
O fato é que o homem deve parar, enxergar a beleza natural ou artificial para ampliar o significado cultural e estético de sua personalidade.
Daí ser ele uma unidade psicossomática com linguagem, código de expressão, e com arte, cultivo do belo natural ou artificial.
A personalidade ficará incompleta, deficiente e carente sem cultivar alguma forma de beleza, de alguma forma. O triângulo deve ser uma unidade perfeita: psicossomática-linguagem-arte.
DONATO PARISOTTO é professor aposentado em Londrina

O futuro e o meio ambiente
Abraham Shapiro

Pensemos nas primeiras tentativas de vôo empreendidas pelo homem. Inventores saltando de um penhasco com suas engenhocas malucas, batendo asas ou pedalando hélices. O tolo pensava estar voando quando, na realidade, caía. Sem saberem que sua geringonça ia espatifar logo mais, eles se iludiam com o sucesso enquanto o solo ainda estava longe. O vento no rosto os fazia pensar que estavam voando.
Tomemos isso como metáfora. Assim é a nossa civilização. O penhasco alto representa nossos recursos aparentemente ilimitados do início da primeira revolução industrial. Nosso avião não voa pelos mesmos motivos porque as primeiras invenções não voavam. A gravidade o faz cair. Assim, também, nossa civilização não voa exatamente porque não foi construída segundo as leis da aerodinâmica para civilizações voarem. Mas o solo ainda está longe. E por isso, pensamos estar voando e o futuro parece garantido. No entanto, há alguns que já viram o chão se aproximar antes da maioria de nós. Os visionários viram isso e nos contaram.
Não há um único documento científico escrito nos últimos 25 anos que contradiga este cenário. Todos os sistemas de vida da Terra estão em declínio total e vertiginoso. Todo sistema de suporte à vida está em declínio e, juntos, eles formam a biosfera que nutre a vida - não só a nossa, mas talvez, a de 30 milhões de outras espécies do planeta.
A empresa típica do nosso século é extrativa porque tira da terra a matéria-prima do que fabrica, desperdiçadora, abusiva, linear em seus processos, destrutiva e lança resíduos à biosfera: gases no ar, líquidos nos rios e sólidos em lixões.
Por outro lado, é assombroso o quanto a terra precisa produzir para a indústria conseguir R$ 1,00 de lucro através da extração. Portanto, estamos deixando um terrível legado de veneno e ruína ambiental para os netos de nossos netos, as gerações ainda não nascidas. Alguns chamam isso de Tirania Intergeracional, isto é, uma forma de imposto sem representação arrecadado compulsoriamente de gerações futuras. Isso está errado.
Se você é empresário, o que sua empresa faz pelo ambiente? E você, o que faz? Com que consciência adquire e usa produtos que agridem o ambiente? Como dispõe o lixo gerado em sua casa? Quanta água você utiliza? O que os candidatos que você escolheu nas últimas eleições estão fazendo a respeito do ambiente? Talvez você seja aquela bondosa dona-de-casa que pacientemente ''varre'' a calçada com o jato de água produzido por uma bomba de alta pressão todos os dias. Horas e horas ''limpando'' e embelezando a fachada de sua casa com água da torneira. Vai aqui um aviso. No ritmo em que as questões da água vão em todo o mundo, em pouco tempo a senhora poderá ser condenada à injeção letal por este comportamento político e ecologicamente incorreto.
A verdade é que precisamos construir um mundo sustentável. Chegará o dia em que um produto não fabricado de modo sustentável não será consumido de modo algum. Esta será a lei. Este dia chegará! Eu só temo que seja tarde demais.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor em Desenvolvimento de Lideranças

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